domingo, 26 de agosto de 2018

DEVAGAR, MAS SEMPRE


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DEVAGAR, MAS SEMPRE
Mas ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova, de dia em dia. – Paulo. (lI CORÍNTIOS, 4:16).
Observa o espírito de sequência e gradação que prevalece nos mínimos setores da natureza.
Nada se realiza aos saltos e, na pauta da Lei divina, não existe privilégio em parte alguma.
Enche-se a espiga de grão em grão.
Desenvolve-se a árvore, milímetro a milímetro.
Nasce a floresta de sementes insignificantes.
Levanta-se a construção, peça por peça.
Começa o tecido nos fios.
As mais famosas páginas foram produzidas, letra a letra.
A cidade mais rica é edificada, palmo a palmo.
As maiores fortunas de ouro e pedras foram extraídas do solo, fragmento a fragmento.
A estrada mais longa é pavimentada, metro a metro.
O grande rio que se despeja no mar é conjunto de filetes líquidos.
Não abandones o teu grande sonho de conhecer e fazer, nos domínios superiores da inteligência e do sentimento, mas não te esqueças do trabalho pequenino, dia a dia.
A vida é processo renovador, em toda parte, e, segundo a palavra sublime de Paulo, ainda que a carne se corrompa, a individualidade imperecível se reforma, incessantemente.
Para que não nos modifiquemos, todavia, em sentido oposto à expectativa do Alto, é indispensável saibamos perseverar com o esforço de autoaperfeiçoamento, em vigilância constante, na atividade que nos ajude e enobreça.
Se algum ideal divino te habita o espírito, não olvides o servicinho diário, para que se concretize em momento oportuno.
Há ensejo favorável à realização?
Age com regularidade, de alma voltada para a meta.
Há percalços e lutas, espinhos e pedrouços na senda?
Prossegue mesmo assim.
O tempo implacável dominador de civilizações e homens, marcha apenas com sessenta minutos por hora, mas nunca se detém.
Guardemos a lição e caminhemos para diante, com a melhoria de nós mesmos.
Devagar, mas sempre.
NOSSA REFLEXÃO
Viemos a esta vida corpórea com projetos de evolução espiritual. Estabelecemos meta(s). Todavia, ao mergulhar na carne, somos privados das lembranças da(s) meta(s) estabelecida(s) e vamos restabelecendo-as à medida que vamos readquirindo nossas inclinações mais nobres dentro de um contexto educacional familiar e escolar.
Nessa trajetória há as quedas desestimuladoras, mas não podemos esquecer da mensagem de Paulo, desenvolvida por Emmanuel em sua mensagem, agora refletida. Somos imperfeitos, portanto sujeitos a tropeços, com possibilidades de reerguimentos espirituais. O Cristo sempre perdoou aqueles que lhe buscou ou esteve em momentos de condenações e simplesmente dizia ao modo dessas palavras: eu não te julgo, porém não peques mais[1]. Assim, não devemos julgar os outros sem refletir se nosso julgamento terá proveitos, ou não, ao julgado. Além disso, o julgamento que venhamos a fazer de alguém deve ser sempre antecedido de uma reflexão sobre nós mesmo em relação ao caso, lembrando sempre que estamos em uma nova vida e que se não fazemos mais o que repreendemos hoje, podemos ter feito em vidas passadas.
A Doutrina Cristã, repaginada pelo Espiritismo, é consoladora na medida que não julga ninguém, mas dota todo Espírita de maturidade espiritual, de responsabilização de suas ações. Abre as portas da redenção para aquele que deseja acertar e continuar sua vida, se renovando dia a dia, como Emmanuel nos diz nesta mensagem.
Em última análise, esta mensagem vale para nossos ideais pessoais a serem conquistados nesta vida, que em geral não se constituem fáceis de realizar. Então, que possamos sempre encarar os obstáculos que são o cadinho da bela obra que vai se construindo à medida que vamos trabalhando em prol dela. Sejamos vitoriosos sobre nós mesmos, não nos deixando levar pelos pequenos fracassos ou demora nas coisas darem certo, mesmo que estejamos trabalhando duro para realizá-las.
Caminhemos “devagar, mas sempre”.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide Cap. 10, itens 11 a 13 de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

PARTICIPAÇÃO EM EVENTO ESPÍRITA

Prezados(as) amigos (as) leitores(as) deste blog,

No domingo passado (19/08/18), estive participando de um Seminário Espírita.

