domingo, 21 de outubro de 2018

SOLIDÃO


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SOLIDÃO
O presidente, porém, disse: – Mas, que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: – Seja crucificado (MATEUS, 27:23).
À medida que te elevas, monte acima, no desempenho do próprio dever, experimentas a solidão dos cimos e incomensurável tristeza te constringe a alma sensível.
Onde se encontram os que sorriram contigo no parque primaveril da primeira mocidade? Onde pousam os corações que te buscavam o aconchego nas horas de fantasia? Onde se acolhem quantos te partilhavam o pão e o sonho, nas aventuras ridentes do início?
Certo, ficaram...
Ficaram no vale, voejando em círculo estreito, à maneira das borboletas douradas, que se esfacelam ao primeiro contato da menor chama de luz que se lhes descortine à frente.
Em torno de ti, a claridade, mas também o silêncio...
Dentro de ti, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não seres compreendido...
Tua voz grita sem eco e o teu anseio se alonga em vão.
Entretanto, se realmente sobes, que ouvidos te poderiam escutar a grande distância e que coração faminto de calor do vale se abalançaria a entender, de pronto, os teus ideais de altura?
Choras, indagas e sofres...
Contudo, que espécie de renascimento não será doloroso?
A ave, para libertar-se, destrói o berço da casca em que se formou, e a semente, para produzir, sofre a dilaceração na cova desconhecida.
A solidão com o serviço aos semelhantes gera a grandeza.
A rocha que sustenta a planície costuma viver isolada e o Sol que alimenta o mundo inteiro brilha sozinho.
Não te canses de aprender a ciência da elevação.
Lembra-te do Senhor, que escalou o Calvário, de cruz aos ombros feridos. Ninguém o seguiu na morte afrontosa, à exceção de dois malfeitores, constrangidos à punição, em obediência à justiça.
Recorda-te dele e segue...
Não relaciones os bens que já espalhaste.
Confia no infinito Bem que te aguarda.
Não esperes pelos outros, na marcha de sacrifício e engrandecimento. E não olvides que, pelo ministério da redenção que exerceu para todas as criaturas, o divino Amigo dos Homens não somente viveu, lutou e sofreu sozinho, mas também foi perseguido e crucificado.
NOSSA REFLEXÃO
Não deve existir solidão maior que falar e não ser escutado. Faz parte do exercício de aprender e ensinar. Mas ela só será sofrida se não detemos a compreensão de que todos têm o seu momento de aprofundar seus entendimentos da vida. Nem todos possuem, num determinado tempo, a nossa compreensão, que é individual, mas pertencente a um coletivo específico, e que nem sempre está reunido, pois seus membros têm ocupações voltadas para terceiros, em lugares diferentes.
O Cristo viveu a solidão da companhia de seus beneficiados, em vários momentos de sua vida, neste planeta. Contudo, tinha sua mente ligada ao nosso Criador que nos enviou.
Não nos preocupemos em convencer. Lembremos de Jesus. Veio há 2000 anos, e, até hoje, quantos já O compreenderam? Ele não se preocupou em convencer, pois falou por parábolas, deixando suas explicações, para 1853 anos depois, com a vinda do Consolador que Ele prometeu – traduzido no Espiritismo.
Entendamos que a solidão do falar sem ser escutado é um exercício de paciência, indulgência e de respeito ao ritmo do semelhante. Lembremos que, também, nos fizemos de surdos em outros momentos, bem como agora, quando não damos valor às intuições de pessoas mais esclarecidas e até mesmo às inspirações do nosso Anjo da Guarda.
Mas Emmanuel fala de outra solidão que é a do ser se elevar, deixando para trás aqueles com quem conviveu na “infância”. Um afastamento natural, decorrente das mudanças de pensamentos e hábitos ou, mesmo, do comprometimento com tarefas de maior responsabilidade. Se a tarefa é visando o bem comum, que pode ser sacrificial, com possibilidades de sofrimento carnal, com certeza a solidão ocorrerá, mas será sofrível, isto, é, passageira.
Todavia, a solidão buscada pelo sentimento de superioridade deve ser evitada, pois isto denota egoísmo. Ninguém se torna superior se afastando dos que se atrasam em sua evolução. Pelo contrário, devemos nos lembrar do Mito da Caverna, de Platão, e voltar para resgatar os que ficaram para trás. Como nos diz Um Espírito Protetor[1]:

A perfeição está toda, como disse o Cristo, na prática da caridade absoluta; os deveres da caridade alcançam todas as posições sociais, desde o menor até o maior. Nenhuma caridade teria a praticar o homem que vivesse insulado. Unicamente no contato com os seus semelhantes, nas lutas mais árduas é que ele encontra ensejo de praticá-la. Aquele, pois, que se isola priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se; não tendo de pensar senão em si, sua vida é a de um egoísta.
Então, nos elevemos com compreensão de que a elevação pode nos trazer a solidão dos que não nos acompanham. Contudo, o motivo de elevar-se deve ser sempre o de estar disponível a quem deseja fazer o mesmo.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, Item 10.

domingo, 14 de outubro de 2018

FIRMEZA E CONSTÂNCIA


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FIRMEZA E CONSTÂNCIA
Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.
Paulo (I CORÍNTIOS, 15:58).
Muita gente acredita que abraçar a fé será confiar-se ao êxtase improdutivo. A pretexto de garantir a iluminação da alma, muitos corações fogem à luta, trancando-se entre as quatro paredes do santuário doméstico, entre vigílias de adoração e pensamentos profundos acerca dos mistérios divinos, esquecendo-se de que todo o conjunto da vida é Criação Universal de Deus.
Fé representa visão.
Visão, é conhecimento e capacidade de auxiliar.
Quem penetrou a "terra espiritual da verdade", encontrou o trabalho por graça maior.
O Senhor e os discípulos não viveram apenas na contemplação.
Oravam, sim, porque ninguém pode sustentar-se sem o banho interior de silêncio, restaurando as próprias forças nas correntes superiores de energia sublime que fluem dos Mananciais Celestes.
A prece e a reflexão constituem o lubrificante sutil em nossa máquina de experiências cotidianas.
Importa reconhecer, porém, que o Mestre e os aprendizes lutaram, serviram e sofreram na lavoura ativa do bem e que o Evangelho estabelece incessante trabalho para quantos lhe esposam os princípios salvadores.
Aceitar o Cristianismo é renovar-se para as Alturas e só o clima do serviço consegue reestruturar o espírito e santificar-lhe o destino.
Paulo de Tarso, invariavelmente peremptório nas advertências e avisos, escrevendo aos coríntios, encareceu a necessidade de nossa firmeza e constância nas tarefas de elevação, para que sejamos abundantes em ações nobres com o Senhor.
Agir ajudando, criar alegria, concórdia e esperanças, abrir novos horizontes ao conhecimento superior e melhorar a vida, onde estivermos, é o apostolado de quantos se devotaram à Boa-Nova.
Procuremos as águas vivas da prece para lenir o coração, mas não nos esqueçamos de acionar os nossos sentimentos, raciocínios e braços, no progresso e aperfeiçoamento de nós mesmos, de todos e de tudo, compreendendo que Jesus reclama obreiros diligentes para a edificação de seu Reino em toda a Terra.
NOSSA REFLEXÃO
Nesta mensagem de Emmanuel, que se reporta à Paulo, numa Carta aos coríntios, traz um banho de energia a todos e todas que estão engajados(as), de modo coletivo ou “individual” (nunca estamos sozinho). Ela nos reporta, também, à outra mensagem, do Espírito Hilário Silva, psicografada por Chico Xavier e publicada no livro “O Espírito da Verdade”[1] (FEB), referindo-se a labuta incansável, mas sofrida, de A. Kardec, em que ele recebe uma carta de uma pessoa que quase se suicidava se não encontrasse O Livro dos Espíritos, próximo ao local onde iria cometer o suicídio. Foi um banho de renovação em nosso Codificador.
Quando Emmanuel encontrou-se pela primeira vez com Chico Xavier, foi logo anunciando centenas de obras psicografadas e informando ao médium que ele precisaria tão somente de muita disciplina.
Tudo isto nos faz entender que nenhum trabalho no bem se constitui apenas em prazer (em verdade, tudo que nos faz bem nos dá prazer), pois há os percalços que se constituem em momentos de aprendizagens, de exercício da fé e da perseverança.
Contudo, temos sempre, nos trabalhos de estudos, reflexão e caridade, a companhia de amigos superiores a nós, no plano espiritual, que velam pelo nosso sucesso, nos inspirando, nos dando energias que servem como bálsamo na hora do desânimo e da vacilação da fé[2].
Que sejamos, assim, firmes e constantes nos propósitos do bem.
Que Deus, o Cristo e nossos mentores espirituais nos ajudem.
Domício.



