domingo, 25 de novembro de 2018

ADMINISTRAÇÃO


75
ADMINISTRAÇÃO
Dá conta de tua administração.
Jesus. (LUCAS, 16:2).
Na essência, cada homem é servidor pelo trabalho que realiza na obra do Supremo Pai, e, simultaneamente, é administrador, porquanto cada criatura humana detém possibilidades enormes no plano em que moureja.
Mordomo do mundo não é somente aquele que encanece os cabelos, à frente dos interesses coletivos, nas empresas públicas ou particulares, combatendo intrigas mil, a fim de cumprir a missão a que se dedica.
Cada inteligência da Terra dará conta dos recursos que lhe foram confiados.
A fortuna e a autoridade não são valores únicos de que devemos dar conta hoje e amanhã.
O corpo é um templo sagrado.
A saúde física é um tesouro.
A oportunidade de trabalhar é uma bênção.
A possibilidade de servir é um obséquio divino.
O ensejo de aprender é uma porta libertadora.
O tempo é um patrimônio inestimável.
O lar é uma dádiva do Céu.
O amigo é um benfeitor.
A experiência benéfica é uma grande conquista.
A ocasião de viver em harmonia com o Senhor, com os semelhantes e com a Natureza é uma glória comum a todos.
A hora de ajudar os menos favorecidos de recursos ou entendimento é valiosa.
O chão para semear, a ignorância para ser instruída e a dor para ser consolada são apelos que o Céu envia sem palavras ao mundo inteiro.
Que fazes, portanto, dos talentos preciosos que repousam em teu coração, em tuas mãos e no teu caminho? Vela por tua própria tarefa no bem, diante do Eterno, porque chegará o momento em que o Poder Divino te pedirá: "Dá conta de tua administração".
NOSSA REFLEXÃO
Como somos potenciais trabalhadores, pois, conforme Emmanuel, nesta mensagem, “o chão para semear, a ignorância para ser instruída e a dor para ser consolada são apelos que o Céu envia sem palavras ao mundo inteiro”, somos, a todo momento, chamados para o trabalho, de forma silenciosa, como trabalhadores da última hora[1].
Muito nos é dado, na forma de riquezas, ou na forma de oportunidades profissionais, ou mesmo na forma religiosa. Então, teremos, sim, que dar conta das oportunidades que nos foram dadas para o engrandecimento de nossa humanidade e de nós mesmos.
Sejamos fiéis aos talentos que nos foram e continuam sendo dados, e os multipliquemos, para que, quando voltarmos ao plano espiritual, devolvamos, de forma justa e multiplicada, o que recebemos[2]. Esta prestação de contas, de tudo que recebemos, será um item avaliativo com relação ao nosso progresso espiritual. A partir dela, seremos escolhidos, ou não, a continuar com novas e mais desafiantes obras, como verdadeiros filhos de Deus[3].
Que Deus nos ajude.
Domício.