Daremos sequência às  nossas postagens, no dia 26/08/18, com a Nossa Reflexão sobre a mensagem de número 62, intitulada Devagar, mas sempre.

Conto com a compreensão dos amigos e amigas.
Atenciosamente grato.

Domício

domingo, 12 de agosto de 2018

NUNCA DESFALECER


61
NUNCA DESFALECER
Orar sempre e nunca desfalecer.
LUCAS (18:1).
Não permitas que os problemas externos, inclusive os do próprio corpo, te inabilitem para o serviço da tua iluminação.
Enquanto te encontras no plano de exercício, qual a crosta da Terra, sempre serás defrontado pela dificuldade e pela dor.
A lição dada é caminho para novas lições.
Atrás do enigma resolvido, outros enigmas aparecem.
Outra não pode ser a função da escola, senão ensinar, exercitar e aperfeiçoar.
Enche-te, pois, de calma e bom ânimo, em todas as situações.
Foste colocado entre obstáculos mil de natureza estranha, para que, vencendo inibições fora de ti, aprendas a superar as tuas limitações.
Enquanto a comunidade terrestre não se adaptar à nova luz, respirarás cercado de lágrimas inquietantes, de gestos impensados e de sentimentos escuros.
Dispõe-te a desculpar e auxiliar sempre, a fim de que não percas a gloriosa oportunidade de crescimento espiritual.
Lembra-te de todas as aflições que rodearam o espírito cristão, no mundo, desde a vinda do Senhor.
Onde está o Sinédrio que condenou o Amigo Celeste à morte?
Onde os romanos vaidosos e dominadores?
Onde os verdugos da Boa Nova nascente?
Onde os guerreiros que fizeram correr, em torno do Evangelho, rios escuros de sangue e suor?
Onde os príncipes astutos que combateram e negociaram, em nome do Renovador Crucificado?
Onde as trevas da Idade Média?
Onde os políticos e inquisidores de todos os matizes, que feriram em nome do excelso Benfeitor?
Arrojados pelo tempo aos despenhadeiros de cinza, fortaleceram e consolidaram o pedestal de luz, em que a figura do Cristo resplandece, cada vez mais gloriosa, no governo dos séculos.
Centraliza-te no esforço de ajudar no bem comum, seguindo com a tua cruz, ao encontro da ressurreição divina. Nas surpresas constrangedoras da marcha, recorda que, antes de tudo, importa orar sempre, trabalhando, servindo, aprendendo, amando, e nunca desfalecer.
NOSSA REFLEXÃO
Como diz Emmanuel, nesta mensagem: “Outra não pode ser a função da escola, senão ensinar, exercitar e aperfeiçoar”. Estamos numa Escola chamada Terra e com uma direção divina. Numa escola, há todo tipo de aprendizagens, particularmente a da relação interpessoal. Já tivemos e temos Professores, de todas as áreas, trabalhando para o desenvolvimento humano. Então, somos chamados a nos exercitar diariamente frente aos estudos, além de outros, relativos ao desenvolvimento moral. Há várias estratégias de proposições educativas no seio da sociedade da qual fazemos parte. Toda atividade é feita em conjunto, ou é afetada, com humanos como nós, aprendizes da Lei de Deus.
Nesta relação, podemos sofrer consequências de outras vidas, e desta, no sentido de revermos nossas ações pretéritas. Somo convidados a conviver, ajudando, com a dor do outro, e com a nossa também. Entretanto, como Emmanuel nos fala: “Nas surpresas constrangedoras da marcha, recorda que, antes de tudo, importa orar sempre, trabalhando, servindo, aprendendo, amando, e nunca desfalecer”.
Seguir o Mestre, nesta Escola, significa optar pela elevação espiritual e Ele nos enfatizou: “Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo”[1] (Mateus, 11:28 a 30). Então, que possamos seguir com a nossa cruz[2], sabendo que todos tem a sua, e, principalmente, que somos Espíritos ainda imperfeitos, e por isso, sujeitos a cair, mas com a responsabilidade de sempre levantar, pensando que fomos criados simples e ignorantes para atingirmos a pureza espiritual[3].
Sigamos, assim, fervorosos de que podemos ser fortes nos momentos mais difíceis, sempre desculpando o estágio evolutivo daqueles que Deus colocou em nosso caminho para nos ajudar a vencer nossas imperfeições, e que são nossos irmãos para os quais Deus nos colocou nos seus caminhos para também ajudá-los a crescer. Mas que não sejamos aqueles que os cobra porque não aceitamos como eles são. Sejamos sempre, com todos, inclusive conosco mesmos, sempre brandos e pacíficos (Mateus, 5:5 e 5:9 – O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IX).
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Allan Kardec nos explica esta exortação do Cristo no cap. VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
[2] O Cristo nos disse: “E quem quer que não carregue a sua cruz e me siga, não pode ser meu discípulo (Lucas, 14:27). Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXIII, temos as explicações espíritas sobre essa passagem evangélica.
[3] Sobre isso, Emmanuel, no faz refletir ao nos propor: “Suportar a nossa cruz será tolerar as tendências inferiores que ainda nos caracterizam, sem acalentá-las, mas igualmente sem condenar-nos”. Do livro Rumo Certo, por Chico Xavier. FEB.

