domingo, 23 de setembro de 2018

ACORDAR E ERGUER-SE


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ACORDAR E ERGUER-SE
Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e o Cristo te iluminará.
Paulo (EFÉSIOS, 5:14).
Há milhares de companheiros nossos que dormem, indefinidamente, enquanto se alonga debalde para eles o glorioso dia de experiência sobre a Terra.
Percebem vagamente a produção incessante da Natureza, mas não se recordam da obrigação de algo fazer em benefício do progresso coletivo.
Diante da árvore que se cobre de frutos ou da abelha que tece o favo de mel, não se lembram do comezinho dever de contribuir para a prosperidade comum.
De maneira geral, assemelham-se a mortos preciosamente adornados.
Chega, porém, um dia em que acordam e começam a louvar o Senhor, em êxtase admirável...
Isso, no entanto, é insuficiente.
Há muitos irmãos de olhos abertos, guardando, porém, a alma na posição horizontal da ociosidade.
É preciso que os corações despertos se ergam para a vida, se levantem para trabalhar na sementeira e na seara do bem, a fim de que o Mestre os ilumine.
Esforcemo-nos por alertar os nossos companheiros adormecidos, mas não olvidemos a necessidade de auxiliá-los no soerguimento.
É imprescindível saibamos improvisar os recursos indispensáveis em auxílio dos nossos afeiçoados ou não que precisam levantar-se para as bênçãos de Jesus.
Não basta recomendar.
Quem receita serviço e virtude ao próximo, sem antes preparar-lhe o entendimento, através do espírito de fraternidade, identifica-se com o instrutor exigente, que reclama do aluno integral conhecimento acerca de determinado e valioso livro, sem antes ensiná-lo a ler.
Disse Paulo: - “Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e o Cristo te iluminará.”
E nós repetiremos: - “Acordemos para a vida superior e levantemo-nos na execução das boas obras e o Senhor nos ajudará, para que possamos ajudar os outros.”
NOSSA REFLEXÃO
A analogia que Emmanuel utiliza nessa mensagem é bem apropriada, pois o ato de levantar-se, no nosso cotidiano, em geral, é antecedido da vontade de ficar deitado, mesmo acordado. Os compromissos povoam nossa mente e, só então, nos motivamos a levantar, com a ajuda de Deus... Acordar para a vida, entendamos, é o ato de abrir os olhos, em reverência a Deus que providencia a labuta, seguido pelo levantar otimista, de modo agradecido e motivado por existir, para ser cada vez mais um verdadeiro Filho de Deus.
A compreensão de nos posicionarmos para o labor espiritual, num contexto corporal, é fundamental para que sejamos aproveitados por Deus, e pelo Cristo, nas Suas Obras, pois só assim aprenderemos a sermos verdadeiros colaboradores na Sua Seara. O Cristo não conta neste mundo só com Espíritos Superiores para dar conta de Sua Obra de humanização de seus habitantes. Aproveita-nos, se estivermos prontos para o serviço, como na Parábola dos Trabalhadores da Última Hora (Mateus, 20:1 a 16).[1]
Neste contexto, como nos diz Emmanuel: “Acordemos para a vida superior e levantemo-nos na execução das boas obras e o Senhor nos ajudará, para que possamos ajudar os outros.”
Importante refletir que nem sempre nos posicionamos para ajudar os outros com o espírito de, tão somente, colaborador. Em geral, nos posicionamos como impositores de ideias, soluções e ensinos, sem deixar que o outro, no seu tempo, assimile as sugestões ditadas, quem sabe, com a ajuda dos Bons Espíritos que nos cercam no momento da ajuda. O bom Professor, o Mestre, não impõe, media conhecimento, aponta soluções oriundas de seu estudo e prática e deixa que o aprendiz reelabore o que tem pensado sobre o que quer aprender. Assim como nós há milênios estamos a fazer com os Ensinos de Jesus Cristo. Que Paciência do Mestre!!
Entrar no campo da necessidade do aprendiz, deixando-o se manifestar para aprender melhor e nos ensinar também, é se despir da autoridade do professorado.
Então, neste planeta, ainda de provas e expiações, que possamos ser aprendizes que desejam ajudar aqueles nos cercam, também querendo aprender, ou pelo menos dispostos, como qualquer um de seus habitantes em fase evolutiva. E ergamo-nos! Pois acordados estamos há muito tempo...
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Veja as orientações dos Espíritos Superiores que trabalharam com apoio irrepreensível de Allan Kardec na codificação da 3ª Revelação (o Espiritismo), acessando O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os Trabalhadores da Última Hora).