[1][1] Vide nossa reflexão sobre essa mensagem no nosso blog O Espírito da Verdade.
[2] Vide, sobre isso, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXV, Item 2.

domingo, 7 de outubro de 2018

SEMENTEIRA E CONSTRUÇÃO

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SEMENTEIRA E CONSTRUÇÃO
Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.
Paulo (I CORÍNTIOS, 3: 9).
Asseverando Paulo a sua condição de cooperador de Deus e designando a lavoura e o edifício do Senhor nos seguidores e beneficiários do Evangelho que o cercavam, traçou o quadro espiritual que sempre existirá na Terra em aperfeiçoamento, entre os que conhecem e os que ignoram a verdade divina.
Se já recebemos da Boa-Nova a lâmpada acesa para a nossa jornada, somos compulsoriamente considerados colaboradores do ministério de Jesus, competindo-nos a sementeira e a construção dele em todas as criaturas que nos partilham a estrada.
Conhecemos, pois, na essência, qual o serviço que a Revelação nos indica, logo nos aproximemos da luz cristã.
Se já guardamos a bênção do Mestre, cabe-nos restaurar o equilíbrio das correntes da vida, onde permanecemos, ajudando aos que se desajudam, enxergando algo para os que jazem cegos e ouvindo alguma coisa em proveito dos que permanecem surdos, a fim de que a obra do Reino divino cresça, progrida e santifique toda a Terra.
O serviço é de plantação e edificação, reclamando esforço pessoal e boa vontade para com todos, porquanto, de conformidade com a própria simbologia do Apóstolo, o vegetal pede tempo e carinho para desenvolver-se e a casa sólida não se ergue num dia.
Em toda parte, porém, vemos pedreiros que clamam contra o peso do tijolo e da areia e cultivadores que detestam as exigências de adubo e proteção à planta frágil.
O ensinamento do Evangelho, contudo, não deixa margem a qualquer dúvida.
Se já conheces os benefícios de Jesus, és colaborador dele, na vinha do mundo e na edificação do espírito humano para a Eternidade.
Avança na tarefa que te foi confiada e não temas. Se a fé representa a nossa coroa de luz, o trabalho em favor de todos é a nossa bênção de cada dia.
NOSSA REFLEXÃO
Grande responsabilidade Emmanuel nos dá, chamando-nos a razão de que se somos detentores do conhecimento espírita, somos trabalhadores da seara do Cristo em potencial. Inicialmente como estagiário que ainda precisa aprender como semear, como edificar. Nos inscrevemos em curso de longa duração, em que o trabalho cooperativo é de fundamental importância, e a paciência no labor é imprescindível, pois como diz Emmanuel: “O serviço é de plantação e edificação, reclamando esforço pessoal e boa vontade para com todos, porquanto, de conformidade com a própria simbologia do apóstolo, o vegetal pede tempo e carinho para desenvolver-se e a casa sólida não se ergue num dia”.
Estamos vivendo momentos críticos em nosso planeta, onde o mal ainda impera. Emmanuel já nos adiantou na década de 1940, quando da publicação do livro “Caminho Verdade e Vida”[1], que, naquela época, pelos motivos decorrentes da 2ª Guerra Mundial, adubava-se “[...] o chão com sangue e lágrimas, para a semeadura do porvir”.
Então, ainda é propícia a afirmação de que nossa humanidade está se reconstruindo, ou mesmo se edificando, visando estabelecer o Reino de Deus neste planeta que agora está no limiar de se transformar em um planeta de regeneração.
Então, todo aquele que já detém o conhecimento cristão se configura como um obreiro do Senhor, e da última hora. E no que diz respeito a nós, espíritas, o Espírito Constantino nos afirma em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX, item 2:

Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade – Constantino, Espírito protetor (Bordeaux, 1863).

Então, o que o Apóstolo Paulo nos ensinou foi ratificado pela Doutrina Espírita.
Que possamos corresponder ao chamado para o trabalho, aprendendo e ensinando, com paciência, e voltados para o que mais importa numa vida corpórea, que é praticar as Leis de Deus, se purificando a cada dia, para num século vindouro, ou milênio, sermos chamados Filhos de Deus.
Que o Pai, o Irmão Maior e todos os nossos protetores nos ajudem.
Domício.

