domingo, 27 de agosto de 2017

GLORIFIQUEMOS

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GLORIFIQUEMOS
Ora, a nosso Deus e Pai seja dada glória para todo o sempre.
Paulo. FILIPENSES (4:20).
Quando o vaso se retirou da cerâmica, dizia sem palavras:
- Bendito seja o fogo que me proporcionou a solidez.
Quando o arado se ausentou da forja, afirmava em silêncio:
- Bendito seja o malho que me deu forma,
Quando a madeira aprimorada passou a brilhar no palácio, exclamava, sem voz:
- Bendita seja a lâmina que me cortou cruelmente, preparando-me a beleza.
Quando a seda luziu, formosa no templo, asseverava no íntimo:
- Bendita seja a feia lagarta que me deu vida.
Quando a flor se entreabriu, veludosa e sublime, agradeceu, apressada:
- Bendita a terra escura que me encheu de perfume.
Quando o enfermo recuperou a saúde, gritou, feliz:
- Bendita seja a dor que me trouxe a lição do equilíbrio.
Tudo é belo, tudo é grande, tudo é santo na casa de Deus.
Agradeçamos a tempestade que renova, a luta que aperfeiçoa, o sofrimento que ilumina.
A alvorada é maravilha do céu que vem após a noite na Terra.
Que em todas as nossas dificuldades e sombras seja nosso Pai glorificado para sempre.
NOSSA REFLEXÃO
Somos criaturas de Deus fadadas à perfeição[1], pois tudo que Deus faz é perfeito, mas cada um tem seu tempo próprio para reluzir. Em se tratando de inteligências, temos a opção de nos tornarmos perfeitos no tempo próprio. Cada um, então, passa pelos cadinhos particulares, conforme adequação à Lei que está gravada em nossa consciência, lembrada pelo conhecimento ou pela dor. De alguma forma somos ou fomos lembrados da Lei, seja diretamente pelos Profetas, pelo Cristo, ou por termos que vivê-la pelos processos reencarnatórios em que cada um vive a Lei de Causa e Efeito[2].
Deus nos deu o modelo de perfeição, senão vejamos, na questão 625 de O Livro dos Espíritos:
Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? “Jesus.”
Mas para chegarmos a esse topo da evolução, passamos por vários estágios evolutivos, e o da pureza espiritual é o daquele em que não há mais necessidade de reencarnarmos, como está gravado, também, em o Livro dos Espíritos, numa explicação de Allan Kardec à questão 226:
No tocante às qualidades íntimas, os Espíritos são de diferentes ordens, ou graus, pelos quais vão passando sucessivamente, à medida que se purificam. Com relação ao estado em que se acham, podem ser: encarnados, isto é, ligados a um corpo; errantes, isto é, sem corpo material e aguardando nova encarnação para se melhorarem; Espíritos puros, isto é, perfeitos, não precisando mais de encarnação.
Somos frutos de nós mesmos, e a cada reencarnação nos despojamos do peso de nossa inadequação à Lei de Deus.
Cabe a nós sermos dóceis ao cadinho da Lei e darmos graças ao nosso Pai pelo o que nos espera, em termos de felicidade espiritual. Isto faz parte da Lei de Adoração.[3]
Que Deus nos ajude.
Domício.




[1] Vide O Livro dos Espíritos, da questão 96 a 127 que trata das diferentes ordens dos Espíritos e de sua progressão.
[2] Vide algumas explicações espíritas em vídeo.
[3] Vide O Livro dos Espíritos, Livro Terceiro, As Leis Morais, cap II, questões 649 a 673.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

