domingo, 27 de janeiro de 2019

NA INSTRUMENTALIDADE


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NA INSTRUMENTALIDADE
Como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara?
Paulo (I Coríntios, 14:7).
Cada companheiro de serviço cristão deveria considerar-se instrumento nas mãos do Divino Mestre, a fim de que a sublime harmonia do Evangelho se faça irrepreensível para a vitória completa do bem.
Todavia, se a ilimitada sabedoria do celeste Emissor se mantém soberana e perfeita, os receptores terrenos pecam por deficiências lamentáveis.
Esse tem fé, mas não sabe tolerar as lacunas do próximo.
Aquele suporta cristãmente as fraquezas do vizinho, contudo, não possui energia nem mesmo para governar os próprios impulsos.
Aquele outro é bondoso e confiante, mas foge ao estudo e à meditação, favorecendo a ignorância.
Outro, ainda, é imaginoso e entusiasta, entretanto, escapa sutilmente ao esforço dos braços.
Um é conselheiro excelente, no entanto, não santifica os próprios atos.
Outro retém brilhante verbo na pregação doutrinária, todavia, é apaixonado cultor de anedotas menos dignas com que desfigura o respeito à revelação de que é portador.
Esse estima a castidade do corpo, mas desvaira-se pela aquisição de dinheiro fácil.
Outro, mais além, conseguiu desprender-se das posses de ouro e terra, casa e moinho, mas cultiva verdadeiro incêndio na carne.
É indiscutível a nossa imperfeição de seguidores da Boa Nova.
Por isso mesmo, guardamos o título de aprendizes.
O Planeta não é o paraíso terminado e achamo-nos, por nossa vez, muito distantes da angelitude.
Todavia, obedecendo ou administrando, ensinando ou combatendo, é indispensável afinar o nosso instrumento de serviço pelo diapasão do Mestre, se não desejamos prejudicar-lhe as obras.
Evitemos a execução insegura, indistinta ou perturbadora, oferecendo-lhe plena boa-vontade na tarefa que nos cabe, e o Reino Divino se manifestará mais rapidamente onde estivermos.
NOSSA REFLEXÃO
Muito profunda a analogia, que Paulo faz, interpretados por Emmanuel, dos instrumentos musicais com a nossa disposição, como instrumentos, para compor aqueles necessários para a grande orquestra cristã regida pelo Divino Mestre Jesus.
Necessário se faz que nos afinemos, ou nos deixemos afinar, pelos ensinos de Jesus, para que não desvirtuemos a Sua celeste sinfonia. Não basta disposição, mas afinação, também. Esta mensagem pode ser relacionada, a nosso ver, com a mensagem de nº 74, intitulada “Mãos limpas”, de o livro Caminho Verdade e Vida, também de Emmanuel, psicografada por Chico Xavier. Podemos comparar as “mãos limpas” com o “espírito afinado”.
Precisamos estarmos constantemente preparados para sermos utilizados, como instrumentos do Cristo, no Seu esforço de redenção de nossa humanidade. Fazendo assim, estaremos evoluindo na direção da perfeição[1]. A hora, é qualquer hora, e será sempre a última para aqueles que se descobriram como tarefeiro do Mestre[2].
Que consigamos manter sempre limpas as mãos ou permanecer afinados com os ensinos do Cristo.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Todos nós chegaremos lá, pois conforme a questão de nº 115 de O Livro dos Espíritos, os Espíritos Puros: “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada. Outros, só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade”. Vide, também, a questão de nº 112.
[2] Vide O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 20 (Os trabalhadores da última hora).