Segue uma poesia de L. Angel sobre os trabalhadores da última hora.

OS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA
L. Angel 
Tarefa por demais pesada,
Não mais que o nosso ombro pode suportar.
Ser espírita, ser cristão, é subir a escada
Cujo topo é a felicidade a alcançar.

Trabalhadores da última hora
São os espíritas convictos e pregadores
Da Lei da reencarnação que não demora
Ser também a Lei de seus detratores.

De Moisés ao Espiritismo,
Numa evolução religiosa,
Temos o Cristianismo.

O Espiritismo redivive
As lições do Cristo, elevadas e amorosas,
Pelo verdadeiro espírita, que as vive.


[1] Vide mensagem em nosso blog Caminho, Verdade e Vida, seguida de nossa reflexão.

domingo, 30 de setembro de 2018

MODO DE SENTIR


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MODO DE SENTIR
Renovai-vos pelo espírito no vosso modo de sentir.
Paulo (EFÉSIOS, 4:23).
Há muitos séculos o homem raciocina, obediente a regras quase inalteradas, comparando fatores externos segundo velhos processos de observação; rege a vida física com grandes mudanças no setor das operações orgânicas fundamentais e maneja a palavra como quem usa os elementos indispensáveis a determinada construção de pedra, terra e cal.
Nos círculos da natureza externa, em si, as modificações em qualquer aspecto são mínimas, exceção feita ao progresso avançado nas técnicas da ciência e da indústria.
No sentimento, porém, as alterações são profundas.
Nos povos realmente educados, ninguém se compraz com a escravidão dos semelhantes, ninguém joga impunemente com a vida do próximo, e ninguém aplaude a crueldade sistemática e deliberada, quanto antigamente.
Oriundo do coração, o ideal de humanidade vem sublimando a mente em todos os climas do planeta.
O lar e a escola, o templo e o hospital, as instituições de previdência e beneficência são filhos da sensibilidade e não do cálculo.
Um trabalhador poderá demonstrar altas características de inteligência e habilidade, mas, se não possui devoção para com o serviço, será sempre um aparelho consciente de repetição, tanto quanto o estômago é máquina de digerir, há milênios.
Só pela renovação íntima, progride a alma no rumo da vida aperfeiçoada.
Antes do Cristo, milhares de homens e mulheres morreram na cruz, entretanto, o madeiro do Mestre converteu-se em luz inextinguível pela qualidade de sentimento com que o crucificado se entregou ao sacrifício, influenciando a maneira de sentir das nações e dos séculos.
Crescer em bondade e entendimento é estender a visão e santificar os objetivos na experiência comum.
Jesus veio até nós a fim de ensinar-nos, acima de tudo, que o Amor é o caminho para a Vida abundante.
Vives sitiado pela dor, pela aflição, pela sombra ou pela enfermidade? Renova o teu modo de sentir, pelos padrões do Evangelho, e enxergarás o Propósito divino da Vida, atuando em todos os lugares, com justiça e misericórdia, sabedoria e entendimento.
NOSSA REFLEXÃO
Não sabemos o que está por vir, em nossas vidas. Não temos a premonição do nosso futuro, como o Cristo tinha. E mesmo assim, quando foi traído por Judas, ofereceu ao seu escolhido, dentre outros, para ser seu divulgador da Boa Nova, a oportunidade de mudança em relação aos seus propósitos, chamando-o de amigo[1]. Compreendia-o, mesmo sabendo dos seus equivocados sentimentos.
Somos muitas vezes pegos de surpresa com atitudes negativas de amigos ou afetos de modo geral. Cabe a nós sentir de modo misericordioso, apesar da tristeza e angústia que perpassa na alma, o que nos atinge nesses momentos. E continuar considerando amigo o móvel de nossa decepção. Um amigo equivocado, como Judas foi do Mestre. O Cristo que não tinha nada a pagar, o perdoou, o que dizer em relação a nós que somos ainda muito endividados com as Leis Divinas?
Em nossa imperfeição, quantas vezes beijamos a face de um(a) amigo(a) pensando que estávamos a fazer-lhe um bem? Ou então, antecedendo um grande prejuízo a(o) amigo(a) beijado(a)? Quantas vezes nos movemos como traidores? Devemos lembrar disso, quando formos surpreendidos, pois esta será a oportunidade de sermos gratos a Deus por nos perdoar incessantemente através dos milênios.
O Cristo nos ensinou que deveríamos perdoar, não setenta vezes, mas setenta vezes sete vezes (Mateus, 18:15, 21 e 22). Ou seja, como Deus nos perdoa. Pensando nisto, o Espírito Simeão nos exorta:
Prestai, pois, ouvidos a essa resposta de Jesus e, como Pedro, aplicai-a a vós mesmos. Perdoai, usai de indulgência, sede caridosos, generosos, pródigos até do vosso amor. Dai, que o Senhor vos restituirá; perdoai, que o Senhor vos perdoará; abaixai-vos, que o Senhor vos elevará; humilhai-vos, que o Senhor fará vos assenteis à sua direita[2].