domingo, 18 de novembro de 2018

QUANDO HÁ LUZ


74
QUANDO HÁ LUZ
         O amor do Cristo nos constrange.
Paulo (II CORÍNTIOS, 5:14.)
Quando Jesus encontra santuário no coração de um homem, modifica-se-lhe a marcha inteiramente.
Não há mais lugar dentro dele para a adoração improdutiva, para a crença sem obras, para a fé inoperante.
Algo de indefinível na terrestre linguagem transtorna-lhe o espírito.
Categoriza-o a massa comum por desajustado, entretanto, o aprendiz do Evangelho, chegando a essa condição, sabe que o Trabalhador Divino como que lhe ocupa as profundidades do ser.
Renova-se-lhe toda a conceituação da existência.
O que ontem era prazer, hoje é ídolo quebrado.
O que representava meta a atingir, é roteiro errado que ele deixa ao abandono.
Torna-se criatura fácil de contentar, mas muito difícil de agradar.
A voz do Mestre, persuasiva e doce, exorta-o a servir sem descanso.
Converte-se-lhe a alma num estuário maravilhoso, onde os padecimentos vão ter, buscando arrimo, e por isso sofre a constante pressão das dores alheias.
A própria vida física afigura-se-lhe um madeiro, em que o Mestre se aflige. É-lhe o corpo a cruz viva em que o Senhor se agita crucificado.
O único refúgio em que repousa é o trabalho perseverante no bem geral.
Insatisfeito, embora resignado; firme na fé, não obstante angustiado; servindo a todos, mas sozinho em si mesmo, segue, estrada afora, impelido por ocultos e indescritíveis aguilhões...
Esse é o tipo de aprendiz que o amor do Cristo constrange, na feliz expressão de Paulo. Vergasta-o a luz celeste por dentro até que abandone as zonas inferiores em definitivo.
Para o mundo, será inadaptado e louco.
Para Jesus, é o vaso das bênçãos.
A flor é uma linda promessa, onde se encontre.
O fruto maduro, porém, é alimento para Hoje.
Felizes daqueles que espalham a esperança, mas bem-aventurados sejam os seguidores do Cristo que suam e padecem, dia a dia, para que seus irmãos se reconfortem e se alimentem no Senhor!
NOSSA REFLEXÃO
Eis o nosso futuro. Deixar-se iluminar pela Luz do Cristo. Mudança assim, podemos citar a de Paulo e de Maria de Magdala[1]. A nossa transformação ainda é lenta, mas acredito que constante. A instrução e o amor aos semelhantes, e, em particular, aos que nos são afins, no que diz respeito a Doutrina Espírita, é a força que nos fará, cada vez mais, aberto a Luz do Senhor. Há sempre luz no estudo e na comunhão com o próximo, pensando em transformação coletiva.
Devo depor minha experiência com o primeiro contato com o Espiritismo. Para mim, foi uma luz que me abriu as possibilidades de fé e trabalho. Foi uma adesão sem vacilação. Contudo, o processo de transformar a Luz do Conhecimento em Luz da Moral, devo confessar, não foi automático. Ainda está como a passos de tartaruga (ela não tem pressa...), mas sei que vou chegar lá.
Devemo-nos sentir gratificados por termos nos deixado iluminar pela Doutrina Espírita, pois tal qual o trabalhador da última hora, nos dispomos, agora, a servir numa seara de engrandecimento espiritual. Acreditemos, a hora chegou e tenhamos a certeza que seremos aproveitados naquilo que temos de aptidão, respeitado o nosso estágio evolutivo, para ajudar no trabalho do Mestre. Como disse Constantino, Espírito protetor:

Bons espíritas[2], meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade.[3]
Que tenhamos vontade, estudos e muito desejo de nos melhorar, nos deixando iluminar pelo Cristo. Deixemo-nos constranger...
Que Deus nos ajude.
Domício.

[1] Vide mensagem de Emmanuel e nossa reflexão, sobre a Madalena, no nosso blog “Caminho, Verdade e Vida”.
[2] Segundo Allan Kardec, “Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam” (In: O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, Item 4.
Para Paulo, o Apóstolo: “Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam” (In: O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XV, Item 10.
[3] In: O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX, Item 2.