CERTAMENTE

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CERTAMENTE
          Certamente, cedo venho.
APOCALIPSE (22 :20).
Quase sempre, enquanto a criatura humana respira na carne jovem, a atitude que lhe caracteriza o coração para com a vida é a de uma criança que desconhece o valor do tempo.
Dias e noites são curtos para a internação em alegrias e aventuras fantasiosas. Engodos mil da ilusão efêmera lhe obscurecem o olhar e as horas se esvaem num turbilhão de anseios inúteis.
Raras pessoas escapam de semelhante perda.
Geralmente, contudo, quando a maturidade aparece e a alma já possui relativo grau de educação, o homem reajusta, apressado, a conceituação do dia.
A semana é reduzida para o que lhe cabe fazer.
Compreende que os mesmos serviços, na posição em que se encontra, se repetem a determinados meses do ano, perfeitamente recapitulados, qual ocorre às estações de frio e calor, floração e frutescência para a Natureza.
Agita-se, inquieta-se, desdobra-se, no afã de multiplicar as suas forças para enriquecer os minutos ou ampliá-los, favorecendo as próprias energias.
E, comumente, ao termo da romagem, a morte do corpo surpreendendo nos ângulos da expectativa ou do entretenimento, sem que lhe seja dado recuperar os anos perdidos.
Não te embrenhes, assim, na selva humana, despreocupado de tua habilitação à luz espiritual, ante o caminho eterno.
No penúltimo versículo do Novo Testamento, que é a Carta do Amor Divino para a Humanidade, determinou o Senhor fosse gravada pelo apóstolo a sua promessa solene: -.Certamente, cedo venho...
Vale-te, pois, do tempo e não te faças tardio na preparação.
NOSSA REFLEXÃO
O Cristo trouxe-nos uma imagem da vida como aquela que tem um objetivo não inteiramente ligado às preocupações terrenas. Sendo assim, a vida futura, a vida espiritual deve ser o alvo de todo cristão. A vida presente tem o objetivo de possibilitar ao Espírito instrumentos para sua evolução espiritual. Por isso ele disse que o Reino dele não era desse mundo, quando foi interpelado por Herodes, quando da sua condenação[1].
Então, devemos viver em função de alcançar esse Reino Divino prometido por Jesus Cristo. O tempo urge e talvez venhamos a sermos pegos de surpresa pela morte do corpo e ficarmos decepcionado por, estando do lado espiritual, não nos sentir dignos, pela própria consciência, do Reino de Deus.
Que sejamos espertos em entender que o Cristo já veio novamente e se encontra entre nós, como sempre esteve; mas agora, retomando sobre o que pudemos fazer por nós mesmos, e pelo semelhante, depois de Sua segunda vinda, com o Advento do Espiritismo.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] João (18: 33, 36 e 37). Vide interpretação de Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 2.

domingo, 20 de agosto de 2017

ESTEJAMOS CONTENTES

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ESTEJAMOS CONTENTES
Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.
Paulo. (1 TIMÓTEO, 6:8.)
O monopolizador de trigo não poderá abastecer-se à mesa senão de algumas fatias de pão, para saciar as exigências da sua fome.
O proprietário da fábrica de tecidos não despenderá senão alguns metros de pano para a confecção de um costume, destinado ao próprio uso.
Ninguém deve alimentar-se ou vestir-se pelos padrões da gula e da vaidade, mas sim de conformidade com os princípios que regem a vida em seus fundamentos naturais.
Por que esperas o banquete, a fim de ofereceres algumas migalhas ao companheiro que passa faminto?
Por que reclamas um tesouro de moedas na retaguarda, para seres útil ao necessitado?
A caridade não depende da bolsa. É fonte nascida no coração.
É sempre respeitável o desejo de algo possuir no mealheiro para socorro do próximo ou de si mesmo, nos dias de borrasca e insegurança, entretanto, é deplorável a subordinação da prática do bem ao cofre recheado.
Descerra, antes de tudo, as portas da tua alma e deixa que o teu sentimento fulgure para todos, à maneira de um astro cujos raios iluminem, balsamizem, alimentem e aqueçam.
A chuva, derramando-se em gotas, fertiliza o solo e sustenta bilhões de vidas. Dividamos o pouco, e a insignificância da boa-vontade, amparada pelo amor, se converterá com o tempo em prosperidade comum.
Algumas sementes, atendidas com carinho, no curso dos anos, podem dominar glebas imensas.
Estejamos alegres e auxiliemos a todos os que nos partilhem a marcha, porque, segundo a sábia palavra do apóstolo, se possuímos a graça de contar com o pão e com o agasalho para cada dia, cabe-nos a obrigação de viver e servir em paz e contentamento.
NOSSA REFLEXÃO
Diz um dito popular que “o pouco com Deus é muito”. Sábio dito que Emmanuel corrobora nesta mensagem. A partilha cristã não pede muito. Cada um, em suas necessidades, pode repartir o pouco que tem, pois o mais virá no tempo certo.
Diz outro dito milenar baseado em. Pedro (I Pedro, 4:8), quando referenda que “o Amor cobre uma multidão de pecados”.
O pouco é o suficiente para tomar proporções incomensuráveis, pois nunca o pouco está sozinho. Ele é capaz de se agigantar a ponto de transformar o impossível no possível. Lembremos do óbolo da viúva[1], do grão de mostarda[2], a divisão dos peixes e pães na oportunidade do Sermão da Montanha[3].
Que saibamos multiplicar o pouco talento que temos, pois o que temos é o suficiente para fazer o que viemos fazer na Terra, numa existência. A prodigalidade, quando existe, também deve ser administrada para que suas partes sejam frutíferas e saciem as necessidades de quem administra e dos que lhe são beneficiados.
Que sejamos gratos com o pouco, pois o muito (que também não é tanto, pois temos que dividi-lo, pois não é nosso) vem em seguida.
Que Deus não nos deixe cair em tentação da ostentação do que não é nosso e nem da lamúria pelo que nos falta, pois a falta significa o muito que desprezamos ou não soubemos administrar visando nossa evolução espiritual.
Domício.