domingo, 5 de agosto de 2018

ESMOLA


60
ESMOLA
Dai antes esmola do que tiverdes.
Jesus (LUCAS, 11:41).
A palavra do Senhor está sempre estruturada em luminosa beleza que não podemos perder de vista.
No capítulo da esmola, a recomendação do Mestre, dentro da narrativa de Lucas, merece apontamentos especiais.
"Dai antes esmola do que tiverdes."
Dar o que temos é diferente de dar o que detemos.
A caridade é sublime em todos os aspectos sob os quais se nos revele e em circunstância alguma devemos esquecer a abnegação admirável daqueles que distribuem pão e agasalho, remédio e socorro para o corpo, aprendendo a solidariedade e ensinando-a.
É justo, porém, salientar que a fortuna ou a autoridade são bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem.
O Dono de todo o poder e de toda a riqueza no Universo é Deus, nosso Criador e Pai, que empresta recursos aos homens, segundo os méritos ou as necessidades de cada um.
Não olvidemos, assim, as doações de nossa esfera íntima e perguntemos a nós mesmos:
Que temos de nós próprios para dar?
Que espécie de emoção estamos comunicando aos outros?
Que reações provocamos no próximo?
Que distribuímos com os nossos companheiros de luta diária?
Qual é o estoque de nossos sentimentos?
Que tipo de vibrações espalhamos?
Para difundir a bondade, ninguém precisa cultivar riso estridente ou sorrisos baratos, mas, para não darmos pedras de indiferença aos corações famintos de pão da fraternidade, é indispensável amealhar em nosso espírito as reservas da boa compreensão, emitindo o tesouro de amizade e entendimento que o Mestre nos confiou em serviço ao bem de quantos nos rodeiam, perto ou longe.
É sempre reduzida a caridade que alimenta o estômago, mas que não esquece a ofensa, que não se dispõe a servir diretamente ou que não acende luz para a ignorância.
O aviso do Instrutor Divino nas anotações de Lucas significa: dai esmola de vossa vida íntima, ajudai por vós mesmos, espalhai alegria e bom ânimo, oportunidade de crescimento e elevação com os vossos semelhantes, sede irmãos dedicados ao  próximo, porque, em verdade, o amor que se irradia em bênçãos de felicidade e trabalho, paz e confiança, é sempre a dádiva maior de todas.
NOSSA REFLEXÃO
Neste mundo de provas e expiações, sempre estamos sendo convidado a nos desprender de bens materiais em favor dos que nos rodeiam e nos procuram para mitigar a fome, o frio, entre outras necessidades. Já nos sensibilizamos, no atual estágio espiritual, às necessidades materiais de nossos irmãos carentes. Isto já é um salto. Todavia, Jesus nos chama a atenção para o que de fato temos de nosso. E Emmanuel nos esclarece, mais detidamente sobre as nossas reais propriedades. Sobre isso, o Espirito Isabel de França nos esclarece, também:
A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem, mesmo, nas palavras de consolação que lhe aditeis. Não, não é apenas isso o que Deus exige de vós. A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo. Podeis ainda exercitar essa virtude sublime com relação a seres para os quais nenhuma utilidade terão as vossas esmolas, mas que algumas palavras de consolo, de encorajamento, de amor, conduzirão ao Senhor supremo[1].
O Espírito Cáritas corrobora com Isabel de França quando nos chama a atenção para o significado da palavra/ação “esmola”:
Várias maneiras há de fazer-se a caridade, que muitos dentre vós confundem com a esmola. Diferença grande vai, no entanto, de uma para outra. A esmola, meus amigos, é algumas vezes útil, porque dá alívio aos pobres; mas é quase sempre humilhante, tanto para o que a dá, como para o que a recebe. A caridade, ao contrário, liga o benfeitor ao beneficiado e se disfarça de tantos modos! Pode-se ser caridoso, mesmo com os parentes e com os amigos, sendo uns indulgentes para com os outros, perdoando-se mutuamente as fraquezas, cuidando não ferir o amor-próprio de ninguém[2].
Conforme Emmanuel, concordando com os Espíritos aqui citados, a melhor esmola é a que damos do que espiritualmente temos, que verdadeiramente nos pertence. Ele, nesta mensagem, nos faz refletir quando nos diz que “dar o que temos é diferente de dar o que detemos”.
Não significa que devemos desprezar a esmola material, mas que devemos evoluir nos exercitando a dar esmola moral do que já adquirimos. Sobre isso, a Irmã Rosália diferencia bem para nós:
(...) Desejo compreendais bem o que seja a caridade moral, que todos podem praticar, que nada custa, materialmente falando, porém, que é a mais difícil de exercer-se. A caridade moral consiste em se suportarem umas às outras as criaturas e é o que menos fazeis nesse mundo inferior, onde vos achais, por agora, encarnados. Grande mérito há, crede-me, em um homem saber calar-se, deixando fale outro mais tolo do que ele. É um gênero de caridade isso. Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira se escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso de desdém com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se supõem acima de vós, quando na vida espírita, a única real, estão, não raro, muito abaixo, constitui merecimento, não do ponto de vista da humildade, mas do da caridade, porquanto não dar atenção ao mau proceder de outrem é caridade moral. Essa caridade, no entanto, não deve obstar à outra (...)[3].
Que possamos ser caridosos do modo mais amplo possível.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide na íntegra a mensagem em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Trad. Guillon Ribeiro, FEB, 2013), Cap. XI, Item 14.
[2] Vide na íntegra a mensagem em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XII, Item 14.
[3] Vide na íntegra a mensagem em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII, Item 9.

