domingo, 15 de março de 2020

O JUSTO REMÉDIO


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O JUSTO REMÉDIO
Quanto, porém, à caridade fraternal, não necessitais que vos escreva, porque já vós mesmos estais instruídos por Deus a que vos ameis uns aos outros.
Paulo (I Tessalonicenses, 4:9).
Em sua missão de Consolador, recebe o Espiritismo milhares de consultas partidas de almas ansiosas, que imploram socorro e solução para diversos problemas.
Aqui, é um pai que não compreende e confia-se a sistemas cruéis de educação.
Ali, é um filho rebelde e ingrato, que foge à beleza do entendimento.
Acolá, é um amigo fascinado pelas aparências do mundo, e que abandona os compromissos com o ideal superior.
Além, é um irmão que se nega ao concurso fraterno.
Noutra parte, é o cônjuge que deserta do lar.
Mais adiante, é o chefe de serviço, insensível e contundente.
Contudo, o remédio para a extinção desses velhos enigmas das relações humanas está indicado, há séculos, nos ensinamentos da Boa Nova.
A caridade fraternal é a chave de todas as portas para a boa compreensão.
O discípulo do Evangelho é alguém que foi admitido à presença do Divino Mestre para servir.
A recompensa de semelhante trabalhador, efetivamente, não pode ser aguardada no imediatismo da Terra.
Como colocar o fruto na fronde verde da plantinha nascente?
Como arrancar a obra-prima do mármore com o primeiro golpe do cinzel?
Quem realmente ama, em nome de Jesus, está semeando para a colheita na Eternidade.
Não procuremos orientação com os outros para assuntos claramente solucionáveis por nosso esforço.
Sabemos que não adianta desesperar ou amaldiçoar...
Cada espírito possui o roteiro que lhe é próprio.
Saibamos caminhar, portanto, na senda que a vida nos oferece, sob a luz da caridade fraternal, hoje e sempre.
NOSSA REFLEXÃO
Paulo, escrevendo aos Tessalonicenses, enfatiza, sobre a caridade fraternal, que seria desnecessário replicar o que o Mestre já havia ensinado, quando, na última ceia, anunciou um novo mandamento: “Um novo mandamento vos dou: ‘que vos ameis uns aos outros’; assim como vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (João, 13:34). Mais tarde, com a 3ª Revelação – O Espiritismo, Ele, se identificando como o Espírito de Verdade, ampliou esse ensinamento: “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram”[1].
Paulo, retorna, também, compondo a equipe da codificação espírita, para enfatizar o que Allan Kardec tão bem explicou sobre o Maior Mandamento (Mateus, 22:34 a 40) concluindo, em sua dissertação, que: “Fora da Caridade não há Salvação”[2]. Nesse contexto, Paulo nos aponta que “[...] o verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, pois todos aqueles que praticam a caridade são discípulos de Jesus, qualquer que seja o culto a que pertençam”[3].
A caridade fraternal, como o Espírito Emmanuel nos assinala, nesta mensagem, ora refletida, “[...] é a chave de todas as portas para a boa compreensão”. A boa convivência entre semelhantes é um princípio a ser adotado em todas os níveis de relação, seja no lar, no trabalho ou no passeio. Isto nos aponta para a relação entre pais e filhos[4], superiores e inferiores no trabalho[5], bem como nas atividades comerciais, de estudos e de entretenimento[6].
Emmanuel, também, nos lembra, que nada que façamos por nós ou pelo semelhante implica em recompensas imediatas na presente vida. Isto é coerente com o ponto de vista da vida futura que Allan Kardec tão bem explana em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. II – Meu reino não é deste mundo).
Deste modo, temos um roteiro para sermos felizes, mesmo que no caminho encontremos espinhos ou mesmo muitas flores. Como estamos ainda em um mundo de Provas e Expiação, é mais provável que encontremos mais espinho que flores, mas tudo é válido para nos aperfeiçoarmos.
Que Deus nos ajude.
Domício.