[1] Marcos (12: 41 a 44); Lucas (21: 1 a 4). Vide interpretação por Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 13, Item 6.
[2] Mateus (17: 14 a 19). Vide interpretação por Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 19, Item 2.
[3] Mateus (15: 32 a 39).

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

OBREIROS ATENTOS

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OBREIROS ATENTOS
Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, esse tal será bem-aventurado em seus feitos.
TIAGO, 1 :25.
O discípulo da Boa Nova, que realmente comunga com o Mestre, antes de tudo compreende as obrigações que lhe estão afetas e rende sincero culto à lei de liberdade, ciente de que ele mesmo recolherá nas leiras do mundo o que houver semeado. Sabe que o juiz dará conta do tribunal, que o administrador responderá pela mordomia e que o servo se fará responsabilizado pelo trabalho que lhe foi conferido. E, respeitando cada tarefeiro do progresso e da ordem, da luz e do bem, no lugar que lhe é próprio, persevera no aproveitamento das possibilidades que recebeu da Providência Divina, atencioso para com as lições da verdade e aplicado às boas obras de que se sente encarregado pelos Poderes Superiores da Terra.
Caracterizando-se por semelhante atitude, o colaborador do Cristo, seja estadista ou varredor, está integrado com o dever que lhe cabe, na posição de agir e servir, tão naturalmente quanto comunga com o oxigênio no ato de respirar.
Se dirige, não espera que outros lhe recordem os empreendimentos que lhe competem. Se obedece, não reclama instruções reiteradas, quanto às atribuições que lhe são deferidas na disposição regimental dos trabalhos de qualquer natureza. Não exige que o governo do seu distrito lhe mande adubar a horta, nem aguarda decretos para instruir-se ou melhorar-se.
Fortalecendo a sua própria liberdade de aprender, aprimorar-se e ajudar a todos, através da inteira consagração aos nobres deveres que o mundo lhe confere, faz-se bem-aventurado em todas as suas ações, que passam a produzir vantagens substanciais na prosperidade e elevação da vida comum.
Semelhante seguidor do Evangelho, de aprendiz do Mestre passa à categoria dos obreiros atentos, penetrando em glorioso silêncio nas reservas sublimes do Celeste Apostolado.
NOSSA REFLEXÃO
No decorrer de nossa evolução espiritual, ocupamos os diversos setores da vida social. Ora ocupamos um lugar de superioridade, ora de inferioridade. Seja na família ou no trabalho. Em cada lugar desse, passamos pelas as mais diferentes experiências que nos fazem pensar como faríamos se estivéssemos no lugar do outro. Ou seja, a posição em que ocupamos é de muito valor para nossa evolução, pois nos levar à prática da caridade, incondicionalmente.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 17 (Sede Perfeitos), item 9, François, Nicolas, Madeleine, Cardeal de Morlot nos traz uma mensagem, intitulada “Os Superiores e os Inferiores”, da qual fazemos um recorte, como segue:
O superior, que se ache compenetrado das palavras do Cristo, a nenhum despreza dos que lhe estejam submetidos, porque sabe que as distinções sociais não prevalecem às vistas de Deus. Ensina-lhe o Espiritismo que, se eles hoje lhe obedecem, talvez já lhe tenham dado ordens, ou poderão dar-lhas mais tarde, e que ele então será tratado conforme os haja tratado, quando sobre eles exercia autoridade. Se o superior tem deveres a cumprir, o inferior, de seu lado, também os tem e não menos sagrados. Se for espírita, sua consciência ainda mais imperiosamente lhe dirá que não pode considerar-se dispensado de cumpri-los, nem mesmo quando o seu chefe deixe de dar cumprimento aos que lhe correm, porquanto sabe muito bem não ser lícito retribuir o mal com o mal e que as faltas de uns não justificam as de outrem.
Que fiquemos atentos às nossas obrigações aonde formos convidados a contribuir, e ganhemos em salários do trabalhador da última hora (enquanto espíritas).
Que Deus, Jesus Cristo e nosso Anjo da Guarda, assessorados pelos mentores amigos nos ajudem a não esquecer de sermos cristãos, seja qual for a posição que estivermos.