domingo, 16 de setembro de 2018

NÃO TE ENGANES


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NÃO TE ENGANES
Olhais para as coisas, segundo as aparências? Se alguém confia de si mesmo que é do Cristo, pense outra vez isto consigo, que assim como ele é do Cristo, também nós do Cristo somos.
Paulo (II Coríntios, 10:7).
Não te enganes, acerca da nossa necessidade comum no aperfeiçoamento.
Muita vez, superestimando nossos valores, acreditamo-nos privilegiados na arte da elevação. E, em tais circunstâncias, costumamos esquecer, impensadamente, que outros estão fazendo pelo bem muito mais que nós mesmos.
O vaga-lume acende leves relâmpagos nas trevas e se supõe o príncipe da luz, mas encontra a vela acesa que o ofusca. A vela empavona-se sobre um móvel doméstico e se presume no trono absoluto da claridade, entretanto, lá vem um dia em que a lâmpada elétrica brilha no alto, embaciando-lhe a chama.
A lâmpada, a seu turno, ensoberbece-se na praça pública, mas o Sol, cada manhã, resplandece no firmamento, clareando toda a Terra e empalidecendo todas as luzes planetárias, grandes e pequenas.
Enquanto perdura a sombra protetora e educativa da carne, quase sempre somos vítimas de nossas ilusões, mas, em voltando o clarão infinito da verdade com a renovação da morte física, verificamos, ao sol da vida espiritual, que a Providência divina é glorioso amor para a Humanidade inteira.
Não troques a realidade pelas aparências.
Respeitemos cada realização em seu tempo e cada pessoa no lugar que lhe é devido.
Todos somos companheiros de evolução e aperfeiçoamento, guardados ainda entre o bem e o mal.
Onde acionarmos a nossa "parte inferior", a sombra dos outros permanecerá em nossa companhia. Da zona a que projetarmos a nossa "boa parte", a luz do próximo virá ao nosso encontro.
Cada alma é sempre uma incógnita para outra alma. Em razão disso, não será lícito erguer as paredes de nossa tranquilidade sobre os alicerces do sentimento alheio.
Não nos iludamos.
Retifiquemos em nós quanto prejudique a nossa paz íntima e estendamos braços e pensamentos fraternos, em todas as direções, na certeza de que, se somos portadores de virtudes e defeitos, nas ocasiões de juízo receberemos sempre de acordo com as nossas obras. E, compreendendo que a bondade do Senhor brilha para todas as criaturas, sem distinção de pessoas, recordemos em nosso favor e em favor dos outros as significativas palavras de Paulo: – "Se alguém confia de si mesmo que é do Cristo, pense outra vez isto consigo, porque tanto quanto esse alguém é do Cristo, também nós do Cristo somos".
NOSSA REFLEXÃO
Num mundo de relações, todos somos compelidos a elevar e abaixar nossa “luz”, de momento a momento. Como cada um de nós se diz cristão, devemos ter a consciência de que cada um pode, em determinado momento, estar bem ou mal. Acertando ou errando. Devemos nos espelhar nas boas ações e não nos determos nas más, para a crítica, na ilusão de que somos melhores de quem estamos a criticar. Estamos todos no mesmo barco. Somos Espíritas! Somos Cristãos! Espíritos endividados com a Lei e, às vezes, ainda acomodados em algumas falhas pessoais.
Aos exercermos a caridade, receberemos caridade. Não bastará dizermos que somos cristãos, para nos colocarmos em situação favorável diante do Cristo, pois como questiona o Espírito Simeão: “Será bastante trazer a libré do Senhor, para ser-se fiel servidor seu? Bastará dizer: “Sou cristão”, para que alguém seja um seguidor do Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras”[1].
Que tenhamos essa consciência no nosso dia a dia de relação.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1]Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVIII, Item 16.