Que estejamos atentos a essas orientações do Cristo, retomadas por Allan Kardec e pelos Espíritos Superiores quando da codificação da Doutrina Espírita.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Vide mensagem de Emmanuel, do livro Caminho, Verdade e Vida, sobre este episódio, com a nossa reflexão, em Ensejo ao Bem.

domingo, 23 de setembro de 2018

ACORDAR E ERGUER-SE


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ACORDAR E ERGUER-SE
Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e o Cristo te iluminará.
Paulo (EFÉSIOS, 5:14).
Há milhares de companheiros nossos que dormem, indefinidamente, enquanto se alonga debalde para eles o glorioso dia de experiência sobre a Terra.
Percebem vagamente a produção incessante da Natureza, mas não se recordam da obrigação de algo fazer em benefício do progresso coletivo.
Diante da árvore que se cobre de frutos ou da abelha que tece o favo de mel, não se lembram do comezinho dever de contribuir para a prosperidade comum.
De maneira geral, assemelham-se a mortos preciosamente adornados.
Chega, porém, um dia em que acordam e começam a louvar o Senhor, em êxtase admirável...
Isso, no entanto, é insuficiente.
Há muitos irmãos de olhos abertos, guardando, porém, a alma na posição horizontal da ociosidade.
É preciso que os corações despertos se ergam para a vida, se levantem para trabalhar na sementeira e na seara do bem, a fim de que o Mestre os ilumine.
Esforcemo-nos por alertar os nossos companheiros adormecidos, mas não olvidemos a necessidade de auxiliá-los no soerguimento.
É imprescindível saibamos improvisar os recursos indispensáveis em auxílio dos nossos afeiçoados ou não que precisam levantar-se para as bênçãos de Jesus.
Não basta recomendar.
Quem receita serviço e virtude ao próximo, sem antes preparar-lhe o entendimento, através do espírito de fraternidade, identifica-se com o instrutor exigente, que reclama do aluno integral conhecimento acerca de determinado e valioso livro, sem antes ensiná-lo a ler.
Disse Paulo: - “Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e o Cristo te iluminará.”
E nós repetiremos: - “Acordemos para a vida superior e levantemo-nos na execução das boas obras e o Senhor nos ajudará, para que possamos ajudar os outros.”
NOSSA REFLEXÃO
A analogia que Emmanuel utiliza nessa mensagem é bem apropriada, pois o ato de levantar-se, no nosso cotidiano, em geral, é antecedido da vontade de ficar deitado, mesmo acordado. Os compromissos povoam nossa mente e, só então, nos motivamos a levantar, com a ajuda de Deus... Acordar para a vida, entendamos, é o ato de abrir os olhos, em reverência a Deus que providencia a labuta, seguido pelo levantar otimista, de modo agradecido e motivado por existir, para ser cada vez mais um verdadeiro Filho de Deus.
A compreensão de nos posicionarmos para o labor espiritual, num contexto corporal, é fundamental para que sejamos aproveitados por Deus, e pelo Cristo, nas Suas Obras, pois só assim aprenderemos a sermos verdadeiros colaboradores na Sua Seara. O Cristo não conta neste mundo só com Espíritos Superiores para dar conta de Sua Obra de humanização de seus habitantes. Aproveita-nos, se estivermos prontos para o serviço, como na Parábola dos Trabalhadores da Última Hora (Mateus, 20:1 a 16).[1]
Neste contexto, como nos diz Emmanuel: “Acordemos para a vida superior e levantemo-nos na execução das boas obras e o Senhor nos ajudará, para que possamos ajudar os outros.”
Importante refletir que nem sempre nos posicionamos para ajudar os outros com o espírito de, tão somente, colaborador. Em geral, nos posicionamos como impositores de ideias, soluções e ensinos, sem deixar que o outro, no seu tempo, assimile as sugestões ditadas, quem sabe, com a ajuda dos Bons Espíritos que nos cercam no momento da ajuda. O bom Professor, o Mestre, não impõe, media conhecimento, aponta soluções oriundas de seu estudo e prática e deixa que o aprendiz reelabore o que tem pensado sobre o que quer aprender. Assim como nós há milênios estamos a fazer com os Ensinos de Jesus Cristo. Que Paciência do Mestre!!
Entrar no campo da necessidade do aprendiz, deixando-o se manifestar para aprender melhor e nos ensinar também, é se despir da autoridade do professorado.
Então, neste planeta, ainda de provas e expiações, que possamos ser aprendizes que desejam ajudar aqueles nos cercam, também querendo aprender, ou pelo menos dispostos, como qualquer um de seus habitantes em fase evolutiva. E ergamo-nos! Pois acordados estamos há muito tempo...
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Veja as orientações dos Espíritos Superiores que trabalharam com apoio irrepreensível de Allan Kardec na codificação da 3ª Revelação (o Espiritismo), acessando O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os Trabalhadores da Última Hora).