domingo, 20 de janeiro de 2019

AVANCEMOS ALÉM


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AVANCEMOS ALÉM
Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina do Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas.
Paulo (HEBREUS, 6:1).
Aceitar o poder de Jesus, guardar certeza da própria ressurreição além da morte, reconfortar-se ante os benefícios da crença, constituem fase rudimentar no aprendizado do Evangelho.
Praticar as lições recebidas, afeiçoando a elas nossas experiências pessoais de cada dia, representa o curso vivo e santificante.
O aluno que não se retira dos exercícios no alfabeto nunca penetra o luminoso domínio mental dos grandes mestres.
Não basta situar nossa alma no pórtico do templo e aí dobrar os joelhos reverentemente; é imprescindível regressar aos caminhos vulgares e concretizar, em nós mesmos, os princípios da fé redentora, sublimando a vida comum.
Que dizer do operário que somente visitasse a porta de sua oficina, louvando-lhe a grandeza, sem, contudo, dedicar-se ao trabalho que ela reclama?
Que dizer do navio admiravelmente equipado, que vivesse indefinidamente na praia sem navegar?
Existem milhares de crentes da Boa-Nova nessa lastimável posição de estacionamento. São quase sempre pessoas corretas em todos os rudimentos da doutrina do Cristo. Creem, adoram e consolam-se, irrepreensivelmente; todavia, não marcham para diante, no sentido de se tornarem mais sábias e mais nobres. Não sabem agir, nem lutar e nem sofrer, em se vendo sozinhas, sob o ponto de vista humano.
Precavendo-se contra semelhantes males, afirmou Paulo, com profundo acerto: "Deixando os rudimentos da doutrina de Jesus, prossigamos até à perfeição, abstendo-nos de repetir muitos arrependimentos, porque então não passaremos de autores de obras mortas".
Evitemos, assim, a posição do aluno que estuda... e jamais se harmoniza com a lição, recordando também que se o arrependimento é útil, de quando em quando, o arrepender-se a toda hora é sinal de teimosia e viciação.
NOSSA REFLEXÃO
De mais longe, já viemos. Então, deixemos o descanso e continuemos a caminhada em direção ao Pai, pois dele nos afastamos, mergulhando em um mundo de provas e expiações. Já nos arrependemos demais, como Emmanuel nos lembra, como a um teimoso e viciado nas obras mortas.
Temos uma vida pela frente. Recomendam-nos as boas mentes que não nos detenhamos olhando o passado. Não é fácil, pois ele vem à mente, de quando em quando. Todavia, devemos considerar que estamos mais à frente que o que nos faz arrepender. E o arrependimento é o primeiro passo para eliminar uma falta. Não devemos parar nesse ponto[1]. Depois dele deve ter a reparação. Não basta somente pedir perdão, se mostrar arrependido.
Temos um grande terreno para cuidar, que somos nós mesmos. O trabalho é o da reforma íntima. Devemos aprender com os erros e acertos. E seguir em frente como Paulo apontou para os hebreus. A perfeição nos espera. Olhar a Deus deve ser a nossa meta. Uma existência é insuficiente para isso. Então, que sejamos disciplinados no nosso trabalho de melhoria espiritual, avançando além da nossa disposição de chegar ao nosso destino fatal: a perfeição[2].
Que Deus nos ajude nessa caminhada.
Domício.

[1] Vide as questões de nº 990 a 1002 de O Livro dos Espíritos.
[2] Vide a Escala Espírita em O Livro dos Espíritos, questões/itens de nº 100 a 113.