domingo, 11 de novembro de 2018

ESTÍMULO FRATERNAL


73
ESTÍMULO FRATERNAL
O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.
Paulo (FILIPENSES, 4:19).
Não te julgues sozinho na luta purificadora, porque o Senhor suprirá todas as nossas necessidades.
Ergue teus olhos para o Alto e, de quando em quando, contempla a retaguarda.
Se te encontras em posição de servir, ajuda e segue.
Recorda o irmão que se demora sem recursos, no leito da indigência.
Pensa no companheiro que ouve o soluço dos filhinhos, sem possibilidades de enxugar-lhes o pranto.
Detém-te para ver o enfermo que as circunstâncias enxotaram do lar.
Para um momento, endereçando um olhar de simpatia à criancinha sem teto.
Medita na angústia dos desequilibrados mentais, confundidos no eclipse da razão.
Reflete nos aleijados que se algemam na imobilidade dolorosa.
Pensa nos corações maternos, torturados pela escassez de pão e harmonia no santuário doméstico.
Interrompe, de vez em quando, o passo apressado, a fim de auxiliares o cego que tateia nas sombras.
É possível, então, que a tua própria dor desapareça aos teus olhos.
Se tens braços para ajudar e cabeça habilitada a refletir no bem dos semelhantes, és realmente superior a um rei que possuísse um mundo de moedas preciosas, sem coragem de amparar a ninguém.
Quando conseguires superar as tuas aflições para criares a alegria dos outros, a felicidade alheia te buscará, onde estiveres, a fim de improvisar a tua ventura.
Que a enfermidade e a tristeza nunca te impeçam a jornada.
É preferível que a morte nos surpreenda em serviço, a esperarmos por ela numa poltrona de luxo.
Acende, meu irmão, nova chama de estímulo, no centro da tua alma, e segue além. Sê o anjo da fraternidade para os que te seguem dominados de aflição, ignorância e padecimento.
Quando plantares a alegria de viver nos corações que te cercam, em breve as flores e os frutos de tua sementeira te enriquecerão o caminho.
NOSSA REFLEXÃO
Somos todos necessitados e sofridos das mais diversas mazelas, mas há uma imensidade de irmãos em situações bem piores, doloridas e, até mesmo, desesperadora.
O Cristo nos ensinou que devemos olhar para os doentes (Mateus, 9:10 a 12)[1], e os pobres e estropiados do caminho (Lucas, 14:12 a 15)[2], pois Ele desceu para eles. Podemos nos incluir, dentre estes, e já nos incluímos, nas mais diversas encarnações já vividas; portanto, sabemos o significado de estar numa ou noutra condição. Dentre os doentes, o Cristo abrangeu aqueles do corpo e da alma e, dentre os pobres, abrangeu todo aquele que não tem condição de nos recompensar pelo bem recebido. Está aí a verdadeira caridade.
Então, quando nos sentirmos amargurados, aflitos ou deprimidos, lembremos daqueles que não têm a luz do Evangelho a lhes consolar. E quem é espírita, deve ter um maior comprometimento neste sentido, pois sua compreensão evangélica, que o Espiritismo dá, vai além dos ditados dos Evangelhos.
Que nossas preocupações e compromissos mais urgentes não nos sequem a vontade de olhar o que está a nossa volta. Como Emmanuel nos diz, nesta mensagem, ora refletida por nós: “Quando conseguires superar as tuas aflições para criares a alegria dos outros, a felicidade alheia te buscará, onde estiveres, a fim de improvisar a tua ventura. Que a enfermidade e a tristeza nunca te impeçam a jornada”.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide interpretação de Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIV, Item 12.
[2] Vide interpretação de Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII, Item 8.