Domício.

domingo, 13 de agosto de 2017

PELOS FRUTOS

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PELOS FRUTOS
                  Por seus frutos os conhecereis... Jesus
(MATEUS, 7:16)
Nem pelo tamanho.
Nem pela configuração.
Nem pelas ramagens.
Nem pela imponência da copa.
Nem pelos rebentos verdes.
Nem pelas pontas ressequidas.
Nem pelo aspecto brilhante.
Nem pela apresentação desagradável.
Nem pela antiguidade do tronco.
Nem pela fragilidade das folhas.
Nem pela casca rústica ou delicada.
Nem pelas flores perfumadas ou inodoras.
Nem pelo aroma atraente.
Nem pelas emanações repulsivas.
Árvore alguma será conhecida ou amada pelas aparências exteriores, mas sim pelos frutos, peja utilidade, pela produção.
Assim também nosso espírito em plena jornada...
Ninguém que se consagre realmente à verdade dará testemunho de nós pelo que parecemos, pela superficialidade de nossa vida, pela epiderme de nossas atitudes ou expressões individuais percebidas ou apreciadas de passagem, mas sim pela substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso concurso no bem geral.
- "Pelos frutos os conhecereis" - disse o Mestre.
- "Pelas nossas ações seremos conhecidos" - repetiremos nós.
NOSSA REFLEXÃO
Não importa o que falamos, ou que escrevemos, somos o que fazemos. Nossas ações são nosso cartão de entrada em qualquer parte. Lembro da passagem evangélica em que Jesus conta da separação dos homens no juízo final. Então, o Cristo lembra que estariam à sua direita só aqueles que tinham sido caridosos com os semelhantes. As exterioridades não adiantariam para sentar à direita do Senhor[1]. O Mestre que veio para os doentes, também queria que todos nós, enquanto estivéssemos encarnados, cuidando de sua própria evolução, cuidássemos também da dos irmãos. Ele também nos asseverou que “Nem todos aqueles que dizem: Senhor! Senhor! Entrarão no Reino dos Céus”, significando que as nossas superficialidades como cristãos, praticando rotinas religiosas não nos credenciam a entrar nos Reino de Deus[2].
Que sejamos árvores que dê bons frutos.
Domício.

Ps.: Sendo, hoje, o Dia dos Pais, gratos por estarmos encarnados, de ter convivido com um pai exemplar, deixo minha homenagem a ele que não sei se já retornou ao nosso convívio. Que Deus o abençoe.