domingo, 13 de janeiro de 2019

QUEM SERVE, PROSSEGUE


82
QUEM SERVE, PROSSEGUE
O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.
Jesus (Marcos, 10:45).
A Natureza, em toda parte, é um laboratório divino que elege o espírito de serviço por processo normal de evolução.
Os olhos atilados observam a cooperação e o auxílio nas mais comezinhas manifestações dos reinos inferiores.
A cova serve à semente. A semente enriquecerá o homem.
O vento ajuda as flores, permutando-lhes os princípios de vida. As flores produzirão frutos abençoados.
Os rios confiam-se ao mar. O mar faz a nuvem fecundante.
Por manter a vida humana, no estágio em que se encontra, milhares de animais morrem na Terra, de hora a hora, dando carne e sangue a benefício dos homens.
Infere-se de semelhante luta que o serviço é o preço da caminhada libertadora ou santificante.
A pessoa que se habitua a ser invariavelmente servida em todas as situações, não sabe agir sozinha em situação alguma.
A criatura que serve pelo prazer de ser útil progride sempre e encontra mil recursos dentro de si mesma, na solução de todos os problemas.
A primeira cristaliza-se.
A segunda desenvolve-se.
Quem reclama excessivamente dos outros, por não estimar a movimentação própria na satisfação de necessidades comuns, acaba por escravizar-se aos servidores, estragando o dia quando não encontra alguém que lhe ponha a mesa. Quem aprende a servir, contudo, sabe reduzir todos os embaraços da senda, descobrindo trilhos novos.
Aprendiz do Evangelho que não improvisa a alegria de auxiliar os semelhantes permanece muito longe do verdadeiro discipulado, porquanto companheiro fiel da Boa Nova está informado de que Jesus veio para servir, e desvela-se, a benefício de todos, até ao fim da luta.
Se há mais alegria em dar que em receber, há mais felicidade em servir que em ser servido.
Quem serve, prossegue...
NOSSA REFLEXÃO
Jesus, o nosso estimado Mestre, sempre exemplificou a servidão construtiva que nos faz melhor a cada benefício distribuído, seja à natureza, seja aos animais, seja aos nossos semelhantes. De fato, servir nos faz mais leve, e, como Emmanuel nos ensina: “Possuímos aquilo que damos”[1]. E por esta mensagem, que ora refletimos, a cada nossa doação adquirimos mais, pois essa virtude é cada vez mais edificada em nós.
Fazer por si, também é muito importante, pois, além de dar o exemplo aos que nos rodeiam e acompanham, não nos tornamos estorvos para os outros. Temos, ainda, a vantagem de aprendermos mais e evoluirmos, trabalhando, pois o trabalho, como disseram os Espíritos da Codificação Espírita, é  “toda ocupação útil [...]”[2] Haja vista que o Cristo exaltou a necessidade de trabalharmos em Sua Seara, bem como por nós, também[3], e nos lembrou, ainda, que o Pai trabalha sem cessar, e Ele também[4].
Então, que possamos prosseguir, sempre, servindo.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide mensagem intitulada “Possuímos o que damos”, de número 117, do livro Fonte Viva (FEB), p. 353, de Emmanuel, psicografada por Chico Xavier.
[2] Vide questão nº 675 de O Livro dos Espíritos (FEB).
[3] Vide Capítulos XX e XXV de O Evangelho Segundo o Espiritismo (FEB).
[4] João (5:17).

domingo, 6 de janeiro de 2019

A CANDEIA VIVA


81
A CANDEIA VIVA
Ninguém acende a candeia e a coloca debaixo da mesa, mas no velador, e assim alumia a todos os que estão na casa. – Jesus.
MATEUS (5:15).
Muitos aprendizes interpretaram semelhantes palavras do Mestre como apelo à pregação sistemática, e desvairaram-se através de veementes discursos em toda parte. Outros admitiram que o Senhor lhes impunha a obrigação de violentar os vizinhos, através de propaganda compulsória da crença, segundo o ponto de vista que lhes é particular.
Em verdade o sermão edificante e o auxílio fraterno são indispensáveis na extensão dos benefícios divinos da fé.
Sem a palavra, é quase impossível a distribuição do conhecimento. Sem o amparo irmão, a fraternidade não se concretizará no mundo.
A assertiva de Jesus, todavia, atinge mais além.
Atentemos para o símbolo da candeia. A claridade na lâmpada consome força ou combustível.
Sem o sacrifício da energia ou do óleo não há luz.
Para nós, aqui, o material de manutenção é a possibilidade, o recurso, a vida.
Nossa existência é a candeia viva.
É um erro lamentável despender nossas forças, sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, de nossa vaidade ou de nossa limitação pessoal.
Coloquemos nossas possibilidades ao dispor dos semelhantes.
Ninguém deve amealhar as vantagens da experiência terrestre somente para si. Cada espírito provisoriamente encarnado, no círculo humano, goza de imensas prerrogativas, quanto à difusão do bem, se persevera na observância do Amor universal.
Prega, pois, as revelações do Alto, fazendo-as mais formosas e brilhantes em teus lábios; insta com parentes e amigos para que aceitem as verdades imperecíveis; mas, não olvides que a candeia viva da iluminação espiritual é a perfeita imagem de ti mesmo.
Transforma as tuas energias em bondade e compreensão redentoras para toda gente, gastando, para isso, o óleo de tua boa-vontade, na renúncia e no sacrifício, e a tua vida, em Cristo, passará realmente a brilhar.
NOSSA REFLEXÃO
Somos todos uma extensão de Deus, suas criaturas que, pelo pensamento, podem espargir luz, conforme a sintonia que têm com o Criador, como Jesus foi. O Pai se serviu dos Profetas, de Moisés, do Cristo e dos Espíritos Superiores, desencarnados, e de Allan Kardec para espalhar a luz de Sua Lei. Tudo isso, conforme nossa condição evolutiva, pois se assim não fora, seriamos ofuscado por tanta luz[1].
Emmanuel nos convida a pensar sobre a nossa condição de candeia, como os seres citados acima foram. Cada um, segundo suas possibilidades, pode contribuir para a divulgação da Doutrina dos Espíritos sem, essencialmente, ir para a tribuna.
Se fizermos de nossa boa vontade, nossas virtudes em desenvolvimento, o combustível de nós mesmos, enquanto candeia viva, atrairemos espontaneamente as pessoas em tornos de nós, para aprenderem conosco. Pois, se nosso combustível não for dessa qualidade, não haverá luz em torno de nós e nossas palavras serão só barulho nas vidas delas.
O Cristo foi exemplo vivo de suas palavras, pois, falando, instigava as pessoas a pensarem, a tornarem-se esperançosas e fervorosas. De fato, as transformava, se já tinham predisposição para tanto.
As virtudes contaminam, pois iluminam e dão segurança. Que possamos fazer mais do que falar. E ao falarmos, que sejamos os primeiros a refletir sobre o que falamos, pois somos aproveitados pelos Bons Espíritos para esclarecer as massas. Mas, com certeza, devemos ser os primeiros a se servir daquilo que falamos. Um exercício que leva uma vida toda.
Que sejamos mais vitoriosos nesta vida que nas vidas passadas e, a partir de hoje, mais que nos anos passados, desta vida.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide interpretação à passagem evangélica inspiradora de Emmanuel, para ditar essa mensagem ao Chico Xavier, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 24. Trata-se de um capítulo para tratar, exclusivamente, desse assunto.