domingo, 16 de setembro de 2018

NÃO TE ENGANES


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NÃO TE ENGANES
Olhais para as coisas, segundo as aparências? Se alguém confia de si mesmo que é do Cristo, pense outra vez isto consigo, que assim como ele é do Cristo, também nós do Cristo somos.
Paulo (II Coríntios, 10:7).
Não te enganes, acerca da nossa necessidade comum no aperfeiçoamento.
Muita vez, superestimando nossos valores, acreditamo-nos privilegiados na arte da elevação. E, em tais circunstâncias, costumamos esquecer, impensadamente, que outros estão fazendo pelo bem muito mais que nós mesmos.
O vaga-lume acende leves relâmpagos nas trevas e se supõe o príncipe da luz, mas encontra a vela acesa que o ofusca. A vela empavona-se sobre um móvel doméstico e se presume no trono absoluto da claridade, entretanto, lá vem um dia em que a lâmpada elétrica brilha no alto, embaciando-lhe a chama.
A lâmpada, a seu turno, ensoberbece-se na praça pública, mas o Sol, cada manhã, resplandece no firmamento, clareando toda a Terra e empalidecendo todas as luzes planetárias, grandes e pequenas.
Enquanto perdura a sombra protetora e educativa da carne, quase sempre somos vítimas de nossas ilusões, mas, em voltando o clarão infinito da verdade com a renovação da morte física, verificamos, ao sol da vida espiritual, que a Providência divina é glorioso amor para a Humanidade inteira.
Não troques a realidade pelas aparências.
Respeitemos cada realização em seu tempo e cada pessoa no lugar que lhe é devido.
Todos somos companheiros de evolução e aperfeiçoamento, guardados ainda entre o bem e o mal.
Onde acionarmos a nossa "parte inferior", a sombra dos outros permanecerá em nossa companhia. Da zona a que projetarmos a nossa "boa parte", a luz do próximo virá ao nosso encontro.
Cada alma é sempre uma incógnita para outra alma. Em razão disso, não será lícito erguer as paredes de nossa tranquilidade sobre os alicerces do sentimento alheio.
Não nos iludamos.
Retifiquemos em nós quanto prejudique a nossa paz íntima e estendamos braços e pensamentos fraternos, em todas as direções, na certeza de que, se somos portadores de virtudes e defeitos, nas ocasiões de juízo receberemos sempre de acordo com as nossas obras. E, compreendendo que a bondade do Senhor brilha para todas as criaturas, sem distinção de pessoas, recordemos em nosso favor e em favor dos outros as significativas palavras de Paulo:  "Se alguém confia de si mesmo que é do Cristo, pense outra vez isto consigo, porque tanto quanto esse alguém é do Cristo, também nós do Cristo somos".
NOSSA REFLEXÃO
Num mundo de relações, todos somos compelidos a elevar e abaixar nossa “luz”, de momento a momento. Como cada um de nós se diz cristão, devemos ter a consciência de que cada um pode, em determinado momento, estar bem ou mal. Acertando ou errando. Devemos nos espelhar nas boas ações e não nos determos nas más, para a crítica, na ilusão de que somos melhores de quem estamos a criticar. Estamos todos no mesmo barco. Somos Espíritas! Somos Cristãos! Espíritos endividados com a Lei e, às vezes, ainda acomodados em algumas falhas pessoais.
Aos exercermos a caridade, receberemos caridade. Não bastará dizermos que somos cristãos, para nos colocarmos em situação favorável diante do Cristo, pois como questiona o Espírito Simeão: “Será bastante trazer a libré do Senhor, para ser-se fiel servidor seu? Bastará dizer: “Sou cristão”, para que alguém seja um seguidor do Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras”[1].
Que tenhamos essa consciência no nosso dia a dia de relação.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1]Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVIII, Item 16.

