domingo, 28 de julho de 2019

UM POUCO DE FERMENTO


108
UM POUCO DE FERMENTO
Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?
Paulo (I Coríntios, 5: 6).
Ninguém vive só.
Nossa alma é sempre núcleo de influência para os demais.
Nossos atos possuem linguagem positiva.
Nossas palavras atuam a distância.
Achamo-nos magneticamente associados uns aos outros.
Ações e reações caracterizam-nos a marcha.
É preciso saber, portanto, que espécie de forças projetamos naqueles que nos cercam.
Nossa conduta é um livro aberto.
Quantos de nossos gestos insignificantes alcançam o próximo, gerando inesperadas resoluções!
Quantas frases, aparentemente inexpressivas, arrojadas de nossa boca, estabelecem grandes acontecimentos!
Cada dia, emitimos sugestões para o bem ou para o mal...
Dirigentes arrastam dirigidos.
Servos inspiram administradores.
Qual é o caminho que a nossa atitude está indicando?
Um pouco de fermento leveda a massa toda.
Não dispomos de recursos para analisar a extensão de nossa influência, mas podemos examinar-lhe a qualidade essencial.
Acautela-te, pois, com o alimento invisível que forneces às vidas que te rodeiam.
Desdobra-se-nos o destino em correntes de fluxo e refluxo. As forças que hoje se exteriorizam de nossa atividade voltarão ao centro de nossa atividade, amanhã.
NOSSA REFLEXÃO
Emmanuel, nessa mensagem, nos leva à reflexão sobre a nossa participação no conjunto da obra de evolução da humanidade, e, em particular, em relação à nossa evolução e aos dos que sofrem nossa influência, diuturnamente.
Somos influenciados e influenciadores. Influenciamos os Espíritos desencarnados e somos influenciados por eles, “muito mais do que [...][1] imaginamos. Também, no plano físico, influenciamos e somos influenciados por muitos, sem precisar estarmos convivendo o mesmo espaço físico, seja pelo pensamento, seja por uma veiculação dessa, via postagem em uma rede social.
Portanto, devemos ter o cuidado de sermos um levedo positivo, equilibrado e esclarecedor. Devemos pensar um pouco mais do que de costume, antes de responder a uma provocação, seja positiva ou destrutiva. Caso sentirmos, às vezes nem é, que seja destrutiva, devemos nos manter desembainhado, pois

Enquanto nos demoramos na fortaleza defensiva, o adversário cogita de enriquecer as munições, mas se descemos à praça, desassombrados e serenos, mostrando novas disposições na luta, a ideia de acordo substitui, dentro de nós e em torno de nossos passos, a escura fermentação da guerra. (EMMANUEL)[2]

Quanto ao nosso cotidiano de relação com os nossos semelhantes, que tenham um pensar diferente do nosso, sobre a vida e a morte, justiça social ou penal, liberdade democrática ou não, entre outros aspectos da vida em sociedade, acadêmica, profissional ou religiosa, Um Espírito Protetor nos aconselha:

Sois chamados a estar em contato com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos: não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes. Sede joviais, sede ditosos, mas seja a vossa jovialidade a que provém de uma consciência limpa, seja a vossa ventura a do herdeiro do Céu que conta os dias que faltam para entrar na posse da sua herança[3].

Que tenhamos a vigilância necessária para não cairmos em tentação.
Que Deus nos ajude, hoje e sempre.
Domício.



[1] Questão nº 459 de O Livro dos Espíritos. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos? “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem”.
[2] Vide mensagem na íntegra e nossa reflexão, em: Renasce agora.
[3] Vide mensagem na íntegra, em: O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 17, Item 10.