domingo, 4 de novembro de 2018

INCOMPREENSÃO

72
INCOMPREENSÃO
Fiz-me fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.
Paulo (I CORÍNTIOS, 9:22).
A incompreensão, indiscutivelmente, é assim como a treva perante a luz, entretanto, se a vocação da claridade te assinala o íntimo, prossegue combatendo as sombras, nos menores recantos de teu caminho.
Não te esqueças, porém, da lei do auxílio e observa-lhe os princípios, antes da ação.
Descer para ajudar é a arte divina de quantos alcançaram conscienciosamente a vida mais alta.
A luz ofuscante produz a cegueira.
Se as estrelas da sabedoria e do amor te povoam o coração, não humilhes quem passa sob o nevoeiro da ignorância e da maldade.
Gradua as manifestações de ti mesmo para que o teu socorro não se faça destrutivo.
Se a chuva alagasse indefinidamente o deserto, a pretexto de saciar-lhe a sede, e se o Sol queimasse o lago, sem medida, com a desculpa de subtrair-lhe o barro úmido, nunca teríamos clima adequado à produção de utilidades para a vida.
Não te faças demasiado superior diante dos inferiores ou excessivamente forte perante os fracos.
Das escolas não se ausentam todos os aprendizes, habilitados em massa, e sim alguns poucos cada ano.
Toda mordomia reclama noção de responsabilidade, mas exige também o senso das proporções.
Conserva a energia construtiva do exemplo respeitável, mas não olvides que a ciência de ensinar só triunfa integralmente no orientador que sabe amparar, esperar e repetir.
Não clames, pois, contra a incompreensão, usando inquietude e desencanto, vinagre e fel.
Há méritos celestiais naquele que desce ao pântano sem contaminar-se, na tarefa de salvação e reajustamento.
O bolo de matéria densa reveste-se de Iodo, quando arremessado ao poço lamacento, todavia, o raio de luz visita as entranhas do abismo e dele se retira sem alterar-se.
Que seria de nós se Jesus não houvesse apagado a própria claridade fazendo-se à semelhança de nossa fraqueza, para que lhe testemunhássemos a missão redentora? Aprendamos com Ele a descer, auxiliando sem prejuízo de nós mesmos.
E, nesse sentido, não podemos esquecer a expressiva declaração de Paulo de Tarso quando afirma que, para a vitória do bem, se fez fraco para os fracos, fazendo-se tudo para todos, a fim de, por todos os meios, chegar a erguer alguns.
NOSSA REFLEXÃO
Esta mensagem de Emmanuel nos faz lembrar de nossa condição de educador e educando. Analisamos nossa conduta diante das incoerências e rebeldias de uns e das nossas ações/reações diante daqueles que, de alguma forma, exercem uma posição superior nas atividades profissionais ou de condutor de um processo ensino-aprendizagem em que somos aprendizes.
Então, pensando na condição de educador ou líder religioso, ou mesmo profissional, se alcançarmos uma posição de liderança, deveremos sempre estar dispostos na manutenção dos estímulos dos nossos liderados para que não caiam na tentação da fuga ao dever de transformar-se e, ao mesmo tempo, contribuir com o trabalho em andamento. Nesta condição, conforme Emmanuel, lembrando Paulo, na epístola aqui citada, devemos estar perto, sem demonstrar superioridade, ou perder a paciência, pois estaremos nos nivelando por baixo. Não devemos ter pressa com o crescimento de ninguém, e nem com o nosso também.
Portanto, pensando que estamos também aprendendo, faremos o nosso trabalho estimulando a todos a fazer o seu. Neste contexto, é muito oportuno o pensamento educativo desta mensagem, ora refletida: “Conserva a energia construtiva do exemplo respeitável, mas não olvides que a ciência de ensinar só triunfa integralmente no orientador que sabe amparar, esperar e repetir”. O Espírito François-Nicolas-Madeleine, Cardeal Morlot, nos ajuda a pensar, sobre isso, em sua instrução em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII, Item 9[1].
Mas, em primeiro lugar, espelhemo-nos no Cristo, pois Ele foi o maior exemplo da Luz que desceu ao pântano, sem se contaminar com o lodo.
E, para quem já leu as obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier (quem ainda não leu, deveria), ou de outros Espíritos, como Manoel Philomeno de Miranda, por Divaldo Franco, lembra como são as incursões dos bons Espíritos nas regiões mais tenebrosas do umbral. Para se fazerem visíveis, precisam diminuir suas vibrações, sem se deixarem influenciar pelas vibrações dos que lá permanecem. Orientam aos que estão em atividades de estágio, no plano espiritual, que se mantenham em sintonia com o Pai, pela oração.
Assim, deve ser toda a nossa trajetória de Espíritos imperfeitos, nesta atual e seguintes encarnações, até nos tornarmos Espíritos Puros. Auxiliando com humildade para sermos auxiliados do mesmo modo.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Assim como pergunta ao rico: “Que fizeste da riqueza que nas tuas mãos devera ser um manancial a espalhar a fecundidade ao teu derredor”, também Deus inquirirá daquele que disponha de alguma autoridade: “Que uso fizeste dessa autoridade? Que males evitaste? Que progresso facultaste?. Se te dei subordinados, não foi para que os fizesses escravos da tua vontade, nem instrumentos dóceis aos teus caprichos ou à tua cupidez; fiz-te forte e confiei-te os que eram fracos, para que os amparasses e ajudasses a subir ao meu seio”.