domingo, 30 de dezembro de 2018

CORAÇÕES CEVADOS


80
CORAÇÕES CEVADOS
Cevastes os vossos corações, como num dia de matança.
Tiago (5:5).
Pela prosperidade e aperfeiçoamento do mundo, trabalha o Sol, que é a suprema expressão da Divindade vital no firmamento terrestre.
Colabora o verme na intimidade do solo, preparando ninho adequado às sementes.
Contribui a aragem, permutando o pólen das flores.
Esforça-se a água, incessantemente, entretendo a vida física e purificando-a.
Serve a árvore, florindo, frutificando e regenerando a atmosfera.
Coopera o animal, ajudando as realizações humanas, suando e morrendo para que haja vida normal no domínio da inteligência superior.
Indefectível lei de trabalho rege o universo.
O movimento e a ordem, na constância dos benefícios, constituem-lhe as características essenciais.
Há, porém, milhões de pessoas que se sentem exoneradas da glória de servir.
Para semelhantes criaturas, em cujo cérebro a razão dorme embotada e vazia, trabalho significa degredo e humilhação, inferno e sofrimento. Perseguem as facilidades delituosas, com o mesmo instinto de novidade da mosca em busca de detritos.
Conseguida a solução de ordem inferior que buscavam, circunscrevem as horas e as possibilidades ao desenfreado apego de si mesmas, imitando o poço de águas estagnadas que se envenena facilmente.
No fundo, são "corações cevados", de acordo com a feliz expressão do Apóstolo. Criam teias densas de ódio e egoísmo, indiferença e vaidade, orgulho e indolência sobre si próprios, e gravitam para baixo. Descendo, descendo, pelas pesadas vibrações a que se acolhem, rolam vagarosamente para o seio das vidas inferiores, onde é natural que encontrem a exigência de muitos, que se aproveitam deles, à maneira do homem comum que se vale dos animais gordos para a matança.
NOSSA REFLEXÃO
Nós, Espíritos criados por Deus, somos fadados a perfeição, ao estado de Espíritos Puros[1]. No entanto, para chegarmos neste estado, muita luta deve ser realizada ao longo de nossa vida espiritual[2].
No caminho, muitos vão ficando por se identificarem com a vida fácil, e, se preciso, ilícita.
Como Emmanuel nos fala, nesta mensagem, no nosso mundo existem “[...] milhões de pessoas que se sentem exoneradas da glória de servir.
No entanto, segundo os Espíritos Superiores da codificação da Doutrina Espírita: “O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos". [3]
Assim, como a natureza, que trabalha sem cessar, a exemplo do Pai e o Cristo[4], devemos, por nossa vez, fazer o mesmo.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] In: O Livro dos Espíritos, questão nº 170. O que fica sendo o Espírito depois da sua última encarnação? “Espírito bem-aventurado; puro Espírito”.
[2]É um castigo a encarnação e somente os Espíritos culpados estão sujeitos a sofrê-la? A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia. É-lhes necessária, a bem deles, visto que a atividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência. Sendo soberanamente justo, Deus tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de proceder. Qualquer privilégio seria uma preferência, e toda preferência, uma injustiça; mas a encarnação, para todos os Espíritos, é apenas um estado transitório. É uma tarefa que Deus lhes impõe, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre-arbítrio. Os que desempenham com zelo essa tarefa transpõem rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da iniciação e mais cedo gozam do fruto de seus labores. Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal seja a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação e é quando se torna um castigo”. – São Luís. (Paris, 1859.).In: O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 4, Item 25.
[3] Vide questão de nº 674 e seguintes de O Livro dos Espíritos, Livro Terceiro, Das Leis Morais, Cap. III – Lei do Trabalho.
[4] “E por causa disso, os judeus perseguiam Jesus, que fazia essas [coisas] no sábado. Ele, porém, lhes respondeu: O meu Pai trabalha até agora, eu também trabalho. (João, 5: 16-17). In: O Novo Testamento (FEB – Tradução de Haroldo Dutra Dias).