domingo, 29 de julho de 2018

PALAVRAS DA VIDA ETERNA


59
PALAVRAS DA VIDA ETERNA
Tu tens as palavras da vida eterna.
Simão Pedro. (JOÃO. 6:68.)
Rodeiam-te as palavras, em todas as fases da luta e em todos os ângulos do caminho.
Frases respeitáveis que se referem aos teus deveres.
Verbo amigo trazido por dedicações que te reanimam e consolam.
Opiniões acerca de assuntos que te não dizem respeito.
Sugestões de variadas origens.
Preleções valiosas.
Discursos vazios que os teus ouvidos lançam ao vento.
Palavras faladas... Palavras escritas...
Dentre as expressões verbalistas articuladas ou silenciosas, junto das quais a tua mente se desenvolve, encontrarás, porém, as palavras da vida eterna.
Guarda teu coração à escuta.
Nascem do amor insondável do Cristo, como a água pura do seio imenso da Terra.
Muitas vezes te manténs despercebido e não lhes assinalas o aviso, o cântico, a lição e a beleza.
Vigia no mundo, isolado de ti mesmo, para que lhes não percas o sabor e a claridade.
Exortam-te a considerar a grandeza de Deus e a viver de conformidade com as Suas Leis.
Referem-se ao Planeta como sendo nosso lar e à Humanidade como sendo a nossa família.
Revelam no amor o laço que nos une a todos.
Indicam no trabalho o nosso roteiro de evolução e aperfeiçoamento.
Descerram os horizontes divinos da vida e ensinam-nos a levantar os olhos para o mais alto e para o mais além.
"Palavras, palavras, palavras..."
Esquece aquelas que te incitam à inutilidade, aproveita quantas te mostram as obrigações justas e te ensinam a engrandecer a existência, mas não olvides as frases que te acordam para a luz e para o bem; elas podem penetrar o nosso coração, através de um amigo, de uma carta, de uma página ou de um livro, mas, no fundo, procedem sempre de Jesus, o Divino Amigo das Criaturas.
Retém contigo as palavras da vida eterna, porque são as santificadoras do espírito, na experiência de cada dia, e, sobretudo, o nosso seguro apoio mental nas horas difíceis das grandes renovações.
NOSSA REFLEXÃO
Filtrar, eis a regra da felicidade e para o trabalho a ser realizado com sucesso. Nós somos bombardeados pelos mais distintos veículos de comunicação, sejam provenientes dos meios empresariais, sejam das redes sociais, sejam daqueles preocupados com o engrandecimento espiritual, na mídia ou nos centros religiosos. Além destes, que se traduzem por sons, vozes, imagens, há os que nos afetam silenciosamente, mas nos falam muito. Como diz Emmanuel, existem aquelas palavras que são despretensiosas, mas estão cheias de expressões de Deus.
Se quisermos ganhar a vida, na vida, devemos valorizar realmente o que nos convém, pois somos inúmeras vezes encantados com as facilidades e desestimulados pelas provas da paciência, fé e esperança que também são palavras da vida eterna. Jesus nos falou: Buscai primeiramente o Reino e a sua Justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o amanhã, pois o amanhã se inquietará consigo mesmo! Basta a cada dia o seu mal[1](Mateus, 6: 33 e 34).
Sejamos, então, mais cuidadosos com o que escutamos e falemos e façamos somente aquilo que contribuirão para a nossa vida eterna, que podem ser, como assegura Emmanuel, nesta mensagem, “o nosso seguro apoio mental nas horas difíceis das grandes renovações”.
Que Deus nos ajude a ser um bom filtro.
Domício.


[1] O Novo Testamento (Tradução de Haroldo Dutra Dias. Brasília: FEB, 2013). Vide interpretação de A. Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 25, itens 6-8.