domingo, 9 de setembro de 2018

SEMEADORES


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SEMEADORES
Eis que o semeador saiu a semear.
Jesus (MATEUS. 13:3).
Todo ensinamento do divino Mestre é profundo e sublime na menor expressão. Quando se dispõe a contar a Parábola do Semeador, começa com ensinamento de inestimável importância que vale relembrar.
Não nos fala que o semeador deva agir, através do contrato com terceiras pessoas, e sim que ele mesmo saiu a semear.
Transferindo a imagem para o solo do espírito, em que tantos imperativos de renovação convidam os obreiros da boa-vontade à santificante lavoura da elevação, somos levados a reconhecer que o servidor do Evangelho é compelido a sair de si próprio, a fim de beneficiar corações alheios.
É necessário desintegrar o velho cárcere do "ponto de vista" para nos devotarmos ao serviço do próximo.
Aprendendo a ciência de nos retirarmos da escura cadeia do "eu", excursionaremos através do grande continente denominado "interesse geral". E, na infinita extensão dele, encontraremos a "terra das almas", sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir a benefício de todos.
Foi nesse roteiro que o divino Semeador pautou o ministério da luz, iniciando a celeste missão do auxílio entre humildes tratadores de animais e continuando-a através dos amigos de Nazaré e dos doutores de Jerusalém, dos fariseus palavrosos e dos pescadores simples, dos justos e dos injustos, ricos e pobres, doentes do corpo e da alma, velhos e jovens, mulheres e crianças...
Segundo observamos, o semeador do Céu ausentou-se da grandeza a que se acolhe e veio até nós, espalhando as claridades da Revelação e aumentando-nos a visão e o discernimento. Humilhou-se para que nos exaltássemos e confundiu-se com a sombra a fim de que a nossa luz pudesse brilhar, embora lhe fosse fácil fazer-se substituído por milhões de mensageiros, se desejasse.
Afastemo-nos, pois, das nossas inibições e aprendamos com o Cristo a "sair para semear".
NOSSA REFLEXÃO
Entendemos que somos aprendizes de semeadores cristãos. Já temos a boa-vontade de trabalhar no movimento em prol dos que desejam também serem iluminados pela Doutrina Espírita. No entanto, sabemos que o terreno a semear é árido, e uns recebem a Revelação como se estivessem a caminhar sem preocupações; outros parecem um terreno com pedras – até a recebem com alegria, mas as imposições sociais os levam a se afastar; e, por último, há aqueles que parece um terreno espinhoso que não deixa os frutos sobressaírem. Porém, tem aqueles que se constituem em terreno de boa vontade em que se produz bastante frutos[1].
Apesar de nos candidatarmos a sermos semeadores, precisamos refletir em qual estágio nos encontramos em relação aos diversos tipos de terreno em que o Senhor semeia Sua iluminada Boa Nova. Podemos até fazer um bom trabalho de evangelização, participando de grupos de estudos das obras básicas, proferindo palestras, mas não devemos nos descuidar de nos limpar “[...] das nossas inibições [...]” e verdadeiramente nos dispor a aprender o modo cristão de  "[...] ‘sair para semear’", como nos aponta Emmanuel nesta mensagem que estamos a refletir.
O exercício da semeadura, para o aprendiz de cristão, é um verdadeiro aprendizado no esforço de se tornar cristão, pois devemos ter boa vontade com os mais diversos tipos de terrenos a semear, inclusive nós mesmos. Pois é no exercício que vamos, no dia a dia, sendo provados se a Boa Nova já rende frutos em nós.
Que aprendamos aceitar os outros, como devemos aceitar a nós mesmos e nos alegremos com a oportunidade de sermos melhores a cada dia.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Vide interpretação de A. Kardec à Parábola do Semeador em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, Item 6, comparando os sujeitos da parábola com os mais diversos tipos de espíritas.