AO MEU PAI, MINHA ETERNA GRATIDÃO
L. ANGEL             08/06/2010
Pai, Espírito que nem sempre respeitei,
Nessa vida em que me foste a ponte,
Onde te encontras, me conte.
Ouvir-te, hoje, seria bom, eu sei.
Fostes exemplo de retidão,
Respeito e bondade.
Decerto, não eras perfeito, em moralidade,
Mas foste objeto de minha admiração.
Que possamos logo mais
Gozarmos de outra privacidade,
Seja na Terra ou na erraticidade.
Com certeza seremos filho-pai-irmão,
Num clima de eterna gratidão,
Sintonizados com o Pai que decerto amais.




[1] Mateus (25:31 – 46). Vide interpretação de A. Kardec in O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 15, Item 3.
[2] Mateus (7:21 – 23). Vide interpretação de A. Kardec in O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 18, Item 9.

domingo, 23 de julho de 2017

ACEITA A CORREÇÃO

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ACEITA A CORREÇÃO
E, na verdade, toda correção, no presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. Paulo. (HEBREUS, 12:11).
A terra, sob a pressão do arado, rasga-se e dilacera-se, no entanto, a breve tempo, de suas leiras retificadas brotam flores e frutos deliciosos.
A árvore, em regime de poda, perde vastas reservas de seiva, desnutrindo-se e afeando-se, todavia, em semanas rápidas, cobre-se de nova robustez, habilitando-se à beleza e à fartura.
A água humilde abandona o aconchego da fonte, sofre os impositivos do movimento, alcança o grande rio e, depois, partilha a grandeza do mar.
Qual ocorre na esfera simples da Natureza, acontece no reino complexo da alma.
A corrigenda é sempre rude, desagradável, amargurosa; mas, naqueles que lhe aceitam a luz, resulta sempre em frutos abençoados de experiência, conhecimento, compreensão e justiça.
A terra, a árvore e a água suportam-na, através de constrangimento, mas o Homem, campeão da inteligência no Planeta, é livre para recebê-la e ambientá-la no próprio coração.
O problema da felicidade pessoal, por isso mesmo, nunca será resolvido pela fuga ao processo reparador.
Exterioriza-se a correção celeste em todos os ângulos da Terra.
Raros, contudo, lhe aceitam a bênção, porque semelhante dádiva, na maior parte das vezes, não chega envolvida em arminho, e, quando levada aos lábios, não se assemelha a saboroso confeito. Surge, revestida de acúleos ou misturada de fel, à guisa de remédio curativo e salutar.
Não percas, portanto, a tua preciosa oportunidade de aperfeiçoamento.
A dor e o obstáculo, o trabalho e a luta são recursos de sublimação que nos compete aproveitar.
NOSSA REFLEXÃO
Emmanuel faz uma comparação muito interessante. A natureza sofre a ação de si mesma num esforço de servir ao homem o melhor para a sua evolução. Este rasga suas entranhas buscando elementos para a sua sobrevivência e aperfeiçoamento. A natureza, apesar de sofrer a ação de si mesma e do homem, retorna ao seu explorador o melhor de si. A Lei de Deus, que é imparcial, propicia aos seus filhos a corrigenda necessária para produzir neles o melhor, a perfeição espiritual.
Entendendo que o afastamento das Leis de Deus engessa a evolução espiritual, o Pai envia seu Filho, já aprovado em todas as virtudes e designado para acompanhar a evolução dos filhos da Terra. Jesus Cristo, nosso Governador Espiritual, desceu ao nosso orbe para nos chamar a atenção para as Leis. Deixou na Terra um rastro de luz para nós seguirmos em direção à felicidade, ao Reino de Deus. Mostrou-nos, relembrando, através de parábolas e um conjunto de códigos morais, a Lei de Deus já gravada em nossas consciências[1]. Apresentou-nos o porquê de nosso afastamento e/ou desprezo das Leis de Deus. Lembrou-nos que fomos acompanhados pelos missionários que desceram à Terra para nos mostrar o caminho da perfeição e obediência às Leis. Contou-nos o que fizemos com os Profetas e a indiferença às suas exortações. As parábolas do Semeador e do Festim de Núpcias[2] nos dão conta da preocupação de Deus em nos chamar para o seu Reino e como nos comportamos diante disso.
Todavia, o Cristo, nos apresentou o sofrimento como algo esperado num planeta como o nosso, cujo estágio evolutivo de sua humanidade era condizente. Sofrimento resultante do desvio das Leis de Deus, significando o reparo, a nossa depuração espiritual. Para nos consolar deixou-nos as bem-aventuranças[3] que nos consolam e nos direcionam mais rápido ao Reino de Deus.
Como diz Emmanuel, nessa mensagem, “a dor e o obstáculo, o trabalho e a luta são recursos de sublimação que nos compete aproveitar”.
Que bem soframos nosso afastamento das Leis de Deus e usufruamos da felicidade de vivermos consonantes a Elas.
Domício.