domingo, 21 de julho de 2019

RENOVEMO-NOS DIA A DIA


107
RENOVEMO-NOS DIA A DIA
Transformai-vos pela renovação de vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Paulo (Romanos, 12 :2).
Não adianta a transformação aparente da nossa personalidade na feição exterior.
Mais títulos, mais recursos financeiros, mais possibilidades de conforto e maiores considerações sociais podem ser simples agravo de responsabilidade.
Renovemo-nos por dentro.
É preciso avançar no conhecimento superior, ainda mesmo que a marcha nos custe suor e lágrimas.
Aceitar os problemas do mundo e superá-los, à força de nosso trabalho e de nossa serenidade, é a fórmula justa de aquisição do discernimento.
Dor e sacrifício, aflição e amargura, são processos de sublimação que o Mundo Maior nos oferece, a fim de que a nossa visão espiritual seja acrescentada.
Facilidades materiais costumam estagnar-nos a mente, quando não sabemos vencer os perigos fascinantes das vantagens terrestres.
Renovemos nossa alma, dia a dia, estudando as lições dos vanguardeiros do progresso e vivendo a nossa existência sob a inspiração do serviço incessante.
Apliquemo-nos à construção da vida equilibrada, onde estivermos, mas não nos esqueçamos de que somente pela execução de nossos deveres, na concretização do bem, alcançaremos a compreensão da vida, e, com ela, o conhecimento da "perfeita vontade de Deus", a nosso respeito.
NOSSA REFLEXÃO
Estamos no mundo pra nos lapidar como Espírito. Somos fadados a Perfeição, relativa. Para isso, precisamos estar conscientes de que se faz necessário muito sacrifício e renúncia de nós mesmos. Como diz Emmanuel, nessa mensagem:

Aceitar os problemas do mundo e superá-los, à força de nosso trabalho e de nossa serenidade, é a fórmula justa de aquisição do discernimento. Dor e sacrifício, aflição e amargura, são processos de sublimação que o Mundo Maior nos oferece, a fim de que a nossa visão espiritual seja acrescentada.
Precisamos nos desvincular de nossos caprichos e pensar na vida futura. O Cristo foi bem afirmativo, quando nos disse que seu Reino não era deste mundo (João, 18:33, 36 e 37). Conforme Allan Kardec, a respeito desse dizer do Cristo:

Por essas palavras, Jesus claramente se refere à vida futura, que Ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta que a Humanidade irá ter e como devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na Terra. Todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, nenhuma razão de ser teria a maior parte dos seus preceitos morais, donde vem que os que não creem na vida futura, imaginando que Ele apenas falava na vida presente, não os compreendem, ou os consideram pueris.[1]
Desta forma, é importante frisar que muitos ainda não compreendem essa máxima de Jesus Cristo. A decorrência disso é que, chegando ao plano espiritual, depois da morte física, a alma, recém libertada do corpo físico, pode se deparar com uma situação incompreensível, angustiando-se. Essa angústia, que pode ser sofredora, não é nenhum demérito para uma alma recentemente desencarnada. Por que a vida continua. E não é um erro pecaminoso, no que tange à evolução espiritual, pensar que só vivemos, num corpo físico, apenas uma vez. Pois, pensando a Doutrina Cristã, a partir da concepção de uma única vida, não desvirtua, moralmente, ninguém. Isto se dá, porque conforme Allan Kardec, a partir de seus achados no seu trabalho de codificação da Doutrina Espírita: Fora da Caridade não Salvação. Isto é, não é a Religião que liberta, ou, como muitos possam querer dizer, salva.
Então, precisamos conhecer a vontade de Deus, e isto só é possível pela nossa renovação, conforme Emmanuel nos diz.
Esse pensamento é coerente com o ensinamento dos Espíritos Superiores a respeito da nossa possibilidade de ver a Deus. Eles nos esclareceram que isso só é possível quando atingimos o estado de pureza espiritual. Por enquanto, nós só o sentimos ou o advinhamos.[2]
Então, devemos, diuturnamente, além de nos informar sobre a Doutrina de Jesus, seja pela Doutrina Espírita ou outra Religião[3], nos renovar espiritualmente através de nossa reforma íntima. Só conhecer a Doutrina Cristã, não é suficiente para nos tornar melhor ou, mesmo, nos considerar totalmente convertido a ela. Emmanuel nos lembra, como foi a conversão de Pedro, apesar de ter convivido com o Cristo e presenciado as maravilhas de sua grandeza espiritual.[4]
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide, na íntegra, a dissertação de Allan Kardec sobre essa passagem evangélica em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. II, Item 2.
[2] O Livro dos Espíritos, Questão nº 244. Os Espíritos veem a Deus? “Só os Espíritos superiores o veem e compreendem. Os inferiores o sentem e adivinham”.
[3] “Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam. – Paulo, o apóstolo. (Paris, 1860). (In: O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XV, Item 10).
[4] Vide mensagem de Emmanuel, intitulada “Conversão” In “Caminho, Verdade e Vida (FEB).

