domingo, 19 de janeiro de 2020

NA ESFERA ÍNTIMA


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NA ESFERA ÍNTIMA
Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons dispensadores da multiforme graça de Deus.
I Pedro (4:10).
A vida é máquina divina da qual todos os seres são peças importantes, e a cooperação é o fator essencial na produção da harmonia e do bem para todos.
Nada existe sem significação.
Ninguém é inútil.
Cada criatura recebeu determinado talento da Providência divina para servir no mundo e para receber do mundo o salário da elevação.
Velho ou moço, com saúde do corpo ou sem ela, recorda que é necessário movimentar o dom que recebeste do Senhor, para avançares na direção da Grande Luz.
Ninguém é tão pobre que nada possa dar de si mesmo.
O próprio paralítico, atado ao catre da enfermidade, pode fornecer aos outros a paciência e a calma, em forma de paz e resignação.
Não olvides, pois, o trabalho que o Céu te conferiu e foge à preocupação de interferir na tarefa do próximo, a pretexto de ajudar.
Quem cumpre o dever que lhe é próprio, age naturalmente a benefício do equilíbrio geral.
Muitas vezes, acreditando fazer mais corretamente que os outros o serviço que lhes compete, não somos senão agentes de desarmonia e perturbação.
Onde estivermos, atendamos com diligência e nobreza à missão que a vida nos oferece.
Lembra-te de que as horas são as mesmas para todos e de que o tempo é o nosso silencioso e inflexível julgador.
Ontem, hoje e amanhã são três fases do caminho único.
Todo dia é ocasião de semear e colher.
Observemos, assim, a tarefa que nos cabe e recordemos a palavra do Evangelho: - “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons dispensadores da multiforme graça de Deus", para que a graça de Deus nos enriqueça de novas graças.
NOSSA REFLEXÃO
Cada um de nós tem um dom, um bem ou um trabalho estruturado em bases de cooperação, dado que ninguém faz algo sozinho. Mesmo quando não temos a companhia de encarnados, somos agraciados pela companhia de almas bondosas que nos ajudam a chegar ao fim de um trabalho de reflexão sobre algo pensado ou pesquisado para o bem de todos que sofrem a influência de nosso trabalho.
Então, estamos sempre a fazer parte de uma equipe de Espíritos que se entreajudam para chegar a um resultado para o bem de uma coletividade, seja empresarial, social ou comunitária. Cada um faz a sua parte, como seus dons lhe propiciam, sua experiência espiritual dá suporte, a Coordenação do trabalho disponibiliza os meios concretos e necessários para a realização da obra ou serviço. Desta forma, uma colaboração deve ser útil, educativa e não interventora e castradora. Emmanuel faz a seguinte exortação, nesta mensagem que ora refletimos:

Não olvides, pois, o trabalho que o Céu te conferiu e foge à preocupação de interferir na tarefa do próximo, a pretexto de ajudar. Quem cumpre o dever que lhe é próprio, age naturalmente a benefício do equilíbrio geral. Muitas vezes, acreditando fazer mais corretamente que os outros o serviço que lhes compete, não somos senão agentes de desarmonia e perturbação.

Assim, cada um, com o seu dom ou talento, adquirido graças a Deus ou com a ajuda de Deus, contribui a para a obra de todos.
Nesse tocante, devemos refletir sobre a relação entre os superiores e inferiores em uma equipe de trabalho, pois todo momento deve ser momento de servir e de crescer individual ou coletivamente. Sobre isso, o Espírito François-Nicolas-Madeleine, Cardeal Morlot, nos disserta:
A autoridade, tanto quanto a riqueza, é uma delegação de que terá de prestar contas aquele que se ache dela investido. Não julgueis que lhe seja ela conferida para lhe proporcionar o vão prazer de mandar; nem, conforme o supõe a maioria dos potentados da Terra, como um direito, uma propriedade.[1]

Emmanuel, por sua vez, também colaborador da Codificação Espírita, faz uma reflexão, grafada no livro Caminho, Verdade e Vida, sobre o aproveitamento das oportunidades no dia a dia de nossas vidas[2].
Então, todo dia é dia de servir e ser servido. Quem serve bem, também é bem servido e, assim, todos crescem e os beneficiários do serviço agradecem.
Que Deus nos ajude a sempre nos manter com o espírito de colaboração para que, cada vez, mais, sejamos agraciados com outros dons.
Domício.