[1] O Livro dos Espíritos. Questão 621. Onde está escrita a lei de Deus? “Na consciência”.
[2] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 17 e 18, respectivamente, uma discussão sobre essas duas parábolas.
[3] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 7 ao 10, uma discussão sobre as bem-aventuranças.

domingo, 16 de julho de 2017

CONSEGUES IR?

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CONSEGUES IR?
"Vinde a mim..."
Jesus (Mateus, 11: 28).
O crente escuta o apelo do Mestre, anotando abençoadas consolações. O doutrinador repete-o para comunicar vibrações de conforto espiritual aos ouvintes.
Todos ouvem as palavras do Cristo, as quais insistem para que a mente inquieta e o coração atormentado lhe procurem o regaço refrigerante...
Contudo, se é fácil ouvir e repetir o "vinde a mim" do Senhor, quão difícil é .ir para Ele!
Aqui, as palavras do Mestre se derramam por vitalizante bálsamo, entretanto, os laços da conveniência imediatista são demasiado fortes; além, assinala-se o convite divino, entre promessas de renovação para a jornada redentora, todavia, o cárcere do desânimo isola o espírito, através de grades resistentes; acolá, o chamamento do Alto ameniza as penas da alma desiludida, mas é quase impraticável a libertação dos impedimentos constituídos por pessoas e coisas, situações e interesses individuais, aparentemente inadiáveis.
Jesus, o nosso Salvador, estende-nos os braços amoráveis e compassivos. Com ele, a vida enriquecer-se-á de valores imperecíveis e à sombra dos seus ensinamentos celestes seguiremos, pelo trabalho santificante, na direção da Pátria Universal...
Todos os crentes registram-lhe o apelo consolador, mas raros se revelam suficientemente valorosos na fé para lhe buscarem a companhia. Em suma, é muito doce escutar o vinde a mim....
Entretanto, para falar com verdade, já consegues ir?
NOSSA REFLEXÃO
Nossa história espiritual tem mostrado o quanto tem sido difícil atender ao chamado do Cristo, que sempre existiu, pois é um chamado de Deus, tendo em vista que esse chamado está escrito nas nossas consciências, constituído em Sua Lei.
Nós vivemos presos aos ditames dos automatismos espirituais e ao imediatismo da vida presente. Então, os ruídos decorrentes desses chamados são mais altos que o chamado do Mestre. Até temos boa vontade em lhes ouvir, pois vamos aos cultos religiosos, lemos textos evangélicos, trocamos esses textos entre os amigos, mas quando a prova e/ou expiação nos bate à porta, eis que damos mais ouvidos ao que nos incomoda, e em vez de agradecer e sermos firmes com os seus ensinamentos, escutamos outras vozes ditadas pelo nosso egoísmo e outras imperfeições, como também por aqueles que nos querem ver cair. Então, somos assaltados por pensamentos quem vêm de dentro e outros que vêm de fora. Em que diz respeito aos que vêm de fora, ressaltamos os cuidados com os inimigos desencarnados que fizemos nessa ou em outras existências, bem quando tratamos com as comunicações espirituais em nossas reuniões espíritas[1].
Não é fácil atender o convite do Mestre, apesar dele nos ter dito que seu fardo é leve e seu jugo é suave (Mateus, 11:28 a 30). Mas a dificuldade não está na lição, pois se baseia na prática da caridade, conforme Allan Kardec nos assevera[2], mas, sim, em nossa relutância em desenvolver em nós as virtudes propostas nas bem-aventuranças proferidas por Jesus Cristo. Emmanuel, em sua sabedoria e indulgência, sabedor de nossas fraquezas, nos alerta para essa reflexão.
Estejamos alertas e firmes na vigilância, pois temos conhecimentos suficientes para não cairmos em tentações.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Ver O EvangelhoSegundo o Espiritismo, cap. XII, item 5 e cap. XXI, itens 6 e 7.
[2] Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 2.