domingo, 22 de julho de 2018

DISCÍPULOS


58
DISCÍPULOS
E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo.
Jesus. (Lucas. 14:27.)
Os círculos cristãos de todos os matizes permanecem repletos de estudantes que se classificam no discipulado de Jesus, com inexcedível entusiasmo verbal, como se a ligação legítima com o Mestre estivesse circunscrita à problema de palavras.
Na realidade, porém, o Evangelho não deixa dúvidas a esse respeito.
A vida de cada criatura consciente é um conjunto de deveres para consigo mesma, para com a família de corações que se agrupam em torno dos seus sentimentos e para com a Humanidade inteira.
E não é tão fácil desempenhar todas essas obrigações com aprovação plena das diretrizes evangélicas.
Imprescindível se faz eliminar as arestas do próprio temperamento, garantindo o equilíbrio que nos é particular, contribuir com eficiência em favor de quantos nos cercam o caminho, dando a cada um o que lhe pertence, e servir à comunidade, de cujo quadro fazemos parte.
Sem que nos retifiquemos, não corrigiremos o roteiro em que marchamos.
Árvores tortas não projetam imagens irrepreensíveis.
Se buscamos a sublimação com o Cristo, ouçamos os ensinamentos divinos. Para sermos discípulos dele é necessário nos disponhamos com firmeza a conduzir a cruz de nossos testemunhos de assimilação do bem, acompanhando-lhe os passos.
Aprendizes existem que levam consigo o madeiro das provas salvadoras, mas não seguem o Senhor por se confiarem à revolta através do endurecimento e da fuga.
Outros aparecem, seguindo o Mestre nas frases bem-feitas, mas não carregam a cruz que lhes toca, abandonando-a à porta de vizinhos e companheiros.
Dever e renovação.
Serviço e aprimoramento.
Ação e progresso.
Responsabilidade e crescimento espiritual.
Aceitação dos impositivos do bem e obediência aos padrões do Senhor.
Somente depois de semelhantes aquisições é que atingiremos a verdadeira comunhão com o Divino Mestre.
NOSSA REFLEXÃO
Somos todos endividados com a Lei de Deus, mas temos que seguir em frente colaborando e se modificando, paulatinamente, refletindo sobre as nossas ações, como se tivéssemos, e estamos, numa escola de aperfeiçoamento moral.
Então, não galgaremos lugares mais altos na hierarquia espiritual se não nos desfizermos de nossas capas que se acumularam ao longo de nossas vidas sucessivas. Podemos nos prontificar para o trabalho, de boa vontade, mas seremos convidados a nos despir de nossas imperfeiçoes que atrapalharam nosso caminhar em nossa senda espiritual. Ser um discípulo requer iniciação, vontade de mudar interiormente; e para isso, os testes nos alcançam naturalmente, pois os pedimos ao nos candidatar ao discipulado, sabendo que não ia ser simples essa tarefa.
Vejamos os exemplos dos que nos mostraram como é ser Apóstolo, como é o caso de Paulo e tantos outros. Mas Paulo é um exemplo dos mais vivos de mortificação de si mesmo. Outro exemplo foi Madalena que teve uma transformação digna de ser seguida.
Que nós possamos, frente aos nossos deveres diários e às situações as mais tensas possíveis, refletir como nos comportamos como cristãos. Que saibamos reconhecer os momentos de modificações interiores para seguir Jesus como discípulos pequenos, mas autotransformadores[1], eliminando o orgulho e o egoísmo em nós e sendo resistentes a dor, às humilhações, às incompreensões, às injustiças e às calúnias, bem como toda forma de apedrejamentos sem pedras (nosso trabalho já foi melhorado, pois no tempo dos primeiros discípulos eles recebiam pedras de verdade, mesmo).
Que Deus nos ajude.
Domício.

[1]Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más” (Allan Kardec in O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, item 4).