domingo, 23 de dezembro de 2018

SIGAMOS A PAZ



79
SIGAMOS A PAZ
Busque a paz e siga-a.
I Pedro (3:11).
Há muita gente que busca a paz; raras pessoas, porém, tentam segui-Ia.
Companheiros existem que desejam a tranquilidade por todos os meios e suspiram por ela, situando-a em diversas posições da vida; contudo, expulsam-na de si mesmos, tão logo lhes confere o Senhor as dádivas solicitadas.
Esse pede a fortuna material, acreditando seja a portadora da paz ambicionada, todavia, com o aparecimento do dinheiro farto, tortura-se em mil problemas, por não saber distribuir, ajudar, administrar e gastar com simplicidade.
Outro roga a bênção do casamento, mas, quando o Céu lha concede, não sabe ser irmão da companheira que o Pai lhe confiou, perdendo-se através das exasperações de toda sorte.
Outro, ainda, reclama títulos especiais de confiança em expressivas tarefas de utilidade pública, mas, em se vendo honrado com a popularidade e com a expectativa de muitos, repele as bênçãos do trabalho e recua espavorido.
Paz não é indolência do corpo. É saúde e alegria do espírito.
Se é verdade que toda criatura a busca, a seu modo, é imperioso reconhecer, no entanto, que a paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor, na posição em que nos encontramos.
Recebido o trabalho que a Confiança celeste nos permite efetuar, é imprescindível saibamos usar a oportunidade em favor de nossa elevação e aprimoramento.
Disse Pedro: “Busque a paz e siga-a”.
Todavia, não existe tranquilidade real sem Cristo em nós, dentro de qualquer situação em que estejamos situados, e a fórmula de integração da nossa alma com Jesus é invariável: "Negue cada um a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Sem essa adaptação do nosso esforço de aprendizes humanos ao impulso renovador do Mestre divino, ao invés de paz, teremos sempre renovada guerra, dentro do coração.
NOSSA REFLEXÃO
No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, temos três capítulos sucessivos que abrangem essa mensagem de Emmanuel: O Cap. 25, intitulado “Buscai e achareis”; o Cap. 26, intitulado “Dai gratuitamente o que recebestes gratuitamente”; e o Cap. 27, intitulado “Pedi e obtereis”. Apesar de A. Kardec direcionar a temas específicos, temos em mente que podemos, também, relacionar a busca da paz em nós.
Senão, vejamos. O que todos, em sua vida, deseja e busca? A paz. Contudo, se a conseguimos, e, muitas vezes isso se dá, quando conquistamos o sucesso em um projeto que chega ao final, devemos compartilhar os louros e os bons resultados do mesmo. Ou seja, não devemos fazer dessa realização, desse sucesso, uma apropriação indébita, pois apesar de nosso esforço, a oportunidade de realizar o projeto, veio de Deus. Portanto, foi de graça que recebemos, mesmo com algum merecimento. Então, a parte que recebemos de graça e o resultado de nossa conquista devemos, também, dar gratuitamente, pela dedicação às pessoas que nos procuram para usufruir dos bens de nosso sucesso. E, por fim, se pedimos uma realização, a saúde, o sucesso, etc., em prece, também, obtemos. Isto foi que o Cristo nos ensinou: “Seja o que for que peçais na prece, crede que o obtereis, e vos será concedido” (Marcos, 11: 24).
Contudo, necessário se faz compreender que estas palavras de Jesus não devem ser interpretadas ao pé da letra[1].
Então, tudo que conseguimos na vida é uma oportunidade de paz a desenvolver em nós. Pois, assim, nos conectamos com o Pai no sentido de sermos seus Filhos, evangelicamente falando, como o Cristo demonstrou ser. Devemos, então, anotar o que Emmanuel nos conclama: sigamos a paz.
Que Deus nos ajude em nossa fragilidade espiritual.
Domício.