[4] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIV (Honrar vosso Pai e vossa Mãe).
[5] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII (Sede Perfeitos).
[6] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII (Sede Perfeitos).

domingo, 8 de março de 2020

ATENDAMOS AO BEM


137
ATENDAMOS AO BEM
Em verdade vos digo que quantas vezes o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.
Jesus (Mateus, 25:40).
Não só pelas palavras, que podem simbolizar folhas brilhantes sobre um tronco estéril.
Não só pelo ato de crer. que, por vezes, não passa de êxtase inoperante.
Não só pelos títulos, que, em muitas ocasiões, constituem possibilidades de acesso aos abusos.
Não só pelas afirmações de fé, porque, em muitos casos, as frases sonoras são gritos da alma vazia.
Não nos esqueçamos do "fazer".
A ligação com o Cristo, a comunhão com a Divina Luz, não dependem do modo de interpretar as revelações do Céu.
Em todas as circunstâncias do seu apostolado de amor, Jesus procurou buscar a atenção das criaturas, não para a forma do pensamento religioso, mas para a bondade humana.
A Boa Nova não prometia a paz da vida superior aos que calejassem os joelhos nas penitências incompreensíveis, aos que especulassem sobre a natureza de Deus, que discutissem as coisas do Céu por antecipação, ou que simplesmente pregassem as verdades eternas, mas exaltou a posição sublime de todos os que disseminassem o amor, em nome do Todo-Misericordioso.
Jesus não se comprometeu com os que combatessem, em seu nome, com os que humilhassem os outros, a pretexto de glorificá-lo, ou com os que lhe oferecessem culto espetacular, em templos de ouro e pedra, mas sim afirmou que o menor gesto de bondade, dispensado em seu nome, será sempre considerado, no Alto, como oferenda de amor endereçada a ele próprio.
NOSSA REFLEXÃO
Este versículo do Evangelho de Mateus se encontra interpretado no Cap. XV, Item 1 (Fora da caridade não há salvação) de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Jesus explica as condições para que nós, humanos, adentremos ao Reino de Deus. Essa passagem é seguida de outra, também reunida no mesmo capítulo, referenciado acima, da obra kardequiana (Item 2), onde Jesus apresenta as características do nosso próximo, que é qualquer um que está no nosso caminho, quando nos dita a Parábola do Bom Samaritano. Ambas são interpretadas por A. Kardec, no Item 3 do mesmo capítulo.
Destaco, a seguir, um trecho dessa mensagem Emmanuel, ora refletida por nós, que se nos apresenta como um chamamento ao que deve nos interessar quando estivermos disposto a seguir o Mestre.

Jesus não se comprometeu com os que combatessem, em seu nome, com os que humilhassem os outros, a pretexto de glorificá-lo, ou com os que lhe oferecessem culto espetacular, em templos de ouro e pedra, mas sim afirmou que o menor gesto de bondade, dispensado em seu nome, será sempre considerado, no Alto, como oferenda de amor endereçada a ele próprio.

Emmanuel nos adverte que não é nossa eloquência doutrinária, defesa da honra de Jesus Cristo ou de uma crença religiosa, de cunho cristão, que vão nos fazer melhor perante o Mestre. Mas sim, se estivermos atentos a este seu pensamento: “Diante, pois, do próximo, que se acerca do teu coração, cada dia, lembra-te sempre de que estás situado na Terra para aprender e auxiliar”[1].
Que tenhamos certo de quem devemos seguir, se a Deus ou a Mamon.
Que Deus nos ajude.
Domício.