domingo, 2 de setembro de 2018

DIFERENÇAS


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DIFERENÇAS
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. Jesus. (JOÃO, 13:35).
Nas variadas escolas do Cristianismo, vemos milhares de pessoas que, de alguma sorte, se ligam ao Mestre e Senhor.
Há corações que se desfazem nos louvores ao grande Médico, exaltando-lhe a intercessão divina nos acontecimentos em que se reconheceram favorecidos, mas não passam das afirmativas espetaculares, qual se vivessem indefinidamente mergulhados em maravilhosas visões.
São os simplesmente beneficiários e sonhadores.
Há temperamentos ardorosos que impressionam da tribuna, através de preleções eruditas e comoventes, em que relacionam a posição do grande Renovador, na religião, na filosofia e na história, não avançando, contudo, além dos discursos preciosos.
São os simplesmente sacerdotes e pregadores.
Há inteligências primorosas que vazam páginas sublimes de crença consoladora, arrancando lágrimas de emoção aos leitores ávidos de conhecimento revelador, todavia, não ultrapassam o campo do beletrismo religioso.
São os simplesmente escritores e intelectuais.
Todos guardam recursos e méritos especializados.
Existe, no entanto, nos trabalhos da Boa-Nova, um tipo de cooperador diferente.
Louva o Senhor com pensamentos, palavras e atos, cada dia.
Distribui o tesouro do bem, por intermédio do verbo consolador, sempre que possível.
Escreve conceitos edificantes, em torno do Evangelho, toda vez que as circunstâncias lho permitem.
Ultrapassa, porém, toda pregação falada ou escrita, agindo incessantemente na sementeira do bem, em obras de sacrifício próprio e de amor puro, nos moldes de ação que o Cristo nos legou.
Não pede recompensa, não pergunta por resultados, não se sintoniza com o mal. Abençoa e ajuda sempre.
Semelhante companheiro é conhecido por verdadeiro discípulo do Senhor, por muito amar.
NOSSA REFLEXÃO
É de grande importância o estudo. O movimento espírita se caracteriza por ter o estudo como base da evolução espiritual[1]. Também, a divulgação espírita, tanto pelo livro, como pela fala (as palestras) é um princípio basilar do movimento. Encontro de esclarecimentos gerais são realizados visando a confraternização e esclarecimentos mais aprofundados da Doutrina por estudiosos de destaque[2].
Esta mensagem do Cristo aos seus discípulos vai encontrar sua similar na Doutrina Espirita, O Consolador Prometido, dita por O Espírito de Verdade: “Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”.[3] Então, temos um compromisso com o Cristo, não só de estudar, divulgar a Doutrina, mas também de nos amarmos, nos unirmos em torno de Sua Doutrina, agora esclarecida pelo Espiritismo.
Então, as atitudes que Emmanuel cita como aquelas que caracterizam “[...] um tipo de cooperador diferente” vai encontrar respaldo nas características do Homem de Bem apresentadas por Allan Kardec quando discutiu as características da perfeição espiritual[4].
Que as nossas imperfeições sejam minimizadas pela nossa vontade de ser melhor a cada dia e possamos, cada vez mais, ampliar nossa capacidade de nos amar, uns aos outros, independentemente de credo, ou não credo, como Jesus continua nos amando.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Nas casas espíritas se estimula os estudos em grupo e tem O Estudo Sistematizado da Doutrina (ESDE)como um estudo orientado pela Federação Espírita Brasileira. Além, do ESDE, tem estudos das obras básicas em separado.
[2] Vide o canal do Youtube de Haroldo Dutra Dias, onde são postadas as suas palestras em eventos espíritas.
[3] O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 6 (O Cristo Consolador), item 5.
[4] Vide O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 17, item 3.