domingo, 9 de julho de 2017

CADA QUAL

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CADA QUAL
Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
Paulo. I. CORINTIOS 12:4.
Em todos os lugares e posições, cada qual pode revelar qualidades divinas para a edificação de quantos com ele convivem.
Aprender e ensinar constituem tarefas de cada hora, para que colaboremos no engrandecimento do tesouro comum de sabedoria e de amor.
Quem administra, mais frequentemente pode expressar a justiça e a magnanimidade.
Quem obedece, dispõe de recursos mais amplos para demonstrar o dever bem cumprido.
O rico, mais que os outros, pode multiplicar o trabalho e dividir as bênçãos.
O pobre, com mais largueza, pode amealhar a fortuna da esperança e da dignidade.
O forte, mais facilmente, pode ser generoso, a todo instante.
O fraco, sem maiores embaraços, pode mostrar-se humilde, em quaisquer ocasiões.
O sábio, com dilatados cabedais, pode ajudar a todos, renovando o pensamento geral para o bem.
O aprendiz, com oportunidades multiplicadas, pode distribuir sempre a riqueza da boa-vontade.
O são, comumente, pode projetar a caridade em todas as direções.
O doente, com mais segurança, pode plasmar as lições da paciência no ânimo geral.
Os dons diferem, a inteligência se caracteriza por diversos graus, o merecimento apresenta valores múltiplos, a capacidade é fruto do esforço de cada um, mas o Espírito Divino que sustenta as criaturas é substancialmente o mesmo.
Todos somos suscetíveis de realizar muito, na esfera de trabalho em que nos encontramos.
Repara a posição em que te situas e atende aos imperativos do Infinito Bem. Coloca a Vontade Divina acima de teus desejos, e a Vontade Divina te aproveitará.
NOSSA REFLEXÃO
Ninguém está isento de colaborar na Obra Divina. Deus poderia trabalhar sozinho. Mas o sentido de família está na essência de Suas Leis. Ao contar com seus filhos, ele possibilita, para eles, oportunidades de aprendizados e aperfeiçoamento.
Jesus, Seu missionário maior aqui na Terra, sendo o seu Governador, também, a semelhança do Pai, distribuiu tarefas e ensinou que podíamos ser colaboradores na grande seara do Senhor (Mateus, 25:31 a 46[1]; Mateus, 20: 1 a 16[2]). Nessas duas passagens do Evangelho de Mateus, Jesus exorta-nos ao trabalho colaborativo de disseminar a assistência aos mais desvalidos, considerados por Ele aqueles a quem sua atenção é fortemente voltada, bem como considera todos como possíveis trabalhadores, desde que estejam com boa vontade para o trabalho. Como diz Emmanuel, nessa mensagem, “Todos somos suscetíveis de realizar muito, na esfera de trabalho em que nos encontramos. Repara a posição em que te situas e atende aos imperativos do Infinito Bem. Coloca a Vontade Divina acima de teus desejos, e a Vontade Divina te aproveitará”.
A ideia é fazermos a vontade do Senhor e não a nossa. Nos dispondo ao trabalho ,nossas ideias serão aproveitadas para o bem comum e aprenderemos com tudo que fizermos, fazendo a Sua vontade que está escrita em Suas Leis, como o Cristo o fez.
Que sejamos fiéis aos nosso Pai e Criador.
Domício

[1] Vide mais significados a respeito em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 15, item 3.
[2] Idem, cap. 20.