domingo, 15 de julho de 2018

APÓSTOLOS

57
APÓSTOLOS
Porque tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens.
Paulo (I CORÍNTIOS, 4:9).
O apóstolo é o educador por excelência. Nele residem a improvisação de trabalho e o sacrifício de si mesmo para que a mente dos discípulos se transforme e se ilumine, rumo à Esfera superior.
O legislador formula decretos que determinam o equilíbrio e a justiça na zona externa do campo social.
O administrador dispõe dos recursos materiais e humanos, acionando a máquina dos serviços terrestres.
O sacerdote ensina ao povo as maneiras da fé, em manifestações primárias.
O artista embeleza o caminho da inteligência, acordando o coração para as mensagens edificantes que o mundo encerra em seu conteúdo de espiritualidade.
O cientista surpreende as realidades da Sabedoria divina criadas para a evolução da criatura e revela-lhes a expressão visível ou perceptível ao conhecimento popular.
O pensador interroga, sondando os fenômenos passageiros.
O médico socorre a carne enfermiça.
O guerreiro disciplina a multidão e estabelece a ordem.
O operário é o ativo menestrel das formas, aperfeiçoando os vasos destinados à preservação da vida.
Os apóstolos, porém, são os condutores do espírito.
Em todas as grandes causas da humanidade, são instituições vivas do exemplo revelador, respirando no mundo das causas e dos efeitos, oferecendo em si mesmos a essência do que ensinam, a verdade que demonstram e a claridade que acendem ao redor dos outros. Interferem na elaboração dos pensamentos dos sábios e dos ignorantes, dos ricos e dos pobres, dos grandes e dos humildes, renovando-lhes o modo de crer e de ser, a fim de que o mundo se engrandeça e se santifique. Neles surge a equação dos fatos e das idéias, de que se constituem pioneiros ou defensores, pela doação total de si próprios a benefício de todos. Por isso, passam na Terra, trabalhando e lutando, sofrendo e crescendo sem descanso, com etapas numerosas pelas cruzes da incompreensão e da dor. Representando, em si, o fermento espiritual que leveda a massa do progresso e do aprimoramento, transitam no mundo, conforme a definição de Paulo de Tarso, como se estivessem colocados pela Providência divina nos últimos lugares da experiência humana, à maneira de condenados a incessante sofrimento, pois neles estão condensadas a demonstração positiva do bem para o mundo, a possibilidade de atuação para os Espíritos Superiores e a fonte de benefícios imperecíveis para a humanidade inteira.
NOSSA REFLEXÃO
O Mestre dos Apóstolos, Ele que foi o Apóstolo de Deus, e é, deu o grande exemplo do que significa ser alguém totalmente voltado a uma causa que afeta a resistência dos poderosos de todos os matizes. Ele de fato, falou aos discípulos e, através deles, para nós, que não seria fácil segui-lo. Cada um teria que carregar sua cruz enquanto Evangelizador da humanidade[1].
Então, entre todas as atividades terrenas, todas com seu significado útil e particular, o do Apóstolo é o mais educativo, pois essa é a sua atividade primeira, mas uma atividade educativa que pretende educar o Espírito de cada um dos aprendizes de uma grande Escola chamada por nós de Terra. Os Apóstolos morrem para que os educandos vivam, cada vez mais, um clima de Amor, Justiça e Caridade. Tivemos vários na Terra, e ainda temos, que se identificam como Emmanuel caracteriza

Em todas as grandes causas da Humanidade, são instituições vivas do exemplo revelador, respirando no mundo das causas e dos efeitos, oferecendo em si mesmos a essência do que ensinam, a verdade que demonstram e a claridade que acendem ao redor dos outros. Interferem na elaboração dos pensamentos dos sábios e dos ignorantes, dos ricos e dos pobres, dos grandes e dos humildes, renovando-lhes o modo de crer e de ser, a fim de que o mundo se engrandeça e se santifique. Neles surge a equação dos fatos e das ideias, de que se constituem pioneiros ou defensores, pela doação total de si próprios a benefício de todos.
São missionários que devemos seguir para que, aprendendo como fazem, possamos futuramente fazer o mesmo. Enquanto não somos escalados para um trabalho de tamanha monta, que tenhamos a consciência que não estamos no mundo para ser o primeiro, mas aquele que deseja, mesmo em posição de liderança, ser aquele que se motiva a servir a todos, não esperando ser correspondido pelo o que faz[2].
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1]E quem quer que não carregue a sua cruz e me siga, não pode ser meu discípulo. Assim, aquele dentre vós que não renunciar a tudo o que tem não pode ser meu discípulo.” (Lucas, 14: 27). Vide interpretação de A. Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 23, item 3.
[2] Vide mensagem de Emmanuel do livro O Espírito da Verdade para a qual também fizemos uma reflexão pessoal.