domingo, 28 de outubro de 2018

APROVEITA


71
APROVEITA
Se alguém diz: – ‘Eu amo a Deus’, e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama o seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?
I João (4:20.)
A vida é processo de crescimento da alma ao encontro da Grandeza divina.
Aproveita as lutas e dificuldades da senda para a expansão de ti mesmo, dilatando o teu círculo de relações e de ação.
Aprendamos para esclarecer.
Entesouremos para ajudar.
Engrandeçamo-nos para proteger.
Eduquemo-nos para servir.
Com o ato de fazer e dar alguma coisa, a alma se estende sempre mais além...
Guardando a bênção recebida para si somente, o espírito, muitas vezes, apenas se adorna, mas, espalhando a riqueza de que é portador, cresce constantemente.
Na prestação de serviço aos semelhantes, incorpora-se, naturalmente, ao coro das alegrias que provoca.
No ensinamento ao aprendiz, liga-se aos benefícios da lição.
Na criação das boas obras, no trabalho, na virtude ou na arte, vive no progresso, na santificação ou na beleza com que a experiência individual e coletiva se alarga e aperfeiçoa.
Na distribuição de pensamentos sadios e elevados, converte-se em fonte viva de graça e contentamento para todos.
No concurso espontâneo, dentro do ministério do bem, une-se à prosperidade comum.
Dá, pois, de ti mesmo, de tuas forças e recursos, agindo sem cessar, na instituição de valores novos, auxiliando os outros, a benefício de ti mesmo.
O mundo é caminho vasto de evolução e aprimoramento, onde transitam, ao teu lado, a ignorância e a fraqueza.
Aproveita a gloriosa oportunidade de expansão que a esfera física te confere e ajuda a quem passa, sem cogitar de pagamento de qualquer natureza.
O próximo é a nossa ponte de ligação com Deus.
Se buscas o Pai, ajuda ao teu irmão, amparando-vos reciprocamente, porque, segundo a palavra iluminada do evangelista, "se alguém diz: – Eu amo a Deus’, e aborrece o semelhante, é mentiroso, pois quem não ama o companheiro com quem convive, como pode amar a Deus, a quem ainda não conhece?".
NOSSA REFLEXÃO
A nossa experiência na Terra tem sido, nas múltiplas encarnações que já realizamos, um celeiro de bênçãos e aprendizagens, nos campos do intelecto e da moral. Temos aprendido mais no campo do intelecto. Todavia, já avançamos bastante no campo da moral.
Devemos seguir a adiante, nem que seja por milímetros a milímetros, em cada encarnação.
Como diz Emmanuel, nesta mensagem que refletimos agora: “O próximo é a nossa ponte de ligação com Deus”. Essa ponte tem sido percorrida com uma certa dificuldade ao longo dos milênios de nossas existências. Nela, temos sido convidados a desenvolver a paciência e a misericórdia. Virtudes que têm sido verdadeiros desafios.
Como dizem Allan Kardec e os Espíritos Superiores que colaboraram com a Codificação Espírita:
Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei de caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, conseguintemente, muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para nos porem à prova a paciência. Um Espírito Amigo[1]

Há, porém, duas maneiras bem diferentes de perdoar: uma, grande, nobre, verdadeiramente generosa, sem pensamento oculto, que evita, com delicadeza, ferir o amor-próprio e a suscetibilidade do adversário, ainda quando este último nenhuma justificativa possa ter; a segunda é a em que o ofendido, ou aquele que tal se julga, impõe ao outro condições humilhantes e lhe faz sentir o peso de um perdão que irrita, em vez de acalmar; se estende a mão ao ofensor, não o faz com benevolência, mas com ostentação, a fim de poder dizer a toda gente: vede como sou generoso! Nessas circunstâncias, é impossível uma reconciliação sincera de parte a parte. Não, não há aí generosidade; há apenas uma forma de satisfazer ao orgulho. Em toda contenda, aquele que se mostra mais conciliador, que demonstra mais desinteresse, caridade e verdadeira grandeza da alma granjeará sempre a simpatia das pessoas imparciais. Allan Kardec[2]

Então, temos um longo caminho a percorrer se quisermos ser chamados Filho do Homem (ou Homem de Bem[3]).
Nessa estrada ou nessa ponte deveremos amar a Deus, amando o nosso próximo.
Que Deus nos ajude.
Domício.