domingo, 9 de setembro de 2018

SEMEADORES


64
SEMEADORES
Eis que o semeador saiu a semear.
Jesus (MATEUS. 13:3).
Todo ensinamento do divino Mestre é profundo e sublime na menor expressão. Quando se dispõe a contar a Parábola do Semeador, começa com ensinamento de inestimável importância que vale relembrar.
Não nos fala que o semeador deva agir, através do contrato com terceiras pessoas, e sim que ele mesmo saiu a semear.
Transferindo a imagem para o solo do espírito, em que tantos imperativos de renovação convidam os obreiros da boa-vontade à santificante lavoura da elevação, somos levados a reconhecer que o servidor do Evangelho é compelido a sair de si próprio, a fim de beneficiar corações alheios.
É necessário desintegrar o velho cárcere do "ponto de vista" para nos devotarmos ao serviço do próximo.
Aprendendo a ciência de nos retirarmos da escura cadeia do "eu", excursionaremos através do grande continente denominado "interesse geral". E, na infinita extensão dele, encontraremos a "terra das almas", sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir a benefício de todos.
Foi nesse roteiro que o divino Semeador pautou o ministério da luz, iniciando a celeste missão do auxílio entre humildes tratadores de animais e continuando-a através dos amigos de Nazaré e dos doutores de Jerusalém, dos fariseus palavrosos e dos pescadores simples, dos justos e dos injustos, ricos e pobres, doentes do corpo e da alma, velhos e jovens, mulheres e crianças...
Segundo observamos, o semeador do Céu ausentou-se da grandeza a que se acolhe e veio até nós, espalhando as claridades da Revelação e aumentando-nos a visão e o discernimento. Humilhou-se para que nos exaltássemos e confundiu-se com a sombra a fim de que a nossa luz pudesse brilhar, embora lhe fosse fácil fazer-se substituído por milhões de mensageiros, se desejasse.
Afastemo-nos, pois, das nossas inibições e aprendamos com o Cristo a "sair para semear".
NOSSA REFLEXÃO
Entendemos que somos aprendizes de semeadores cristãos. Já temos a boa-vontade de trabalhar no movimento em prol dos que desejam também serem iluminados pela Doutrina Espírita. No entanto, sabemos que o terreno a semear é árido, e uns recebem a Revelação como se estivessem a caminhar sem preocupações; outros parecem um terreno com pedras – até a recebem com alegria, mas as imposições sociais os levam a se afastar; e, por último, há aqueles que parece um terreno espinhoso que não deixa os frutos sobressaírem. Porém, tem aqueles que se constituem em terreno de boa vontade em que se produz bastante frutos[1].
Apesar de nos candidatarmos a sermos semeadores, precisamos refletir em qual estágio nos encontramos em relação aos diversos tipos de terreno em que o Senhor semeia Sua iluminada Boa Nova. Podemos até fazer um bom trabalho de evangelização, participando de grupos de estudos das obras básicas, proferindo palestras, mas não devemos nos descuidar de nos limpar “[...] das nossas inibições [...]” e verdadeiramente nos dispor a aprender o modo cristão de  "[...] ‘sair para semear’", como nos aponta Emmanuel nesta mensagem que estamos a refletir.
O exercício da semeadura, para o aprendiz de cristão, é um verdadeiro aprendizado no esforço de se tornar cristão, pois devemos ter boa vontade com os mais diversos tipos de terrenos a semear, inclusive nós mesmos. Pois é no exercício que vamos, no dia a dia, sendo provados se a Boa Nova já rende frutos em nós.
Que aprendamos aceitar os outros, como devemos aceitar a nós mesmos e nos alegremos com a oportunidade de sermos melhores a cada dia.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Vide interpretação de A. Kardec à Parábola do Semeador em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, Item 6, comparando os sujeitos da parábola com os mais diversos tipos de espíritas.