domingo, 14 de julho de 2019

SIRVAMOS AO BEM


106
SIRVAMOS AO BEM
A luz resplandece nas trevas.
João (1:5).
Não te aflijas porque estejas aparentemente só no serviço do bem.
Jesus era sozinho, antes de reunir os companheiros para o serviço apostólico. Sozinho, à frente do mundo vasto, à maneira de um lavrador, sem instrumentos de trabalho, diante da selva imensa...
Nem por isso o Cristianismo deixou de surgir por templo vivo do amor, ainda hoje em construção na Terra, para a felicidade humana.
Jesus, porém, não obstante conhecer a força da verdade que trazia consigo, não se prevaleceu da sua superioridade para humilhar ou ferir.
Acima de todas as preocupações, buscou invariavelmente o bem, através de todas as situações e em todas as criaturas.
Não perdeu tempo em reprovações descabidas.
Não se confiou a polêmicas inúteis.
Instituiu o reinado salvador de que se fizera mensageiro, servindo e amando, ajudando sempre e alicerçando cada ensinamento com a sua própria exemplificação.
Continuemos, pois, em nossa marcha regenerativa para a frente, ainda mesmo quando nos sintamos a sós.
Sirvamos ao bem, acima de tudo, entretanto, evitemos discussões e agitações em que o mal possa expandir-se.
Foge a sombra ao fulgor da luz.
Não nos esqueçamos de que milhares de quilômetros de treva, no seio da noite, não conseguem apagar alguns milímetros da chama brilhante de uma vela, contudo, basta um leve sopro de vento para extingui-la.
NOSSA REFLEXÃO
A solidão pacífica ou solidária nos traz muitos bens espirituais. Mesmo estando sozinhos na multidão, ainda podemos espargir, pequenos fachos de luz, ao modo do vaga-lume. Desta forma, contribuímos para a paz dos outros. Isto não significa ficar calado às injustiças que podem ocorrer onde estamos. Não podemos é deixar apagar a luz da compreensão, da fé em Deus e perder a paciência.
Em se tratando da seara cristã, e, no nosso caso, espírita, devemos evitar contendas e preciosismos particulares. O nosso Eu[1] não deve prevalecer, a não ser que, o que defendemos, sem vaidades, seja de entendimento da maioria. Sobre isso, o Espírito de Verdade nos deixou o seguinte ensinamento:

Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado”.[2]

Desse modo, que possamos, e consigamos, seguir em frente, servindo ao Bem, com espírito de boa vontade e disposição para aprender, cada vez mais, com os outros, estando sempre sintonizados com os mentores do Bem, que se encontram entre nós, onde estivermos.
Que Deus nos ajude a não deixarmos o “homem velho” nos vencer.
Domício.


[1] Vide Mensagem de Emmanuel (nº 101 – A Cortina do “Eu”), neste blog.