domingo, 21 de outubro de 2018

SOLIDÃO


70
SOLIDÃO
O presidente, porém, disse: – Mas, que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: – Seja crucificado (MATEUS, 27:23).
À medida que te elevas, monte acima, no desempenho do próprio dever, experimentas a solidão dos cimos e incomensurável tristeza te constringe a alma sensível.
Onde se encontram os que sorriram contigo no parque primaveril da primeira mocidade? Onde pousam os corações que te buscavam o aconchego nas horas de fantasia? Onde se acolhem quantos te partilhavam o pão e o sonho, nas aventuras ridentes do início?
Certo, ficaram...
Ficaram no vale, voejando em círculo estreito, à maneira das borboletas douradas, que se esfacelam ao primeiro contato da menor chama de luz que se lhes descortine à frente.
Em torno de ti, a claridade, mas também o silêncio...
Dentro de ti, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não seres compreendido...
Tua voz grita sem eco e o teu anseio se alonga em vão.
Entretanto, se realmente sobes, que ouvidos te poderiam escutar a grande distância e que coração faminto de calor do vale se abalançaria a entender, de pronto, os teus ideais de altura?
Choras, indagas e sofres...
Contudo, que espécie de renascimento não será doloroso?
A ave, para libertar-se, destrói o berço da casca em que se formou, e a semente, para produzir, sofre a dilaceração na cova desconhecida.
A solidão com o serviço aos semelhantes gera a grandeza.
A rocha que sustenta a planície costuma viver isolada e o Sol que alimenta o mundo inteiro brilha sozinho.
Não te canses de aprender a ciência da elevação.
Lembra-te do Senhor, que escalou o Calvário, de cruz aos ombros feridos. Ninguém o seguiu na morte afrontosa, à exceção de dois malfeitores, constrangidos à punição, em obediência à justiça.
Recorda-te dele e segue...
Não relaciones os bens que já espalhaste.
Confia no infinito Bem que te aguarda.
Não esperes pelos outros, na marcha de sacrifício e engrandecimento. E não olvides que, pelo ministério da redenção que exerceu para todas as criaturas, o divino Amigo dos Homens não somente viveu, lutou e sofreu sozinho, mas também foi perseguido e crucificado.
NOSSA REFLEXÃO
Não deve existir solidão maior que falar e não ser escutado. Faz parte do exercício de aprender e ensinar. Mas ela só será sofrida se não detemos a compreensão de que todos têm o seu momento de aprofundar seus entendimentos da vida. Nem todos possuem, num determinado tempo, a nossa compreensão, que é individual, mas pertencente a um coletivo específico, e que nem sempre está reunido, pois seus membros têm ocupações voltadas para terceiros, em lugares diferentes.
O Cristo viveu a solidão da companhia de seus beneficiados, em vários momentos de sua vida, neste planeta. Contudo, tinha sua mente ligada ao nosso Criador que nos enviou.
Não nos preocupemos em convencer. Lembremos de Jesus. Veio há 2000 anos, e, até hoje, quantos já O compreenderam? Ele não se preocupou em convencer, pois falou por parábolas, deixando suas explicações, para 1853 anos depois, com a vinda do Consolador que Ele prometeu – traduzido no Espiritismo.
Entendamos que a solidão do falar sem ser escutado é um exercício de paciência, indulgência e de respeito ao ritmo do semelhante. Lembremos que, também, nos fizemos de surdos em outros momentos, bem como agora, quando não damos valor às intuições de pessoas mais esclarecidas e até mesmo às inspirações do nosso Anjo da Guarda.
Mas Emmanuel fala de outra solidão que é a do ser se elevar, deixando para trás aqueles com quem conviveu na “infância”. Um afastamento natural, decorrente das mudanças de pensamentos e hábitos ou, mesmo, do comprometimento com tarefas de maior responsabilidade. Se a tarefa é visando o bem comum, que pode ser sacrificial, com possibilidades de sofrimento carnal, com certeza a solidão ocorrerá, mas será sofrível, isto, é, passageira.
Todavia, a solidão buscada pelo sentimento de superioridade deve ser evitada, pois isto denota egoísmo. Ninguém se torna superior se afastando dos que se atrasam em sua evolução. Pelo contrário, devemos nos lembrar do Mito da Caverna, de Platão, e voltar para resgatar os que ficaram para trás. Como nos diz Um Espírito Protetor[1]:

A perfeição está toda, como disse o Cristo, na prática da caridade absoluta; os deveres da caridade alcançam todas as posições sociais, desde o menor até o maior. Nenhuma caridade teria a praticar o homem que vivesse insulado. Unicamente no contato com os seus semelhantes, nas lutas mais árduas é que ele encontra ensejo de praticá-la. Aquele, pois, que se isola priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se; não tendo de pensar senão em si, sua vida é a de um egoísta.
Então, nos elevemos com compreensão de que a elevação pode nos trazer a solidão dos que não nos acompanham. Contudo, o motivo de elevar-se deve ser sempre o de estar disponível a quem deseja fazer o mesmo.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, Item 10.

