domingo, 24 de setembro de 2017

FRATERNIDADE

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FRATERNIDADE
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.
Jesus. (João, 13:35.)
Desde a vitória de Constantino, que descerrou ao mundo cristão as portas da hegemonia política, temos ensaiado diversas experiências para demonstrar na Terra a nossa condição de discípulos de Jesus.
Organizamos concílios célebres, formulando atrevidas conclusões acerca da natureza de Deus e da Alma, do Universo e da Vida.
Incentivamos guerras arrasadoras que implantaram a miséria e o terror naqueles que não podiam crer pelo diapasão da nossa fé.
Disputamos o sepulcro do Divino Mestre, brandindo a espada mortífera e ateando o fogo devorador.
Criamos comendas e cargos religiosos, distribuindo o veneno e manejando o punhal.
Acendemos fogueiras e erigimos cadafalsos, inventamos suplícios e construímos prisões para quantos discordassem dos nossos pontos de vista.
Estimulamos insurreições que operaram o embate de irmãos contra irmãos, em nome do Senhor que testemunhou na cruz o devotamento à Humanidade inteira.
Edificamos palácios e basílicas, famosos pela suntuosidade e beleza, pretendendo reverenciar-lhe a memória, esquecidos de que Ele, em verdade, não possuía uma pedra onde repousar a cabeça.
E, ainda hoje, alimentamos a separação e a discórdia, erguendo trincheiras de incompreensão e animosidade, uns contra os outros, nos variados setores da interpretação.
Entretanto, a palavra do Cristo é insofismável.
Não nos faremos titulares da Boa-Nova simplesmente através das atitudes exteriores...
Precisamos, sim, da cultura que aprimora a inteligência, da justiça que sustenta a ordem, do progresso material que enriquece o trabalho e de assembleias que favoreçam o estudo; no entanto, toda a movimentação humana, sem a luz do amor, pode perder-se nas sombras...
Seremos admitidos ao aprendizado do Evangelho, cultivando o Reino de Deus que começa na vida íntima.
Estendamos, assim, a fraternidade pura e simples, amparando-nos mutuamente... Fraternidade que trabalha e ajuda, compreende e perdoa, entre a humildade e o serviço que asseguram a vitória do bem. Atendamo-la, onde estivermos, recordando a palavra do Senhor que afirmou com clareza e segurança: - "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros."
NOSSA REFLEXÃO
Jesus, nos últimos momentos conosco, ainda em confraternização, se despedindo de seus Discípulos, após dizer ao Judas que ele deveria ir fazer o que tinha programado para aquela noite (João, 13:27), que era entregar o Mestre, se volta aos demais para dizer como deveriam se comportar, enquanto irmãos na fé, propagadores da Boa Nova: em tudo e sempre, deveriam se amar como Ele mostrou amar a todos.
A mensagem do Cristo é o Amor entre os semelhantes. Toda a Sua Palavra tem como fundamento o mor entre os filhos de Deus. Então, a propagação dessa ideia deve ser consolidada pelos exemplos de amor, entre si, que os seus propagadores demonstram.
Ele, na pessoa de O Espírito de Verdade, reforçou essa condição, como elemento fundamental para a propagação de uma Boa Nova, como foi a Codificação Espírita, codificada por Allan Kardec. No cap. 6 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Item 5, Ele nos ratifica, com outras palavras, a mesma mensagem quando da sua despedida, na época de sua estada conosco: “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo”.
Temos em mente que essa ideia foi seguida pelos cristãos primitivos. Na atualidade, temos várias facetas da religião cristã. Do catolicismo, pelos excessos e exploração da fé humana e ambição de alguns, houve a divisão dos que criam no cristianismo, surgindo o protestantismo. Temos que ter o cuidado para que dentro do movimento espírita, não haja cisão em torno da compreensão da Doutrina. E isso a Federação Espírita Brasileira (FEB) tem feito no sentido de nos manter unidos em torno da 3ª Revelação do Cristo[1].
Que sigamos, assim, nós espíritas, unidos em torno da ideia e prática cristã vividas por Jesus.
Que Deus nos ajude.
Domício.


[1] Vide o trabalho de unificação espírita promovido pela FEB (O Pacto Áureo).