domingo, 2 de setembro de 2018

DIFERENÇAS


63
DIFERENÇAS
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. Jesus. (JOÃO, 13:35).
Nas variadas escolas do Cristianismo, vemos milhares de pessoas que, de alguma sorte, se ligam ao Mestre e Senhor.
Há corações que se desfazem nos louvores ao grande Médico, exaltando-lhe a intercessão divina nos acontecimentos em que se reconheceram favorecidos, mas não passam das afirmativas espetaculares, qual se vivessem indefinidamente mergulhados em maravilhosas visões.
São os simplesmente beneficiários e sonhadores.
Há temperamentos ardorosos que impressionam da tribuna, através de preleções eruditas e comoventes, em que relacionam a posição do grande Renovador, na religião, na filosofia e na história, não avançando, contudo, além dos discursos preciosos.
São os simplesmente sacerdotes e pregadores.
Há inteligências primorosas que vazam páginas sublimes de crença consoladora, arrancando lágrimas de emoção aos leitores ávidos de conhecimento revelador, todavia, não ultrapassam o campo do beletrismo religioso.
São os simplesmente escritores e intelectuais.
Todos guardam recursos e méritos especializados.
Existe, no entanto, nos trabalhos da Boa-Nova, um tipo de cooperador diferente.
Louva o Senhor com pensamentos, palavras e atos, cada dia.
Distribui o tesouro do bem, por intermédio do verbo consolador, sempre que possível.
Escreve conceitos edificantes, em torno do Evangelho, toda vez que as circunstâncias lho permitem.
Ultrapassa, porém, toda pregação falada ou escrita, agindo incessantemente na sementeira do bem, em obras de sacrifício próprio e de amor puro, nos moldes de ação que o Cristo nos legou.
Não pede recompensa, não pergunta por resultados, não se sintoniza com o mal. Abençoa e ajuda sempre.
Semelhante companheiro é conhecido por verdadeiro discípulo do Senhor, por muito amar.
NOSSA REFLEXÃO
É de grande importância o estudo. O movimento espírita se caracteriza por ter o estudo como base da evolução espiritual[1]. Também, a divulgação espírita, tanto pelo livro, como pela fala (as palestras) é um princípio basilar do movimento. Encontro de esclarecimentos gerais são realizados visando a confraternização e esclarecimentos mais aprofundados da Doutrina por estudiosos de destaque[2].
Esta mensagem do Cristo aos seus discípulos vai encontrar sua similar na Doutrina Espirita, O Consolador Prometido, dita por O Espírito de Verdade: “Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”.[3] Então, temos um compromisso com o Cristo, não só de estudar, divulgar a Doutrina, mas também de nos amarmos, nos unirmos em torno de Sua Doutrina, agora esclarecida pelo Espiritismo.
Então, as atitudes que Emmanuel cita como aquelas que caracterizam “[...] um tipo de cooperador diferente” vai encontrar respaldo nas características do Homem de Bem apresentadas por Allan Kardec quando discutiu as características da perfeição espiritual[4].
Que as nossas imperfeições sejam minimizadas pela nossa vontade de ser melhor a cada dia e possamos, cada vez mais, ampliar nossa capacidade de nos amar, uns aos outros, independentemente de credo, ou não credo, como Jesus continua nos amando.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Nas casas espíritas se estimula os estudos em grupo e tem O Estudo Sistematizado da Doutrina (ESDE)como um estudo orientado pela Federação Espírita Brasileira. Além, do ESDE, tem estudos das obras básicas em separado.
[2] Vide o canal do Youtube de Haroldo Dutra Dias, onde são postadas as suas palestras em eventos espíritas.
[3] O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 6 (O Cristo Consolador), item 5.
[4] Vide O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 17, item 3.