Ps.: compartilho uma poesia de L. Angel sobre os talentos ou dons.

TALENTOS DOADOS, TALENTOS DOBRADOS
L. ANGEL    22/07/10
Talentos que se construiu,
Nas oportunidades de ir e vir,
Nesta Terra que o Senhor esculpiu,
Servem para ajudar os outros a evoluir.
As experiências exitosas,
Realizadas em vida passada
Possibilita outras ditosas
Nesta vida privilegiada.
Ninguém é perfeito absolutamente.
Eis uma condição do Deus de Amor.
Então, relativamente,
O Espírito é inferior e superior.
Nas diversas relações pessoais,
Doar talentos é uma atitude certa,
Pois o Espírito aprende mais,
Por haurir novas descobertas.

[2] Vide a mensagem e nossa reflexão em Oportunidade.

domingo, 12 de janeiro de 2020

GUARDA A PACIÊNCIA


129
GUARDA A PACIÊNCIA
Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a Vontade de Deus, possais alcançar a promessa.
Paulo (Hebreus, 10: 36)
Provavelmente estarás retendo, há muito tempo, a esperança torturada.
Desejarias que a resposta do mundo aos teus anseios surgisse, imediata, agasalhando-te o coração; entretanto, que paz desfrutarias no triunfo aparente dos próprios sonhos, sem resgatares os débitos que te encadeiam ao problema e à dificuldade?
Como repousar, ante a exigência do credor que nos requisita?
Descansará o delinquente, antes da justa reparação à falta cometida?
Sabes que o destino materializar-te-á os planos de ventura, que a vitória te coroará, enfim, a senda de luta, mas reconheces-te preso ao círculo de certas obrigações.
O lar convertido em forja de angústia...
A instituição a que serves, onde sofres a intromissão da calúnia ou o golpe da crueldade...
O parente a que deves respeito e carinho, do qual recolhes menosprezo e ingratidão...
A rede dos obstáculos...
A conspiração das sombras...
A perseguição gratuita, a enfermidade do corpo, a imposição do ambiente...
Se as provas te encarceram nas grades constringentes do dever a cumprir, tem paciência e satisfaze as obrigações a que te enlaçaste!...
Não renuncies ao trabalho renovador!
Recorda que a Vontade de Deus se expressa, cada hora, nas circunstâncias que nos cercam! Paguemos nossas contas com a sombra, para que a Luz nos favoreça!
Em verdade, alcançaremos a concretização dos nossos projetos de felicidade, mas, antes disso, é necessário liquidar com paciência as dívidas que contraímos perante a Lei.
NOSSA REFLEXÃO
No caminho da vida, é muito comum nós nos impacientarmos com a demora na concretização de um sonho e oramos a Deus, sem muito resultados. Comportamo-nos como um negociante que pede contas ao devedor. Acontece que a nossa conta com Deus está negativa em nosso desfavor.
Tudo tem seu tempo para acontecer. Enquanto esperamos, muito temos a quitarmos com as Leis de Deus. Isto nos lembra o ditado popular do cristão que ora todo dia e todo dia só acontece dificuldades. É quando ele diz: “quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”. Neste contexto, devemos, primeiramente, ter em mente o que devemos fazer para que a nossa prece seja eficaz. A. Kardec nos explica, em relação à eficácia da prece, que:

Em geral, o homem apenas vê o presente; ora, se o sofrimento é de utilidade para a sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa que o doente sofra as dores de uma operação que lhe trará a cura. O que Deus lhe concederá sempre, se ele o pedir com confiança, é a coragem, a paciência, a resignação. Também lhe concederá os meios de se tirar por si mesmo das dificuldades, mediante ideias que fará lhe sugiram os bons Espíritos, deixando-lhe dessa forma o mérito da ação. Ele assiste os que ajudam a si mesmos, de conformidade com esta máxima: “Ajuda-te, que o Céu te ajudará”; não assiste, porém, os que tudo esperam de um socorro estranho, sem fazer uso das faculdades que possui. Entretanto, as mais das vezes, o que o homem quer é ser socorrido por milagre, sem despender o mínimo esforço[1].