[1] Vide a mensagem de Emmanuel que contém este trecho, em sua íntegra, em Ajudemos sempre, quando ele discute sobre quem é o nosso próximo (Lucas, 10,29).

domingo, 1 de março de 2020

VIVAMOS CALMAMENTE


136
VIVAMOS CALMAMENTE
Que procureis viver sossegados.
Paulo. (I Tessalonicenses, 4: 11).
Viver sossegado não é apodrecer na preguiça.
Há pessoas, cujo corpo permanece em decúbito dorsal, agasalhadas, contra o frio da dificuldade, por excelentes cobertores da facilidade econômica, mas torturadas mentalmente por indefiníveis aflições.
Viver calmamente, pois, não é dormir na estagnação.
A paz decorre da quitação de nossa consciência para com a vida, e o trabalho reside na base de semelhante equilíbrio.
Se desejamos saúde, é necessário lutar pela harmonia do corpo.
Se esperamos colheita farta, é indispensável plantar com esforço e defender a lavoura com perseverança e carinho.
Para garantir a fortaleza do nosso coração, contra o assédio do mal, é imprescindível saibamos viver dentro da serenidade do trabalho fiel aos compromissos assumidos com a ordem e com o bem.
O progresso dos ímpios e o descanso dos delinquentes são paradas de introdução à porta do inferno criado por eles mesmos.
Não queiras, assim, estar sossegado, sem esforço, sem luta, sem trabalho, sem problemas...
Todavia, consoante a advertência do Apóstolo, vivamos calmamente, cumprindo com valor, boa-vontade e espírito de sacrifício, as obrigações edificantes que o mundo nos impõe cada dia, em favor de nós mesmos.
NOSSA REFLEXÃO
Somos todos viajores no tempo e muito estivemos estagnados na preguiça espiritual, se é que não continuamos assim. É importante ressaltarmos que se chegamos aonde chegamos, espiritualmente falando, foi porque despertamos da estagnação pessoal e nos dispomos a trabalhar por nós mesmos e pelo bem da humanidade.
Trabalhar é uma Lei[1]. Só trabalhando, desenvolvemos a nossa inteligência, melhoramos a nossa convivência com o semelhante, desde a família.
É certo que devemos viver como os pássaros, como disse-nos Jesus, pois eles “[...] não semeiam, não ceifam, nada guardam em celeiros; mas vosso Pai celestial os alimenta” (Mateus, 6:26)[2]. Mas o Cristo não quis dizer que deveríamos viver esperando cair o maná dos deuses. Ele, na verdade, quis dizer que fizéssemos nossa parte, como os pássaros fazem. E nossa parte diz respeito ao trabalho com consciência, justiça, benevolência, indulgência e misericórdia para conosco e com nossos irmãos. Pois sem esse princípio, que resulta em sermos caridosos[3], não evoluímos, não nos aperfeiçoamos.
Em verdade, o Mestre Jesus nos exortou, diferentemente do que se pode apreender com a analogia aos pássaros, a não nos preocuparmos com os excessos materiais que a vida corpórea pode nos contemplar. Devemos viver a vida de maneira simples, fazendo nossa parte, que o mais virá, de Deus, com fim de ascendermos na escala espírita[4]. Desse modo, desenvolvemos a nossa inteligência e a nossa moral.
Por sua vez, Emmanuel nos ensina nesta mensagem, ora refletida por nós, que não devemos viver como um “[...] sossegado, sem esforço, sem luta, sem trabalho, sem problemas...”.
Então, que não tenhamos preocupação demasiada com o futuro e com a ascensão social/acadêmica/profissional. Tudo no seu tempo e na hora que tem que ser, para o nosso bem, conforme o nosso merecimento.
Que Deus nos ajude a compreender e viver esse discernimento, diuturnamente.
Domício.


[1] O Livro dos Espíritos, Livro Terceiro, Cap. III.
[2] Vide interpretação de A. Kardec sobre essa passagem evangélica em o “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XXV, itens 6 a 8.
[3]O Livro dos Espíritos, questão nº 886.
[4]O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, Cap. I (Dos Espíritos) – Escala espírita.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