domingo, 8 de julho de 2018

RENASCE AGORA

56
RENASCE AGORA
Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.
Jesus (JOÃO, 3:3).
A própria natureza apresenta preciosas lições, nesse particular. Sucedem-se os anos com matemática precisão, mas os dias são sempre novos. Dispondo, assim, de 365 ocasiões de aprendizado e recomeço, anualmente, quantas oportunidades de renovação moral encontrará a criatura, no abençoado período de uma existência?
Conserva do passado o que for bom e justo, belo e nobre, mas não guardes do pretérito os detritos e as sombras, ainda mesmo quando mascarados de encantador revestimento.
Faze por ti mesmo, nos domínios da tua iniciativa pela aplicação da fraternidade real, o trabalho que a tua negligência atirará fatalmente sobre os ombros de teus benfeitores e amigos espirituais.
Cada hora que surge pode ser portadora de reajustamento.
Se é possível, não deixes para depois os laços de amor e paz que podes criar agora, em substituição às pesadas algemas do desafeto.
Não é fácil quebrar antigos preceitos do mundo ou desenovelar o coração, a favor daqueles que nos ferem. Entretanto, o melhor antídoto contra os tóxicos da aversão é a nossa boa vontade, a benefício daqueles que nos odeiam ou que ainda não nos compreendem.
Enquanto nos demoramos na fortaleza defensiva, o adversário cogita de enriquecer as munições, mas se descemos à praça, desassombrados e serenos, mostrando novas disposições na luta, a ideia de acordo substitui, dentro de nós e em nossos passos, a escura fermentação da guerra.
Alguém te magoa? Reinicia o esforço da boa compreensão.
Alguém te não entende? Persevera em demonstrar os intentos mais nobres.
Deixa-te reviver, cada dia, na corrente cristalina e incessante do bem.
Não olvides a assertiva do Mestre: "Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”.
Renasce agora em teus propósitos, deliberações e atitudes, trabalhando para superar os obstáculos que te cercam e alcançando a antecipação da vitória sobre ti mesmo, no tempo...
Mais vale auxiliar, ainda hoje, que ser auxiliado amanhã.
NOSSA REFLEXÃO
Todos os dias temos a oportunidade de renascer, em Espírito. Somos Espíritos reencarnados com a missão de evoluir. Trouxemos, para mais uma convivência social, um leque de instruções, reflexões feitas no plano espiritual, para dar mais um passo na nossa escalada espiritual, rumo a perfeição[1].
Contudo essa viagem pode ser muito longa, mas tão rápida quanto desejarmos. Só depende de nós. Somos Espíritos ainda doentes da alma e precisamos dar conta de nossa própria cura, sem nos prendermos demais aos aleijões dos outros. Como disse Emmanuel, em outra obra: “A cura de nossos espíritos doentes e paralíticos é mais importante, porquanto se efetua com vistas à eternidade[2]. Isso não significa que não devamos nos preocupar e agir em favor dos aleijados de toda sorte. Apenas não devemos esquecer que temos aleijões graves, e espirituais, para curar em nós mesmos, pela nossa reforma íntima.
Esta mensagem nos faz lembrar dos momentos difíceis da vida, em que foi comum sairmos em nossa defesa, atacando os outros. Isto não é nada caridoso, pois todo ataque a nós é oportunidade de elevação. A misericórdia[3] que deve se desenvolver em nós, como um dos atos de amar (ser caridoso) nos ajuda a passar pelos momentos de incompreensões e injustiças (que não são nada fáceis de passar; mas se não passarmos por eles, como seremos justos e misericordiosos com os outros?)[4]. Sobre isso, nesta mensagem que ora refletimos, Emmanuel nos ajuda também a passar por esses momentos:
Enquanto nos demoramos na fortaleza defensiva, o adversário cogita de enriquecer as munições, mas se descemos à praça, desassombrados e serenos, mostrando novas disposições na luta, a ideia de acordo substitui, dentro de nós e em nossos passos, a escura fermentação da guerra”.

Então, reunamos forças para renascer agora, com todos os comprometimentos evangélicos que advém dessa tomada de decisão.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, Cap. 1, Escala Espírita (itens 100 – 112)
[2] Vide mensagem e Minha Reflexão em A cada um (Emmanuel in Caminho Verdade e Vida (Chico Xavier – FEB)
[3] O modo como recebemos as ações do próximo.
[4] Em se tratando de uma incompreensão ou uma injustiça de um(a) amigo(a) (que pode ser um parente, também), Paulo (Apóstolo) nos ajuda a passar por esse momento: “Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio; perdoar aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade; perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era. Perdoai, pois, meus amigos, a fim de que Deus vos perdoe, porquanto, se fordes duros, exigentes, inflexíveis, se usardes de rigor até por uma ofensa leve, como querereis que Deus esqueça de que cada dia maior necessidade tendes de indulgência? In: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 15.