Isso nos faz entender que toda prece é ouvida, mas é respondida de acordo com a história espiritual, as necessidades evolutivas e a humildade de quem ora. Ou seja, conforme o merecimento do necessitado. Uma coisa é certa: todos somos assistidos quando oramos. No entanto, a maneira de orar deve ser pensada. Conforme A. Kardec, “repelida só o é a prece do orgulhoso que deposita fé no seu poder e nos seus merecimentos e acredita ser-lhe possível sobrepor-se à vontade do Eterno”[2].
Emmanuel reflete sobre nossa atitude na oração. Refletimos sua mensagem sobre esse tema, a qual está grafada no livro Caminho, Verdade e Vida[3].
Assim, que tenhamos humildade quando orarmos e sejamos conscientes que não podemos ser caprichosos, pois nossa vida objetiva muito mais atender à vontade de Deus que aos nossos caprichos. Só isso é suficiente para que tenhamos todas as nossas vontades úteis realizadas, como Paulo transmitiu aos hebreus.
Luta, humildade e paciência, então, deve ser nosso lema.
Que Deus nos ajude.
Domício.

[2] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXVII, Item 14 (grifos do autor). Vide também, neste capítulo, a instrução do Espírito V. Monod sobre a maneira de orar.
[3] Vide nossa reflexão em Na oração.

domingo, 5 de janeiro de 2020

NÃO REJEITES A CONFIANÇA


128
NÃO REJEITES A CONFIANÇA
Não rejeiteis; pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão.
Paulo (HEBREUS, 10:35).
Não lances fora a confiança que te alimenta o coração.
Muitas vezes, o progresso aparente dos ímpios desencoraja o fervor das almas tíbias.
A virtude vacilante recua ante o vício que parece vitorioso.
Confrange-se o crente frágil, perante o malfeitor que se destaca, aureolado de louros.
Todavia, se aceitamos Jesus por nosso Divino Mestre, é preciso receber o mundo por nosso educandário.
E a escola nos revela que a romagem carnal é simples estágio do espírito no campo imenso da vida.
Todos os séculos tiveram soberanos dominadores.
Muitos se erigiram em pedestais de ouro e poder, ao preço do sangue e das lágrimas dos seus contemporâneos.
Muitos ganharam batalhas de ódio.
Outros monopolizaram o pão.
Alguns comandaram a vida política.
Outros adquiriram o temor popular.
Entretanto, passaram todos... Por prêmio terrestre às laboriosas empresas a que se consagraram, receberam apenas o sepulcro faustoso em que sobressaem na casa fria da morte.
Não rejeites a fé porque a passagem educativa pela Terra te imponha à visão aflitivos quadros no jogo das convenções humanas.
Lembra-te da imortalidade – nossa divina herança!
Por onde fores, conduze tua alma como fonte preciosa de compreensão e serviço! Onde estiveres, sê generoso, otimista e diligente no bem!
A carne é apenas tua veste.
Luta e aprimora-te, trabalha e realiza com o Cristo, e aguarda, confiante, o futuro, na certeza de que a vida de hoje te espera, sempre justiceira, amanhã.
NOSSA REFLEXÃO
O que podemos ser sem confiança no futuro? Sem fé na Justiça de Deus?
Tudo que nos faz sofrer ou esperar (pois quem não tem paciência, sofre) constitui, fazendo uma analogia com a academia de musculação, pesos, bateria de exercícios, para nos tornarmos moralmente fortes. O sucesso do exercício é a satisfação de ter alcançado o objetivo almejado, que no caso do progresso moral é a felicidade de ter se tornado melhor, mas leve, mais resoluto em todos os projetos seguintes, visando uma distância cada vez menor do Mestre Jesus e de Deus.
Como Emmanuel nos faz refletir, o sucesso dos outros, particularmente dos maus, não deve servir de comparação com os nossos sucessos diminutos ou mesmo fracassos. Devemos ter em mente que o mal é temporário e o bem é eterno. Como somos eternos...
O Espiritismo nos ensina, conforme os ensinos dos Espíritos Superiores, coordenados pelo Espírito de Verdade (Jesus)[1], que temos a fé humana e a fé divina. A primeira impulsiona o homem a resolver seus problemas presentes, tornando a vida mais saudável, confortável e segura. Um Espírito Protetor[2], nos faz pensar, se reportando aos milagres do Cristo, “[...] o que pode o homem, quando tem fé, isto é, a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação”. E a segunda traduz a confiança nas Leis de Deus e o impulsiona à sua semelhança com Ele, que lhe tornará repleto de felicidade celestial. Ainda conforme Um Espírito Protetor, nessa instrução,