DESCULPA SEMPRE


135
DESCULPA SEMPRE
Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará. – Jesus.
Mateus (6:14).
Por mais graves te pareçam as faltas do próximo, não te detenhas na reprovação.
Condenar é cristalizar as trevas, opondo barreiras ao serviço da luz.
Procura nas vítimas da maldade algum bem com que possas soerguê-las, assim como a vida opera o milagre do reverdecimento nas árvores aparentemente mortas.
Antes de tudo, lembra quão difícil é julgar as decisões de criaturas em experiências que divergem da nossa!
Como refletir, apropriando-nos da consciência alheia, e como sentir a realidade, usando um coração que não nos pertence?
Se o mundo, hoje, grita alarmado, em derredor de teus passos, faze silêncio e espera...
A observação justa é impraticável quando a neblina nos cerca.
Amanhã, quando o equilíbrio for restaurado, conseguirás suficiente clareza para que a sombra te não altere o entendimento.
Além disso, nos problemas de crítica, não te suponhas isento dela.
Através da nociva complacência para contigo mesmo, não percebes quantas vezes te mostras menos simpático aos semelhantes!
Se há quem nos ame as qualidades louváveis, há quem os destaque as cicatrizes e os defeitos.
Se há quem ajude; exaltando-nos o porvir luminoso, há quem nos perturbe, constrangendo-nos à revisão do passado escuro.
Usa, pois, a bondade, e desculpa incessantemente.
Ensina-nos a Boa Nova que o Amor cobre a multidão dos pecados.
Quem perdoa, esquecendo o mal e avivando o bem, recebe do Pai celestial, na simpatia e na cooperação do próximo, o alvará da libertação de si mesmo habilitando-se a sublimes renovações.
NOSSA REFLEXÃO
Na vida cotidiana, somos convidados, intimamente, a todo momento, a avaliar/julgar uma pessoa, uma instituição, uma sociedade, amigos e familiares. Recebemos deles uma carga emocional a partir de suas atitudes, ou falas, favoráveis ou não a nós ou à sociedade.
Muitas vezes, o que recebemos é contrário ao que pensamos, sentimos ou defendemos. É quando nos indignamos se ação não é pessoal e nos magoamos se pessoal. Emmanuel, a partir da exortação do Cristo, citada no caput desta mensagem, ora refletida, nos convida a perdoarmos sempre. Isto, no nosso entendimento, se configura como um antídoto contra a perda da paz interior.[1]
Misericórdia é o que devemos desenvolver em nós, pois não somos perfeitos e por isso somos necessitados da misericórdia de Deus e dos nossos semelhantes.
A Doutrina Espírita não condena a repreensão, mesmo por um imperfeito. Todavia, quem se acha no dever de fazê-la, deve fazer com caridade.
O Espírito São Luís, colaborador da codificação da Doutrina Espírita, foi questionado sobre isso[2] e nos respondeu como segue:
Certamente que não é essa a conclusão a tirar-se, porquanto cada um de vós deve trabalhar pelo progresso de todos e, sobretudo, daqueles cuja tutela vos foi confiada. Por isso mesmo, deveis fazê-lo com moderação, para um fim útil, e não, como as mais das vezes, pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a repreensão é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda seja cumprido com todo o cuidado possível. Ademais, a censura que alguém faça a outrem deve ao mesmo tempo dirigi-la a si próprio, procurando saber se não a terá merecido.
Assim, sempre que formos confrontados com um erro, considerado por nós, que sejamos humildes em reconhecer que se hoje não fazemos o que repreendemos, podemos ter feito em vidas passadas ou mesmo nessa. Se hoje perdoamos a nós mesmos por males feitos, que não fazemos mais, por que não termos um sentimento de caridade para com os outros que se encontram em seu momento de crescimento? Todavia, sigamos São Luís: se podemos fazer considerações, que podem se configurar como repreensões, que façamos de modo impessoal, fazendo arte, ou então, de modo pessoal, mas sem o prazer de denegrir, considerando sempre que qualquer censura que venhamos a fazer a uma pessoa ou pessoas, devemos fazê-la lembrando do nosso passado.
Além do mais, pensando nos nossos defeitos atuais, lembremos que esses podem não ser praticados por quem nós venhamos a repreender, mesmo pensando no seu bem.
Então, se já nos educamos em relação a certas coisas, que possamos ser educadores de outros, pelo nosso exemplo, mas sem a prepotência de se sentir melhor que os demais.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Veja a mensagem “Sigamos a Paz” de Emmanuel, também do livro Fonte Viva e que está postada e refletida em Sigamos a Paz.
[2] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. X, Item 19 – Ninguém sendo perfeito, seguir-se-á que ninguém tem o direito de repreender o seu próximo?