domingo, 7 de julho de 2019

SOIS A LUZ


105
SOIS A LUZ
Vós sois a luz do mundo.
Jesus (Mateus, 5:14).
Quando o Cristo designou os seus discípulos, como sendo a luz do mundo, assinalou-lhes tremenda responsabilidade na Terra.
A missão da luz é clarear caminhos, varrer sombras e salvar vidas, missão essa que se desenvolve, invariavelmente, à custa do combustível que lhe serve de base.
A chama da candeia gasta o óleo do pavio.
A iluminação elétrica consome a força da usina.
E a claridade, seja do Sol ou do candelabro, é sempre mensagem de segurança e discernimento, reconforto e alegria, tranquilizando aqueles em torno dos quais resplandece.
Se nos compenetramos, pois, da lição do Cristo, interessados em acompanhá-lo, é indispensável a nossa disposição de doar as nossas forças na atividade incessante do bem, para que a Boa-Nova brilhe na senda de redenção para todos.
Cristão sem espírito de sacrifício é lâmpada morta no santuário do Evangelho.
Busquemos o Senhor, oferecendo aos outros o melhor de nós mesmos.
Sigamo-lo, auxiliando indistintamente.
Não nos detenhamos em conflitos ou perquirições sem proveito.
"Vós sois a luz do mundo" – exortou-nos o Mestre –, e a luz não argumenta, mas sim esclarece e socorre, ajuda e ilumina.
NOSSA REFLEXÃO
Iluminar o mundo, pelas claridades evangélicas, como nos diz Emmanuel, nesta mensagem, é a maior responsabilidade dada a todo aquele ou aquela que se dispõe a seguir o Mestre, com vista a sua própria iluminação.
Temos um combustível mínimo para começar esse serviço. Fomos criados simples e ignorantes, mas fadados a pureza espiritual[1]. À medida que gastamos nosso combustível, traduzido em nossa boa vontade de aprender e na alegria de transmitir esse aprendizado aos nossos semelhantes, sem espírito de vanglória, nós recebemos mais combustível, pois, moralmente, quem tem recebe mais[2]. A moral equilibrada é a única riqueza que aumenta quando é distribuída.
É verdade que essa alegria é precedida, muitas vezes, pela tristeza da incompreensão, da ingratidão, como também pela renúncia de bens materiais e sociais[3].
Que tenhamos fé na vida futura, pois descemos, novamente, a esse vale de lágrimas, chamado Terra, para voltarmos ao Pai, como nos fala a Parábola do Filho Pródigo. Como foi alegre a volta daquele filho... Tanto para ele, como para o seu Pai.
Que a alegria seja uma constante em nossas vidas, apesar das dificuldades e mazelas que poderemos ainda passar até voltar ao Reino de Deus.
Que Deus, o Mestre Jesus, nosso Anjo Guardião e amigos espirituais nos ajudem.
Domício.


[1] “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada. Outros, só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade”. Respostas dos Espíritos Superiores à questão de nº 115, feita por Allan Kardec e grafada no O Livro dos Espíritos.
[2] “Pois àquele que tem lhe será dado, e terá com abundância; mas àquele que não tem até o que tem será tirado dele (Mateus, 13: 12) (O Novo Testamento – Haroldo Dutra Dias (FEB)). Vide explicação desse versículo, por Allan Kardec, no Item 15 do Cap. XVIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
[3] Vide o que Emmanuel nos fala sobre isso na mensagem “Alegria Cristã”, parte do livro “Caminho,Verdade e Vida” (Psicografado por Chico Xavier).

domingo, 30 de junho de 2019

DIANTE DA MULTIDÃO


104
DIANTE DA MULTIDÃO
E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte.
Mateus (5:1).
O procedimento dos homens cultos para com o povo experimentará elevação crescente à medida que o Evangelho se estenda nos corações.
Infelizmente, até agora, raramente a multidão tem encontrado, por parte das grandes personalidades humanas, o tratamento a que faz jus.
Muitos sobem ao monte da autoridade e da fortuna, da inteligência e do poder, mas simplesmente para humilhá-la ou esquecê-la depois.
Sacerdotes inúmeros enriquecem-se de saber e buscam subjugá-la a seu talante.
Políticos astuciosos exploram-lhe as paixões em proveito próprio.
Tiranos disfarçados em condutores envenenam-lhe a alma e arrojam-na ao despenhadeiro da destruição, à maneira dos algozes de rebanho que apartam as reses para o matadouro.
Juízes menos preparados para a dignidade das funções que exercem, confundem-lhe o raciocínio.
Administradores menos escrupulosos arregimentam-lhe as expressões numéricas para a criação de efeitos contrários ao progresso.
Em todos os tempos, vemos o trabalho dos legítimos missionários do bem prejudicado pela ignorância que estabelece perturbações e espantalhos para a massa popular.
Entretanto, para a comunidade dos aprendizes do Evangelho, em qualquer clima da fé, o padrão de Jesus brilha soberano.
Vendo a multidão, o Mestre sobe a um monte e começa a ensinar...
É imprescindível empenhar as nossas energias, a serviço da educação.
Ajudemos o povo a pensar, a crescer e a aprimorar-se.
Auxiliar a todos para que todos se beneficiem e se elevem, tanto quanto nós desejamos melhoria e prosperidade para nós mesmos, constitui para nós a felicidade real e indiscutível.
Ao leste e ao oeste, ao norte e ao sul da nossa individualidade, movimentam-se milhares de criaturas, em posição inferior à nossa.
Estendamos os braços, alonguemos o coração e irradiemos entendimento, fraternidade e simpatia, ajudando-as sem condições.
Quando o cristão pronuncia as sagradas palavras "Pai Nosso", está reconhecendo não somente a Paternidade de Deus, mas aceitando também por sua família a humanidade inteira.
NOSSA REFLEXÃO
Há uma ilusão dos que pouco estudam e mais se apoiam naqueles que lhe guardam sintonia (se encontrando num status de poder) não demora a se desintegrar. Muitos, iludidos, apoiam aqueles que lhes são alvos de admiração e lhes prometem a manutenção de um estado de vantagens em relação à posição social que ocupam ou podem vir a ocupar.
Não demora muito e os heróis começam a mostrar-se como são, decepcionando e escravizando, ao tirar proveitos da condição em que foram lançados pelos seus admiradores.
Emmanuel, em outra obra, de seu pentateuco, nos lembra que:

Os fazedores de revoluções e os donos de projetos absurdos prometem maravilhas. Mas, se são vítimas da ambição, servos de propósitos inferiores, escravos de terríveis enganos, como poderão realizar para os outros a liberdade ou a elevação de que se conservam distantes? Não creias em salvadores que não demonstrem ações que confirmem a salvação de si mesmos.[1]

Em verdade, precisamos, num sentimento de altruísmo, lembrar de nossa participação na emancipação, tanto nossa quanto dos demais que são nossos patrícios ou mesmo habitantes desse planeta. Afinal, o Cristo precisa de todos para a evolução de todos.
Não sejamos tais quais foram, e são, os falsos profetas, pois aproveitam sua inteligência desenvolvida, além de uma boa eloquência, para enganar os que não estudam (e às vezes nem têm condições, materiais ou de tempo, para isto). O Cristo nos alertou sobre isso, quando nos advertiu:

Tende cuidado para que alguém não vos seduza; porque muitos virão em meu nome, dizendo: “Eu sou o Cristo”, e seduzirão a muitos. [...] Então, se alguém vos disser: “O Cristo está aqui, ou está ali”, não acrediteis absolutamente; porquanto falsos cristos e falsos profetas se levantarão e farão grandes prodígios e coisas de espantar, ao ponto de seduzirem, se fosse possível, os próprios escolhidos. (Mateus, 24:4, 5, 11 a 13, 23 e 24; Marcos, 13:5, 6, 21 e 22.)[2].

Emmanuel, nesta mensagem, ora refletida, também nos adverte quanto à nossa condição espiritual em relação a muitos que depende de nós, para que não nos tornemos falsos profetas:
É imprescindível empenhar as nossas energias, a serviço da educação. Ajudemos o povo a pensar, a crescer e a aprimorar-se. Auxiliar a todos para que todos se beneficiem e se elevem, tanto quanto nós desejamos melhoria e prosperidade para nós mesmos, constitui para nós a felicidade real e indiscutível.

Então, abracemos a causa do Cristo em nossos projetos, no nosso dia a dia, pois podemos muito fazer pelos nossos irmãos quando estamos cuidando de nossas atividades familiares, intelectuais, profissionais e religiosas.
Que Deus nos ajude a não esquecer disto.
Domício.


[1] Vide mensagem, na íntegra, em Caminho, Verdade e Vida.
[2] Vide interpretação de Allan Kardec e dos Espíritos Superiores em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXI.