O homem de bem que, crente em seu futuro celeste, deseja encher de belas e nobres ações a sua existência, haure na sua fé, na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e ainda aí se operam milagres de caridade, de devotamento e de abnegação.

Desse modo, tenhamos confiança na nossa evolução, por mais que a nossa humanidade ainda apresenta quadros tenebrosos de injustiças, crueldades e opressão do superior sobre inferior, sendo firmes na luta contra tudo isso, sem violência, esclarecendo e colaborando, quando possível, contra a miséria, contra as doenças mal tratadas e muitas vezes provocadas pela omissão do poder público, entre tantas frentes de luta pela igualdade social.
Acreditemos em nós, cada vez melhor, e num futuro mundo feliz.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide Cap.VI (O Cristo Consolador) de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
[2] Um Espírito Protetor em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.XIX, Instruções dos Espíritos, Item 12 (grifos do autor espiritual).

domingo, 29 de dezembro de 2019

HUMANIDADE REAL


127
HUMANIDADE REAL
Eis o Homem!
Pilatos (JOÃO, 19:5).
Apresentando o Cristo à multidão, Pilatos não designava um triunfador terrestre...
Nem banquete, nem púrpura.
Nem aplauso, nem flores.
Jesus achava-se diante da morte.
Terminava uma semana de terríveis flagelações.
Traído, não se rebelara.
Preso, exercera a paciência.
Humilhado, não se entregou a revides.
Esquecido, não se confiou à revolta.
Escarnecido, desculpara.
Açoitado, olvidou a ofensa.
Injustiçado, não se defendeu.
Sentenciado ao martírio, soube perdoar.
Crucificado, voltaria’ à convivência dos mesmos discípulos e beneficiários que o haviam abandonado, para soerguer-lhes a esperança.
Mas, exibindo-o, diante do povo, Pilatos não afirma: - Eis o condenado, eis a vítima!
Diz simplesmente: - "Eis o Homem!"
Aparentemente vencido, o Mestre surgia em plena grandeza espiritual, revelando o mais alto padrão de dignidade humana.
Rememorando, pois, semelhante passagem, recordemos que somente nas linhas morais do Cristo é que atingiremos a humanidade real.
NOSSA REFLEXÃO
O Mestre foi um grande exemplo de dignidade moral que passou pelo planeta. Melhor dizendo, foi o maior grande exemplo... Tanto que os Espíritos Superiores o reverenciaram como o “[...] tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo [...]”[1].
Toda a sua vida messiânica foi voltada para nos ensinar a retomar o caminho para Deus. Particularmente na hora crucial de sua vida, ele mostrou que o Reino de Deus ainda não é deste mundo. Deu exemplo de fé e amor aos desavisados da hora. Deu o exemplo de um Professor que, ao final da aula, informa as lições da aula seguinte, além dos deveres a cumprir, dizendo: assim que se faz.
Foi paciente, misericordioso e amoroso com todos. Sabia com quem estava tratando, desde sempre.
Aquele que tinha o poder de o libertar não o condenou, enfaticamente, porque não tinha provas contra ele. Apenas o entregou a massa, lavando as mãos, para que ela não tivesse a responsabilidade do fato que estaria para acontecer.
Emmanuel nos recorda que, para atingirmos a “humanidade real”, ou seja, para que nos tornemos dignos do Reino de Deus, devemos ter em mente as “[...] linhas morais do Cristo [...]”.
Depois de tantas investidas no mal, a alma cansa de sofrer e é quando o Mestre e Médico autorizado de Deus estende suas mãos curadoras sobre as feridas daquele que sofreu por livre e espontânea vontade. E Ele faz “Por Amor”[2].
Que saibamos ser corretos quando o homem velho[3] se apresenta em nós. Nem sempre somos.
Que Deus nos ajude.
Domício.