domingo, 16 de fevereiro de 2020

BUSQUEMOS O EQUILÍBRIO


134
BUSQUEMOS O EQUILÍBRIO
Aquele que diz permanecer nele, deve também andar como Ele andou.
I JOÃO (2: 6).
Embora devas caminhar sem medo, não te cases à imprudência, a pretexto de cultivar desassombro.
Se nos devotamos ao Evangelho, procuremos agir segundo os padrões do divino Mestre, que nunca apresentam lugar à temeridade.
Jesus salienta o imperativo da edificação do reino de Deus, mas não sacrifica os interesses dos outros em obras precipitadas.
Aconselha a sinceridade do "sim, sim – não, não", entretanto, não se confia à rudeza contundente.
Destaca as ruínas morais do farisaísmo dogmático, todavia, rende culto à Lei de Moisés.
Reergue Lázaro do sepulcro, contudo, não alimenta a pretensão de furtá-lo, em definitivo, à morte do corpo.
Consciente do poder de que se acha investido, não menospreza a autoridade política que deve reger as necessidades do povo e ensina que se deve dar "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".
Preso, e sentenciado ao suplício, não se perde em bravatas labiais, não obstante reconhecer o devotamento com que é seguido pelas entidades angélicas.
Atendamos ao Modelo Divino que não devemos esquecer, desempenhando a nossa tarefa, com lealdade e coragem, mas, evitemos o arrojo desnecessário que vale por leviandade perigosa.
Um coração medroso congela o trabalho.
Um coração temerário incendeia qualquer serviço, arrasando-o.
Busquemos, pois, o equilíbrio com Jesus e fugiremos, naturalmente, ao extremismo, que é sempre o escuro sinal da desarmonia ou da violência, da perturbação ou da morte.
NOSSA REFLEXÃO
O equilíbrio é o que nos faz mais produtivo, mesmo nas situações mais adversas. O conhecimento adquirido não nos faz detentores de autoridade para subjugar àqueles que não o alcançaram, ainda.
O Mestre Jesus foi e é o exemplo maior, o modelo para todos nós, como nos afirmam, em O Livro dos Espíritos[1], os Espíritos Superiores encarregados de nos revelar o Consolador Prometido por Ele.
Diante das injustiças do dominador, Ele foi reticente em apaziguar os dominados, visando uma libertação na paz, mostrando que não devíamos esquecer do Pai. Tempos passaram e ainda temos no mundo dominadores e dominados. E em nome da Democracia, muito se faz no sentido da libertação de uma exploração que cada vez mais faz revelar a desigualdade social no planeta.
Movimentos pacíficos têm surgido na contramão da insensibilidade de muitos que administram as diversas nações. A luta para que tenhamos uma Educação de qualidade, para que o povo não fique a mercê da falta de uma voz que questione as injustiças vividas por ele, é justa.
Todavia, é importante frisarmos que devemos ter calma diante do inaceitável e agir com paz, arte, debates sociais, e nunca partir para o confronto, buscando sempre o equilíbrio nos momentos mais aguerridos que podem surgir nos embates políticos e sociais.
Lembramos de Gandhi que lutou pacificamente pela libertação de seu povo da subjugação do povo inglês. Então, libertar é preciso, guerrear não.
O equilíbrio é necessário para que vençamos a nós mesmos e ao que nos incomoda. O extremismo, como Emmanuel nos adverte, jamais será o caminho para a libertação. O diálogo, a crítica contundente, para despertar os que se isolam diante da ilusão de uma falsa mudança, podem ajudar a mudar o status quo de uma sociedade.
De todo modo, lembrando um artista e o parafraseando, que tenhamos muita calma em qualquer hora.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Questão de nº 625.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

QUE TENDES?