domingo, 26 de agosto de 2018

DEVAGAR, MAS SEMPRE


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DEVAGAR, MAS SEMPRE
Mas ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova, de dia em dia. – Paulo. (lI CORÍNTIOS, 4:16).
Observa o espírito de sequência e gradação que prevalece nos mínimos setores da natureza.
Nada se realiza aos saltos e, na pauta da Lei divina, não existe privilégio em parte alguma.
Enche-se a espiga de grão em grão.
Desenvolve-se a árvore, milímetro a milímetro.
Nasce a floresta de sementes insignificantes.
Levanta-se a construção, peça por peça.
Começa o tecido nos fios.
As mais famosas páginas foram produzidas, letra a letra.
A cidade mais rica é edificada, palmo a palmo.
As maiores fortunas de ouro e pedras foram extraídas do solo, fragmento a fragmento.
A estrada mais longa é pavimentada, metro a metro.
O grande rio que se despeja no mar é conjunto de filetes líquidos.
Não abandones o teu grande sonho de conhecer e fazer, nos domínios superiores da inteligência e do sentimento, mas não te esqueças do trabalho pequenino, dia a dia.
A vida é processo renovador, em toda parte, e, segundo a palavra sublime de Paulo, ainda que a carne se corrompa, a individualidade imperecível se reforma, incessantemente.
Para que não nos modifiquemos, todavia, em sentido oposto à expectativa do Alto, é indispensável saibamos perseverar com o esforço de autoaperfeiçoamento, em vigilância constante, na atividade que nos ajude e enobreça.
Se algum ideal divino te habita o espírito, não olvides o servicinho diário, para que se concretize em momento oportuno.
Há ensejo favorável à realização?
Age com regularidade, de alma voltada para a meta.
Há percalços e lutas, espinhos e pedrouços na senda?
Prossegue mesmo assim.
O tempo implacável dominador de civilizações e homens, marcha apenas com sessenta minutos por hora, mas nunca se detém.
Guardemos a lição e caminhemos para diante, com a melhoria de nós mesmos.
Devagar, mas sempre.
NOSSA REFLEXÃO
Viemos a esta vida corpórea com projetos de evolução espiritual. Estabelecemos meta(s). Todavia, ao mergulhar na carne, somos privados das lembranças da(s) meta(s) estabelecida(s) e vamos restabelecendo-as à medida que vamos readquirindo nossas inclinações mais nobres dentro de um contexto educacional familiar e escolar.
Nessa trajetória há as quedas desestimuladoras, mas não podemos esquecer da mensagem de Paulo, desenvolvida por Emmanuel em sua mensagem, agora refletida. Somos imperfeitos, portanto sujeitos a tropeços, com possibilidades de reerguimentos espirituais. O Cristo sempre perdoou aqueles que lhe buscou ou esteve em momentos de condenações e simplesmente dizia ao modo dessas palavras: eu não te julgo, porém não peques mais[1]. Assim, não devemos julgar os outros sem refletir se nosso julgamento terá proveitos, ou não, ao julgado. Além disso, o julgamento que venhamos a fazer de alguém deve ser sempre antecedido de uma reflexão sobre nós mesmo em relação ao caso, lembrando sempre que estamos em uma nova vida e que se não fazemos mais o que repreendemos hoje, podemos ter feito em vidas passadas.
A Doutrina Cristã, repaginada pelo Espiritismo, é consoladora na medida que não julga ninguém, mas dota todo Espírita de maturidade espiritual, de responsabilização de suas ações. Abre as portas da redenção para aquele que deseja acertar e continuar sua vida, se renovando dia a dia, como Emmanuel nos diz nesta mensagem.
Em última análise, esta mensagem vale para nossos ideais pessoais a serem conquistados nesta vida, que em geral não se constituem fáceis de realizar. Então, que possamos sempre encarar os obstáculos que são o cadinho da bela obra que vai se construindo à medida que vamos trabalhando em prol dela. Sejamos vitoriosos sobre nós mesmos, não nos deixando levar pelos pequenos fracassos ou demora nas coisas darem certo, mesmo que estejamos trabalhando duro para realizá-las.
Caminhemos “devagar, mas sempre”.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide Cap. 10, itens 11 a 13 de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