[1] Vide as interpretações kardequianas, a estes pensamentos do Mestre, nos capítulos, aqui citados, do O Evangelho Segundo o Espiritismo.

domingo, 16 de dezembro de 2018

ENXERTIA DIVINA


78
ENXERTIA DIVINA
Se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.
Paulo (Romanos, 11:23.)
Toda criatura, em verdade, é uma planta espiritual, objeto de minucioso cuidado por parte do Divino Semeador.
Cada homem, qual ocorre ao vegetal, apresenta diferenciados períodos na existência.
Sementeira, germinação, adubação, desenvolvimento, utilidade, florescência, frutificação, colheita...
Nas vésperas do fruto, desvela-se o pomicultor, com mais carinho, pelo aprimoramento da árvore.
É imprescindível haja fartura e proveito.
Na luta espiritual, em identidade de circunstâncias, o Senhor adota iguais normas para conosco.
Atingindo o conhecimento, a razão e a experiência, o Pomicultor celeste nos confere precioso recurso de enxertia espiritual, com vistas à nossa sublimação para a vida eterna.
A cada novo dia de tua experiência humana, recebes valioso concurso para que os resultados da presente encarnação te enriqueçam de luz divina pela felicidade que transmites aos outros. És, contudo, uma "árvore consciente", com independência para aceitar ou não os elementos renovadores, com liberdade para registrar a bênção ou desprezá-la.
Repara, atentamente, quantas vezes te convoca o Sublime Semeador ao engrandecimento de ti mesmo.
A enxertia do Alto procura-nos através de mil modos.
Hoje, é na palestra edificante de um companheiro.
Amanhã, será num livro amigo.
Depois, virá por intermédio de uma dádiva aparentemente insignificante da senda.
Se guardas, pois, o propósito de elevação, aproveita a contribuição do Céu, iluminando e santificando o templo íntimo. Mas, se a incredulidade por enquanto te isola a mente, enovelando-te as forças no carretel do egoísmo, o enxerto de sublimação te buscará debalde, porque ainda não produzes, nos recessos do espírito, a seiva que favorece a Vida abundante.
NOSSA REFLEXÃO
Existe em nós, a essência das Leis de Deus, que Ele, ao nos criar, já deixou impresso em nossa consciência[1]. A analogia, que Emmanuel faz em relação ao vegetal e nós, correspondendo-nos a uma “’árvore consciente’”, não poderia ser mais oportuna.
Temos um co-pomicultor que nos acompanha o crescimento durante a nossa vida corpórea, que é o Anjo da Guarda[2]. Ele, à medida que vamos nos deixando iluminar pelo que trazemos em nós (a Lei), que foi nos lembrada, periodicamente, através de Revelações[3], vai nos enxertando, em nome de Deus, ideias engrandecedoras, nos fortalecendo para que as cumpramos com vista a nossa evolução espiritual. Nem sempre dizemos Sim a elas..., pois trazemos ainda, em nós, um forte conteúdo de incredulidade, aliado ao nosso apego às motivações materiais.
Apesar de nosso esforço, um tanto diminuto, Deus, em sua infinita bondade e misericórdia, não desiste de nós, seres imperfeitos, pois Ele nos criou para sermos Espíritos Puros[4], independentes da matéria.
Que sejamos dóceis à enxertia divina, contribuindo, assim, pelo nosso melhoramento, como também ao de nossos semelhantes.
Que Deus nos ajude.
Domício.

[1] Vide questão de nº 621 de O Livro dos Espíritos: Onde está escrita a lei de Deus? Resp.: “Na consciência.”
[2] Vide questões de nº 489, 490 e 491 de O Livro dos Espíritos.
[4] “[...] “Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria, eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito maus, antes perturbadores e enredadores, do que perversos. A malícia e as inconsequências parecem ser o que neles predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos”. In: Introdução, p. 32, de O Livro dos Espíritos. Vide também a questão de nº 115, da mesma obra.