domingo, 14 de outubro de 2018

FIRMEZA E CONSTÂNCIA


69
FIRMEZA E CONSTÂNCIA
Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.
Paulo (I CORÍNTIOS, 15:58).
Muita gente acredita que abraçar a fé será confiar-se ao êxtase improdutivo. A pretexto de garantir a iluminação da alma, muitos corações fogem à luta, trancando-se entre as quatro paredes do santuário doméstico, entre vigílias de adoração e pensamentos profundos acerca dos mistérios divinos, esquecendo-se de que todo o conjunto da vida é Criação Universal de Deus.
Fé representa visão.
Visão, é conhecimento e capacidade de auxiliar.
Quem penetrou a "terra espiritual da verdade", encontrou o trabalho por graça maior.
O Senhor e os discípulos não viveram apenas na contemplação.
Oravam, sim, porque ninguém pode sustentar-se sem o banho interior de silêncio, restaurando as próprias forças nas correntes superiores de energia sublime que fluem dos Mananciais Celestes.
A prece e a reflexão constituem o lubrificante sutil em nossa máquina de experiências cotidianas.
Importa reconhecer, porém, que o Mestre e os aprendizes lutaram, serviram e sofreram na lavoura ativa do bem e que o Evangelho estabelece incessante trabalho para quantos lhe esposam os princípios salvadores.
Aceitar o Cristianismo é renovar-se para as Alturas e só o clima do serviço consegue reestruturar o espírito e santificar-lhe o destino.
Paulo de Tarso, invariavelmente peremptório nas advertências e avisos, escrevendo aos coríntios, encareceu a necessidade de nossa firmeza e constância nas tarefas de elevação, para que sejamos abundantes em ações nobres com o Senhor.
Agir ajudando, criar alegria, concórdia e esperanças, abrir novos horizontes ao conhecimento superior e melhorar a vida, onde estivermos, é o apostolado de quantos se devotaram à Boa-Nova.
Procuremos as águas vivas da prece para lenir o coração, mas não nos esqueçamos de acionar os nossos sentimentos, raciocínios e braços, no progresso e aperfeiçoamento de nós mesmos, de todos e de tudo, compreendendo que Jesus reclama obreiros diligentes para a edificação de seu Reino em toda a Terra.
NOSSA REFLEXÃO
Nesta mensagem de Emmanuel, que se reporta à Paulo, numa Carta aos coríntios, traz um banho de energia a todos e todas que estão engajados(as), de modo coletivo ou “individual” (nunca estamos sozinho). Ela nos reporta, também, à outra mensagem, do Espírito Hilário Silva, psicografada por Chico Xavier e publicada no livro “O Espírito da Verdade”[1] (FEB), referindo-se a labuta incansável, mas sofrida, de A. Kardec, em que ele recebe uma carta de uma pessoa que quase se suicidava se não encontrasse O Livro dos Espíritos, próximo ao local onde iria cometer o suicídio. Foi um banho de renovação em nosso Codificador.
Quando Emmanuel encontrou-se pela primeira vez com Chico Xavier, foi logo anunciando centenas de obras psicografadas e informando ao médium que ele precisaria tão somente de muita disciplina.
Tudo isto nos faz entender que nenhum trabalho no bem se constitui apenas em prazer (em verdade, tudo que nos faz bem nos dá prazer), pois há os percalços que se constituem em momentos de aprendizagens, de exercício da fé e da perseverança.
Contudo, temos sempre, nos trabalhos de estudos, reflexão e caridade, a companhia de amigos superiores a nós, no plano espiritual, que velam pelo nosso sucesso, nos inspirando, nos dando energias que servem como bálsamo na hora do desânimo e da vacilação da fé[2].
Que sejamos, assim, firmes e constantes nos propósitos do bem.
Que Deus, o Cristo e nossos mentores espirituais nos ajudem.
Domício.



[1][1] Vide nossa reflexão sobre essa mensagem no nosso blog O Espírito da Verdade.
[2] Vide, sobre isso, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXV, Item 2.