PARTICIPAÇÃO EM EVENTO ESPÍRITA

Prezados(as) amigos (as) leitores(as) deste blog,

No domingo passado (19/08/18), estive participando de um Seminário Espírita.

Daremos sequência às  nossas postagens, no dia 26/08/18, com a Nossa Reflexão sobre a mensagem de número 62, intitulada Devagar, mas sempre.

Conto com a compreensão dos amigos e amigas.
Atenciosamente grato.

Domício

domingo, 12 de agosto de 2018

NUNCA DESFALECER


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NUNCA DESFALECER
Orar sempre e nunca desfalecer.
LUCAS (18:1).
Não permitas que os problemas externos, inclusive os do próprio corpo, te inabilitem para o serviço da tua iluminação.
Enquanto te encontras no plano de exercício, qual a crosta da Terra, sempre serás defrontado pela dificuldade e pela dor.
A lição dada é caminho para novas lições.
Atrás do enigma resolvido, outros enigmas aparecem.
Outra não pode ser a função da escola, senão ensinar, exercitar e aperfeiçoar.
Enche-te, pois, de calma e bom ânimo, em todas as situações.
Foste colocado entre obstáculos mil de natureza estranha, para que, vencendo inibições fora de ti, aprendas a superar as tuas limitações.
Enquanto a comunidade terrestre não se adaptar à nova luz, respirarás cercado de lágrimas inquietantes, de gestos impensados e de sentimentos escuros.
Dispõe-te a desculpar e auxiliar sempre, a fim de que não percas a gloriosa oportunidade de crescimento espiritual.
Lembra-te de todas as aflições que rodearam o espírito cristão, no mundo, desde a vinda do Senhor.
Onde está o Sinédrio que condenou o Amigo Celeste à morte?
Onde os romanos vaidosos e dominadores?
Onde os verdugos da Boa Nova nascente?
Onde os guerreiros que fizeram correr, em torno do Evangelho, rios escuros de sangue e suor?
Onde os príncipes astutos que combateram e negociaram, em nome do Renovador Crucificado?
Onde as trevas da Idade Média?
Onde os políticos e inquisidores de todos os matizes, que feriram em nome do excelso Benfeitor?
Arrojados pelo tempo aos despenhadeiros de cinza, fortaleceram e consolidaram o pedestal de luz, em que a figura do Cristo resplandece, cada vez mais gloriosa, no governo dos séculos.
Centraliza-te no esforço de ajudar no bem comum, seguindo com a tua cruz, ao encontro da ressurreição divina. Nas surpresas constrangedoras da marcha, recorda que, antes de tudo, importa orar sempre, trabalhando, servindo, aprendendo, amando, e nunca desfalecer.
NOSSA REFLEXÃO
Como diz Emmanuel, nesta mensagem: “Outra não pode ser a função da escola, senão ensinar, exercitar e aperfeiçoar”. Estamos numa Escola chamada Terra e com uma direção divina. Numa escola, há todo tipo de aprendizagens, particularmente a da relação interpessoal. Já tivemos e temos Professores, de todas as áreas, trabalhando para o desenvolvimento humano. Então, somos chamados a nos exercitar diariamente frente aos estudos, além de outros, relativos ao desenvolvimento moral. Há várias estratégias de proposições educativas no seio da sociedade da qual fazemos parte. Toda atividade é feita em conjunto, ou é afetada, com humanos como nós, aprendizes da Lei de Deus.
Nesta relação, podemos sofrer consequências de outras vidas, e desta, no sentido de revermos nossas ações pretéritas. Somo convidados a conviver, ajudando, com a dor do outro, e com a nossa também. Entretanto, como Emmanuel nos fala: “Nas surpresas constrangedoras da marcha, recorda que, antes de tudo, importa orar sempre, trabalhando, servindo, aprendendo, amando, e nunca desfalecer”.
Seguir o Mestre, nesta Escola, significa optar pela elevação espiritual e Ele nos enfatizou: “Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo”[1] (Mateus, 11:28 a 30). Então, que possamos seguir com a nossa cruz[2], sabendo que todos tem a sua, e, principalmente, que somos Espíritos ainda imperfeitos, e por isso, sujeitos a cair, mas com a responsabilidade de sempre levantar, pensando que fomos criados simples e ignorantes para atingirmos a pureza espiritual[3].
Sigamos, assim, fervorosos de que podemos ser fortes nos momentos mais difíceis, sempre desculpando o estágio evolutivo daqueles que Deus colocou em nosso caminho para nos ajudar a vencer nossas imperfeições, e que são nossos irmãos para os quais Deus nos colocou nos seus caminhos para também ajudá-los a crescer. Mas que não sejamos aqueles que os cobra porque não aceitamos como eles são. Sejamos sempre, com todos, inclusive conosco mesmos, sempre brandos e pacíficos (Mateus, 5:5 e 5:9 – O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IX).
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Allan Kardec nos explica esta exortação do Cristo no cap. VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
[2] O Cristo nos disse: “E quem quer que não carregue a sua cruz e me siga, não pode ser meu discípulo (Lucas, 14:27). Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXIII, temos as explicações espíritas sobre essa passagem evangélica.
[3] Sobre isso, Emmanuel, no faz refletir ao nos propor: “Suportar a nossa cruz será tolerar as tendências inferiores que ainda nos caracterizam, sem acalentá-las, mas igualmente sem condenar-nos”. Do livro Rumo Certo, por Chico Xavier. FEB.