[1] Questão de nº 625 de O Livro dos Espíritos.
[2] Vide mensagem de Emmanuel, em “Caminho Verdade e Vida”, refletida por nós.
[3] “Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime e que cada um de vós se despoje do homem velho. Deveis todos consagrar-vos à propagação desse Espiritismo que já deu começo à vossa própria regeneração. Corre-vos o dever de fazer que os vossos irmãos participem dos raios da sagrada luz. Mãos, portanto, à obra, meus muito queridos filhos! Que nesta reunião solene todos os vossos corações aspirem a esse grandioso objetivo de preparar para as gerações porvindouras um mundo no qual já não seja vã a palavra felicidade. – François-Nicolas-Madeleine, cardeal Morlot. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, Item 20).

domingo, 22 de dezembro de 2019

domingo, 8 de dezembro de 2019

AJUDEMOS SEMPRE


126
AJUDEMOS SEMPRE
E quem é o meu próximo?
Lucas (10:29)
O próximo a quem precisamos prestar imediata assistência é sempre a pessoa que se encontra mais perto de nós.
Em suma, é, por todos os modos, a criatura que se avizinha de nossos passos. E como a Lei Divina recomenda amemos o próximo como a nós mesmos, preparemo-nos para ajudar, infinitamente...
Se temos pela frente um familiar, auxiliemo-lo com a nossa cooperação ativa.
Se somos defrontados por um superior hierárquico, exercitemos o respeito e a boa vontade.
Se um subordinado nos procura, ajudemo-lo com atenção e carinho.
Se um malfeitor nos visita, pratiquemos a fraternidade, tentando, sem afetação, abrir-lhe rumos novos na direção do bem.
Se o doente nos pede socorro, compadeçamo-nos de sua posição, qualquer que ela seja.
Se o bom se socorre de nossa palavra, estimulemo-lo a que se faça melhor.
Se o mau nos busca a influência, amparemo-lo, sem alarde, para que se corrija.
Se há Cristianismo em nossa consciência, o cultivo sistemático da compreensão e da bondade tem força de lei em nossos destinos.
Um cristão sem atividade no bem é um doente de mau aspecto, pesando na economia da coletividade.
No Evangelho, a posição neutra significa menor esforço.
Com Jesus, de perto, agindo intensivamente junto dele; ou com Jesus, de longe, retardando o avanço da luz. E sabemos que o Divino Mestre amou e amparou, lutou em favor da luz e resistiu à sombra, até à cruz.
Diante, pois, do próximo, que se acerca do teu coração, cada dia, lembra-te sempre de que estás situado na Terra para aprender e auxiliar.
NOSSA REFLEXÃO
A pergunta, grafada no caput desta mensagem de Emmanuel, se deu no contexto em que Jesus anunciou a Parábola do Bom Samaritano (Lucas, 10: 25-37). Allan Kardec e o Paulo, o Apóstolo, em Espírito, nos ajudam a entender melhor essa parábola[1].
Devemos agir segundo Emmanuel nos adverte, nesta mensagem: [...] como a Lei Divina recomenda amemos o próximo como a nós mesmos, preparemo-nos para ajudar, infinitamente...”
Ou seja, devemos ser As Cartas do Cristo[2] à gleba de sofredores e necessitados para os quais Ele dedicou seu messianato[3].
Emmanuel nos diz aqui que “no Evangelho, a posição neutra significa menor esforço”. Ele corrobora o Espírito Paulo, o Apóstolo, que nos ensina:

Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação.[4]

Que estejamos sintonizados com o Cristo na hora que Ele estiver assistindo um necessitado, e sejamos ativos, pois quase sempre somos passivos.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XV, itens 3 e 10, respectivamente.
[2] Emmanuel escreve sobre esse tema no livro Caminho, Verdade e Vida. Vide também nossa reflexão em As Cartas do Cristo.
[3] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII, itens 7 e 8 e Cap. XV, itens 1, 3 e 10.