133
QUE TENDES?
Quantos pães tendes? E disseram-lhe: Sete.
Marcos (8:5).
Quando Jesus, à frente da multidão faminta, indagou das possibilidades dos discípulos para atendê-la, decerto procurava uma base, a fim de materializar o socorro preciso.
"Quantos pães tendes?"
A pergunta denuncia a necessidade de algum concurso para o serviço da multiplicação.
Conta-nos o evangelista Marcos que os companheiros apresentaram-lhe sete pãezinhos, dos quais se alimentaram mais de quatro mil pessoas, sobrando apreciável quantidade.
Teria o Mestre conseguido tanto se não pudesse contar com recurso algum?
A imagem compele-nos a meditar quanto ao impositivo de nossa cooperação, para que o Celeste Benfeitor nos felicite com os seus dons de vida abundante.
Poderá o Cristo edificar o santuário da felicidade em nós e para nós, se não puder contar com os alicerces da boa-vontade em nosso coração?
A usina mais poderosa não prescinde da tomada humilde para iluminar um aposento.
Muitos esperam o milagre da manifestação do Senhor, a fim de que se lhes sacie a fome de paz e reconforto, mas a voz do Mestre, no monte, continua ressoando, inesquecível:
– Que tendes?
Infinita é a Bondade de Deus, todavia, algo deve surgir de nosso "eu", em nosso favor.
Em qualquer terreno de nossas realizações para a vida mais alta, apresentemos a Jesus algumas reduzidas migalhas de esforço próprio e estejamos convictos de que o Senhor fará o resto.
NOSSA REFLEXÃO
O esforço de nossa cooperação para com a nossa aprendizagem e a dos nossos irmãos, em qualquer situação de nossa vida, seja profissional, social ou espiritual, é o sinal que damos ao Mestre e seus colaboradores do Mundo Maior que estamos prontos para o trabalho. Somos aproveitados para contribuirmos das mais diferentes formas à humanidade terrestre.
Não precisamos de muito, a não ser o que temos. Jesus entendeu que 7 era suficiente e o multiplicou. Quando nos colocamos em serviço, o pouco que temos se multiplica e, às vezes, nos impressionamos por ter feito tanto. Este evento grafado em Marcos (8: 5), e acima interpretado por Emmanuel, nos faz lembrar de duas parábolas: a Parábola do Trabalhador da Última Hora[1] e a Parábola dos Talentos[2].
Nós estamos na última hora. Chegou o tempo da regeneração da humanidade e precisamos nos colocar à disposição do trabalho de reformas interiores e exteriores, mas conforme os princípios do Cristo. Todas as reformas devem ser feitas visando a melhoria dos meios ambiente material e espiritual que reúnem os seres da natureza, os mais necessitados que nós e a nós mesmos, moralmente falando.
Que Deus nos ajude.
Domício.

[1] Vide Instruções dos Espíritos Superiores in O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX.
[2] Vide postagem anterior deste blog.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