domingo, 23 de junho de 2019

ESPERAR E ALCANÇAR


103
ESPERAR E ALCANÇAR
E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa.
Paulo (Hebreus, 6:15).
A esperança de atingir a paz divina, com felicidade inalterável, vibra em todas as criaturas.
O anseio dos patriarcas da antiguidade é análogo ao dos homens modernos.
O lar coroado de bênçãos.
O dever bem cumprido.
A consciência edificada.
O ideal superior convenientemente atendido.
O trabalho vitorioso.
A colheita feliz.
As aspirações da alma são sempre as mesmas em toda parte.
Contudo, esperar significa persistir sem cansaço, e alcançar expressa triunfar definitivamente.
Entre o objetivo e a meta, faz-se imperativo o esforço constante e inadiável.
Esperança não é inação.
E paciência traduz obstinação pacífica na obra que nos propomos realizar.
Se pretendes materializar os teus propósitos com o Cristo, guarda a fórmula da paciência como a única porta aberta para a vitória.
Há sofrimento em teus sonhos torturados? Incompreensão de muitos em derredor de teus desejos? A ingratidão e a dor te visitam o espírito?
Não chores perdendo os minutos, nem maldigas a dificuldade.
Aguarda as surpresas do tempo, agindo sem precipitação.
Se cada noite é nova sombra, cada dia é nova luz.
Lembra-te de que nem todas as águas se acham no mesmo nível e nem todas as árvores são iguais no tamanho, no crescimento ou na espécie.
Recorda as palavras do Apóstolo dos gentios.
Esperando com paciência, alcançaremos a promessa.
Não te esqueças de que o êxito seguro não é de quem o assalta, mas sim daquele que sabe agir, perseverar e esperar por ele.
NOSSA REFLEXÃO
Nós adquirimos dons, que Deus nos dá, ao longo de nossa vida milenar, ao nos propiciar experiências que nos ajudam a compreender a natureza, a necessidade da vida em sociedade. Nós temos que estar abertos a receber esses dons, pois segundo o Espírito Emmanuel,
[...] somos compelidos a reconhecer que, na própria aquisição de títulos profissionais, o homem é o filho que se esforça, durante alguns anos, para que o Pai lhe confira um certificado de competência, através dos professores humanos[1].

Desse modo, temos que ter paciência e perseverança se quisermos alcançar os nossos sonhos, pois não depende só de nós realizá-los. A nossa parte deve ser realizada com compromisso e zelo, com a compreensão de que nada se faz sem aprender alguma coisa além daquilo que estamos a buscar. Bater à porta, demanda girar a chave até que ela fique livre para, então, empurramos e poder transpassá-la. Esse movimento de girar a chave pode ser compreendido, espiritualmente, como o momento de espera e paciência, pois nem toda fechadura se encontra fácil de manejá-la. Então, mesmo estando com a chave nas mãos, nem sempre significa abertura da porta, facilmente. O certo é que se temos méritos, a porta a que batemos será aberta, pois, de acordo com Mateus (7: 7 a 11),

Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á. Qual o homem, dentre vós, que dá uma pedra ao filho que lhe pede pão? – Ou, se pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? – Ora, se, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, não é lógico que, com mais forte razão, vosso Pai que está nos céus dê os bens verdadeiros aos que lhos pedirem?
Nesse tocante, A. Kardec faz-nos a seguinte dissertação:

Na infância da Humanidade, o homem só aplica a inteligência à cata do alimento, dos meios de se preservar das intempéries e de se defender dos seus inimigos. Deus, porém, lhe deu, a mais do que outorgou ao animal, o desejo incessante do melhor, e é esse desejo que o impele à pesquisa dos meios de melhorar a sua posição, que o leva às descobertas, às invenções, ao aperfeiçoamento da Ciência, porquanto é a Ciência que lhe proporciona o que lhe falta. Pelas suas pesquisas, a inteligência se lhe engrandece, o moral se lhe depura. Às necessidades do corpo sucedem as do espírito: depois do alimento material, precisa ele do alimento espiritual. É assim que o homem passa da selvageria à civilização[2].

Isso corrobora a necessidade de reencarnarmos para continuar o trabalho e o aprendizado iniciados em vida passada e progredirmos, assim, intelectualmente e moralmente.
Então, entendamos que, nas atribulações da vida, os percalços do dia a dia, que dificultam a realização de uma meta sonhada, são oportunidades de evolução. Se esperarmos com paciência, certamente alcançaremos nossos sonhos, e, de quebra, evoluiremos intelecto e moralmente.
Que Deus nos ajude.
Domício.

PS:. Compartilho uma poesia de L. Angel que traduz a maneira de resolver os problemas que nos apresentam, quando estamos querendo avançar em uma meta tão desejada.

É PRECISO TER ARTE
L. ANGEL     19/01/2017
Viajando para um destino
Sem saber o que me espera.
Não sei se é um desatino.
Talvez seja algo que oblitera.
Os problemas são diversos.
Correm todos paralelos.
Existem os que geram versos.
E outros que demoram no prelo.
Mas se problemas existem, devem ser resolvidos.
Contudo, tem que ser por parte.
É preciso ter arte.
Cada um a ser vivido,
Pede muito do resolvedor:
Trabalho, tolerância e amor.


[1] EMMANUEL (Espírito). Caminho,Verdade e Vida (Psicografia de Francisco Cândido Xavier). 28ª ed. 2ª reimpressão. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2009.