domingo, 1 de dezembro de 2019

RICAMENTE


125
RICAMENTE
"A palavra do Cristo habite em vós, ricamente...
Paulo (Colossenses, 3:16).
Dizes confiar no poder do Cristo, mas, se o dia aparece em cores contrárias à tua expectativa, demonstras deplorável indigência de fé na inconformação.
Afirmas cultivar o amor que o Mestre nos legou, entretanto, se o companheiro exterioriza pontos de vista diferentes dos teus, mostras enorme pobreza de compreensão, confiando-te ao desagrado e à censura.
Declaras aceitar o Evangelho em sua simplicidade e pureza, contudo, se o Senhor te pede algum sacrifício perfeitamente compatível com as tuas possibilidades, exibes incontestável carência de cooperação, lançando reptos e solicitando reparações.
Asseveras procurar a Vontade do celeste Benfeitor, no entanto, se os teus caprichos não se encontram satisfeitos, mostras lastimável miséria de paciência e esperança, arrojando teus melhores pensamentos ao lamaçal do desencanto.
Acenderemos, porém, a luz, permanecendo nas trevas.
Daremos testemunho de obediência, exaltando a revolta?
Ensinaremos a serenidade, inclinando-nos à desesperação?
Proclamaremos a glória do amor, cultivando o ódio?
A palavra do Cristo não nos convida a marchar na fraqueza ou na lamentação, como se fôssemos tutelados da ignorância.
Segundo a conceituação iluminada de Paulo, Boa-Nova deve irradiar-se de nossa vida, habitando a nossa alma, ricamente.
NOSSA REFLEXÃO
Nosso Mestre nos convidou a ser seus discípulos, sem deixar de nos dar os elementos que nos fariam fortes em qualquer situação da vida, e o Apóstolo Paulo nos lembra isso, pois considera que todo o esforço angelical e incomensurável do Cristo não foi à toa.
Não podemos trair a nossa fé em Jesus, como no início do Cristianismo, com Ele ainda entre nós, a exemplo dos próprios Apóstolos. Devemos seguir os exemplos desses mesmos Apóstolos, logo depois da volta de seu Mestre ao plano espiritual, bem como os exemplos testemunhados pelos primeiros cristãos que foram perseguidos e mortos, com requintes de crueldade, como na arena do Coliseu, mas sem perder a fé.
O Cristo não nos enganou quanto à perseguição que sofreriam os seus seguidores e, até hoje, no mundo, temos notícias de perseguição aos cristãos. Isto foi profetizado por Ele (Lucas, 21: 5-28)[1].
Allan Kardec disserta sobre as perseguições aos cristãos interpretando o que nos traz Lucas (6: 22-23):
“Rejubilai-vos”, diz Jesus, “quando os homens vos odiarem e perseguirem por minha causa, visto que sereis recompensados no céu.” Podem traduzir-se assim essas verdades: Considerai-vos ditosos, quando haja homens que, pela sua má vontade para convosco, vos deem ocasião de provar a sinceridade da vossa fé, porquanto o mal que vos façam redundará em proveito vosso. Lamentai-lhes a cegueira, porém, não os maldigais.”[2]

Mas não precisamos ser perseguidos para demonstrar a nossa fé em Jesus Cristo, até por que a perseguição é só uma entre inúmeras situações de demonstração de fé (Vide o Sermão do Monte[3]).
Devemos ser cristãos em pensamentos e atos. A caridade é a bandeira, o termômetro de todas nossas ações, independentemente da Religião cristã que professamos.
Então, as situações de conflitos de relacionamento, de carência material, de posicionamentos políticos, etc. se configuram como provas de nossa identidade com o Cristo e de oportunidades de irradiar, ricamente, a Boa-Nova em nossas vidas.
Que sejamos ricamente cristãos.
Que o Senhor nos ajude.
Domício.


[1] Vide mensagem do Espírito Emmanuel, grafada no livro “Caminho, Verdade e Vida”, intitulada Para testemunhar e refletida por nós.
[2] Vide O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIV, Item 19.
[3] Os capítulos 5, 7, 8, 9 e 10 de O Evangelho Segundo o Espiritismo tratam de cada bem-aventurança prometida por Jesus Cristo.