TENDO MEDO

132
TENDO MEDO
E, tendo medo, escondi na terra o teu talento...
Mateus (25:25).
Na Parábola dos Talentos, o servo negligente atribui ao medo a causa do insucesso em que se infelicita.
Recebera mais reduzidas possibilidades de ganho.
Contara apenas com um talento e temera lutar para valorizá-lo.
Quanto aconteceu ao servidor invigilante da narrativa evangélica, há muitas pessoas que se acusam pobres de recursos para transitar no mundo como desejariam. E recolhem-se à ociosidade, alegando o medo da ação.
Medo de trabalhar.
Medo de servir.
Medo de fazer amigos.
Medo de desapontar.
Medo de sofrer.
Medo da incompreensão.
Medo da alegria.
Medo da dor.
E alcançam o fim do corpo, como sensitivas humanas, sem o mínimo esforço para enriquecer a existência.
Na vida, agarram-se ao medo da morte.
Na morte, confessam o medo da vida.
E, a pretexto de serem menos favorecidos pelo destino, transformam-se, gradativamente, em campeões da inutilidade e da preguiça.
Se recebeste, pois, mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente dos outros e faze dela o teu caminho de progresso e renovação. Por mais sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias, enriquece-a com a luz do teu esforço no bem, porque o medo não serviu como justificativa aceitável no acerto de contas entre o servo e o Senhor.
NOSSA REFLEXÃO
Muitos de nós, e lembremos que possamos estar incluídos nesse rol, deixamos de nos direcionar a uma tarefa por medo de falhar. Desculpamo-nos baseado tão somente na falta de recursos e oportunidades e, muitas vezes, nos preconceitos, que existem na sociedade, relacionados a meritocracia inspirada basicamente no capitalismo e/ou no neo-liberalismo que culpa os mais pobres de recursos de continuarem pobres por não se esforçarem, sem levar em contas que não lhes são dadas as possibilidades para ascender socioeconomicamente.
Jesus utiliza a Parábola dos Talentos considerando o mundo de Mamon que premia os que apostam seus bens nos bancos para render juros. Quem tem mais ganha mais, materialmente falando, mas se aplicar o que tem. O capital tem que render, mesmo ficando parado. Colocar debaixo do colchão não é muito inteligente. Isso, sim, é temerário. Significa enterrar o dinheiro, como na parábola. E o mais incrível que nesse mundo, também vale a realidade que se traduz no seguinte pensamento: quem deve, perde e fica mais endividado.
Em verdade, o Mestre não fez a apologia à usura, nem ao enriquecimento baseado no ócio. Mas não se deve tirar disso que não devamos fazer aplicações na bolsa se o móvel não é o enriquecimento tão somente do capital. Se a “riqueza” aplicada não foi adquirida de modo ilícito, ela é legítima. Nesse tocante, diz o Espírito M. Espírito Protetor: “[...] uma propriedade só é legitimamente adquirida quando, da sua aquisição, não resulta dano para ninguém (grifos do autor)[1].
Entretanto, moralmente falando, há que se meditar que nossos talentos, aquilo que deve render, e que não são materiais, depois de recebê-los do Senhor, inicialmente na forma de inteligência, podem e devem render frutos não somente para uso pessoal. Pois de que vale adquirir conhecimento sem reparti-lo? A estagnação desse talento empobrece a alma e a atrasa espiritualmente no sentido da perfeição espiritual.
Nesse contexto vale também o princípio de quem tem mais ganha mais, e é nesse contexto que devemos mais nos preocupar, prevendo a vida futura. Pois são aos usufrutuários fiéis, dos bens materiais e espirituais recebidos, que Deus oferece mais bens na forma de missões mais desafiadoras, pensando na evolução moral dos irmãos mais atrasados, bem como no desenvolvimento intelecto e socioeconômico da maioria do povo da Terra. Nesta segunda questão, o Espírito Fénelon nos aconselha: “A todos os que podem dar, pouco ou muito, direi, pois: dai esmola quando for preciso; mas, tanto quanto possível, convertei-a em salário, a fim de que aquele que a receba não se envergonhe dela.”[2]
Que tenhamos a grandeza de pensar alto, sem medo, em realizações humanas que levem em conta: a liberdade de expressão; o respeito à diferença; o trabalho digno; o acolhimento, cuidado e promoção dos menos favorecidos; e o compartilhamento dos talentos já existentes na Terra, com responsabilidade e honestidade.
Que Deus nos ajude.
Domício.

Ps. Ofereço uma poesia de L. Angel

TALENTOS DOADOS, TALENTOS DOBRADOS
L. ANGEL    22/07/10

Talentos que se construiu,
Nas oportunidades de ir e vir,
Nesta Terra que o Senhor esculpiu,
Servem para ajudar os outros a evoluir.

As experiências exitosas,
Realizadas em vida passada
Possibilita outras ditosas
Nesta vida privilegiada.

Ninguém é perfeito absolutamente.
Eis uma condição do Deus de Amor.
Então, relativamente,
O Espírito é inferior e superior.

Nas diversas relações pessoais,
Doar talentos é uma atitude certa,
Pois o Espírito aprende mais,
Por haurir novas descobertas.


[1] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.XVI, Item 10. Recomendo a leitura e reflexão desse capítulo em sua totalidade.