domingo, 5 de agosto de 2018

ESMOLA


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ESMOLA
Dai antes esmola do que tiverdes.
Jesus (LUCAS, 11:41).
A palavra do Senhor está sempre estruturada em luminosa beleza que não podemos perder de vista.
No capítulo da esmola, a recomendação do Mestre, dentro da narrativa de Lucas, merece apontamentos especiais.
"Dai antes esmola do que tiverdes."
Dar o que temos é diferente de dar o que detemos.
A caridade é sublime em todos os aspectos sob os quais se nos revele e em circunstância alguma devemos esquecer a abnegação admirável daqueles que distribuem pão e agasalho, remédio e socorro para o corpo, aprendendo a solidariedade e ensinando-a.
É justo, porém, salientar que a fortuna ou a autoridade são bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem.
O Dono de todo o poder e de toda a riqueza no Universo é Deus, nosso Criador e Pai, que empresta recursos aos homens, segundo os méritos ou as necessidades de cada um.
Não olvidemos, assim, as doações de nossa esfera íntima e perguntemos a nós mesmos:
Que temos de nós próprios para dar?
Que espécie de emoção estamos comunicando aos outros?
Que reações provocamos no próximo?
Que distribuímos com os nossos companheiros de luta diária?
Qual é o estoque de nossos sentimentos?
Que tipo de vibrações espalhamos?
Para difundir a bondade, ninguém precisa cultivar riso estridente ou sorrisos baratos, mas, para não darmos pedras de indiferença aos corações famintos de pão da fraternidade, é indispensável amealhar em nosso espírito as reservas da boa compreensão, emitindo o tesouro de amizade e entendimento que o Mestre nos confiou em serviço ao bem de quantos nos rodeiam, perto ou longe.
É sempre reduzida a caridade que alimenta o estômago, mas que não esquece a ofensa, que não se dispõe a servir diretamente ou que não acende luz para a ignorância.
O aviso do Instrutor Divino nas anotações de Lucas significa: dai esmola de vossa vida íntima, ajudai por vós mesmos, espalhai alegria e bom ânimo, oportunidade de crescimento e elevação com os vossos semelhantes, sede irmãos dedicados ao  próximo, porque, em verdade, o amor que se irradia em bênçãos de felicidade e trabalho, paz e confiança, é sempre a dádiva maior de todas.
NOSSA REFLEXÃO
Neste mundo de provas e expiações, sempre estamos sendo convidado a nos desprender de bens materiais em favor dos que nos rodeiam e nos procuram para mitigar a fome, o frio, entre outras necessidades. Já nos sensibilizamos, no atual estágio espiritual, às necessidades materiais de nossos irmãos carentes. Isto já é um salto. Todavia, Jesus nos chama a atenção para o que de fato temos de nosso. E Emmanuel nos esclarece, mais detidamente sobre as nossas reais propriedades. Sobre isso, o Espirito Isabel de França nos esclarece, também:
A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem, mesmo, nas palavras de consolação que lhe aditeis. Não, não é apenas isso o que Deus exige de vós. A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo. Podeis ainda exercitar essa virtude sublime com relação a seres para os quais nenhuma utilidade terão as vossas esmolas, mas que algumas palavras de consolo, de encorajamento, de amor, conduzirão ao Senhor supremo[1].
O Espírito Cáritas corrobora com Isabel de França quando nos chama a atenção para o significado da palavra/ação “esmola”:
Várias maneiras há de fazer-se a caridade, que muitos dentre vós confundem com a esmola. Diferença grande vai, no entanto, de uma para outra. A esmola, meus amigos, é algumas vezes útil, porque dá alívio aos pobres; mas é quase sempre humilhante, tanto para o que a dá, como para o que a recebe. A caridade, ao contrário, liga o benfeitor ao beneficiado e se disfarça de tantos modos! Pode-se ser caridoso, mesmo com os parentes e com os amigos, sendo uns indulgentes para com os outros, perdoando-se mutuamente as fraquezas, cuidando não ferir o amor-próprio de ninguém[2].
Conforme Emmanuel, concordando com os Espíritos aqui citados, a melhor esmola é a que damos do que espiritualmente temos, que verdadeiramente nos pertence. Ele, nesta mensagem, nos faz refletir quando nos diz que “dar o que temos é diferente de dar o que detemos”.
Não significa que devemos desprezar a esmola material, mas que devemos evoluir nos exercitando a dar esmola moral do que já adquirimos. Sobre isso, a Irmã Rosália diferencia bem para nós:
(...) Desejo compreendais bem o que seja a caridade moral, que todos podem praticar, que nada custa, materialmente falando, porém, que é a mais difícil de exercer-se. A caridade moral consiste em se suportarem umas às outras as criaturas e é o que menos fazeis nesse mundo inferior, onde vos achais, por agora, encarnados. Grande mérito há, crede-me, em um homem saber calar-se, deixando fale outro mais tolo do que ele. É um gênero de caridade isso. Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira se escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso de desdém com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se supõem acima de vós, quando na vida espírita, a única real, estão, não raro, muito abaixo, constitui merecimento, não do ponto de vista da humildade, mas do da caridade, porquanto não dar atenção ao mau proceder de outrem é caridade moral. Essa caridade, no entanto, não deve obstar à outra (...)[3].
Que possamos ser caridosos do modo mais amplo possível.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide na íntegra a mensagem em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Trad. Guillon Ribeiro, FEB, 2013), Cap. XI, Item 14.
[2] Vide na íntegra a mensagem em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XII, Item 14.
[3] Vide na íntegra a mensagem em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII, Item 9.