domingo, 17 de setembro de 2017

INDAGAÇÃO OPORTUNA

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INDAGAÇÃO OPORTUNA
Disse-lhes: - Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes?
ATOS (19:2).
A pergunta apostólica vibra ainda em todas as direções, com a maior oportunidade, nos círculos do Cristianismo.
Em toda parte, há pessoas que começam a crer e que já creem, nas mais variadas situações.
Aqui, alguém aceita aparentemente o Evangelho para ser agradável às relações sociais.
Ali, um indagador procura o campo da fé, tentando acertar problemas intelectuais que considera importantes.
Além, um enfermo recebe o socorro da caridade e se declara seguidor da Boa Nova, guiando-se pelas impressões de alívio físico.
Amanhã, todavia, ressurgem tão insatisfeitos e tão desesperados quanto antes.
Nos arraiais do Espiritismo, tais fenômenos são frequentes.
Encontramos grande número de companheiros que se afirmam pessoas de fé, por haverem identificado a sobrevivência de algum parente desencarnado, porque se livraram de alguma dor de cabeça ou porque obtiveram solução para certos problemas da luta material; contudo, amanhã prosseguem duvidando de amigos espirituais e de médiuns respeitáveis, acolhem novas enfermidades ou se perdem através de novos labirintos do aprendizado humano.
A interrogação de Paulo continua cheia de atualidade.
Que espécie de espírito recebemos no ato de crer na orientação de Jesus? O da fascinação? O da indolência? O da pesquisa inútil? O da reprovação sistemática às experiências dos outros?
Se não abrigamos o espírito de santificação que nos melhore e nos renove para o Cristo, a nossa fé representa frágil candeia, suscetível de apagar-se ao primeiro golpe de vento.
NOSSA REFLEXÃO
Essa mensagem de Emmanuel nos chama a atenção para as questões de nossa fé, de nossa conversão ao Cristianismo. Vale para qualquer cristão, seja dessa ou daquela opção religiosa.
Somos todos endividados de nossa orientação religiosa. Somos provados e cobrados, a todo instante, no nosso cotidiano, seja pela nossa consciência, seja por outros cristãos de agremiações religiosas diferentes, quanto à nossa reforma íntima.
Nosso automatismo espiritual, ou seja, nossos hábitos seculares, ainda está incrustado em nós, seres espirituais. Então, quando chega a prova de nossa religiosidade, nem sempre estamos vigilantes quanto aos novos princípios adotados para nossa vida.
A fé divina[1] que devemos, então, exercer, fica em segundo plano e caímos.
Muitos são os simpatizantes do Espiritismo, outros se converteram pela dor, outros pela razão, e tem os que se converteram pelo amor. Paulo nos indaga qual o Espírito de nossa conversão, e Emmanuel nos esclarece que devemos abrigar o espírito da santificação, senão, qualquer situação que nos chame a atenção para outras verdades, que nos chame mais atenção espiritual, nos afastará, seja do Espiritismo, seja do Cristianismo. Senão isso, mesmo vinculados ao Espiritismo, teremos a nossa fé tão somente para analisar as faltas alheias.
Que cuidemos de nossa reforma íntima para voltarmos ao plano espiritual muito melhor do que aqui chegamos.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Vide sobre a fé em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 19, especialmente o Item 12.

domingo, 10 de setembro de 2017

ERGAMO-NOS

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ERGAMO-NOS
Levantar-me-ei e irei ter com meu pai...
LUCAS (15:18).
Quando o filho pródigo deliberou tornar aos braços paternos, resolveu intimamente levantar-se.
Sair da cova escura da ociosidade para o campo da ação regeneradora.
Erguer-se do chão frio da inércia para o calor do movimento reconstrutivo.
Elevar-se do vale da indecisão para a montanha do serviço edificante.
Fugir à treva e penetrar a luz.
Ausentar-se da posição negativa e absorver-se na reestruturação dos próprios ideais.
Levantou-se e partiu no rumo do lar paterno.
Quantos de nós, porém, filhos pródigos da Vida, depois de estragarmos as mais valiosas oportunidades, clamamos pela assistência do Senhor, de acordo com os nossos desejos menos dignos, para que sejamos satisfeitos? Quantos de nós descemos, voluntariamente, ao abismo, e, lá dentro, atolados na sombria corrente de nossas paixões, exigimos que o Todo-Misericordioso se faça presente, ao nosso lado, através de seus divinos mensageiros, a fim de que os nossos caprichos sejam atendidos?
Se é verdade, no entanto, que nos achamos empenhados em nosso soerguimento, coloquemo-nos de pé e retiremo-nos da retaguarda que desejamos abandonar.
Aperfeiçoamento pede esforço.
Panorama dos cimos pede ascensão.
Se aspiramos ao clima da Vida Superior, adiantemo-nos para a frente, caminhando com os padrões de Jesus.
“Levantar-me-ei” – disse o moço da parábola.
“Levantemo-nos” – repitamos nós.
NOSSA REFLEXÃO
O retorno à casa do Pai não pode ser coisa melhor, depois de o ter abandonado para viver uma vida desregrada. A parábola do Filho Pródigo é uma prova do Amor de Deus às suas criaturas. O Pai respeita as escolhas do filho, sabendo que adquirirá maturidade depois de viver o resultado delas.
Isso nos remete a bem-aventurança dos aflitos que compreendem que se sofrem na atual existência, as causas do sofrimento podem se encontrar nas ações tomadas contra si mesmo, ainda nessa existência[1]. Num momento de reflexão, retoma a consciência e se volta para o Pai, desejando tomar outro rumo. Entretanto, o retorno é considerado com alegria pelo Pai, mas o filho tem que recuperar o tempo perdido, trabalhando com muito esforço e às vezes sofrendo com alguma dor que as ações, contra si mesmo, causaram ao seu corpo e às relações com os semelhantes. Como diz Emmanuel, nesta mensagem, “(...) Aperfeiçoamento pede esforço. Panorama dos cimos pede ascensão. Se aspiramos ao clima da Vida Superior, adiantemo-nos para a frente, caminhando com os padrões de Jesus”.
Do mesmo modo, como Pais, devemos ter em mente que os filhos, que não são nossos filhos, devem sempre ser perdoados pelas suas ações que implicaram em um resultado negativo, mesmo que tenham sido advertidos/aconselhados a não fazê-las.
Que tenhamos a coragem, sempre, de levantar a cabeça e lembrar que temos um Pai que perdoa e nos dá oportunidades de retomar nossa evolução de onde paramos.
Que Deus nos ajude.
Domício.




[1] Veja o Cap. V do O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 4 (Causas Atuais das Aflições) de Allan Kardec.

domingo, 3 de setembro de 2017

IMPEDIMENTOS

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IMPEDIMENTOS
Pondo de lado todo o impedimento... corramos com perseverança a carreira que nos está proposta.
Paulo. (HEBREUS, 12:1.)
Por onde transites, na Terra, transportando o vaso de tua fé a derramar-se em boas obras, encontrarás sempre impedimentos a granel, dificultando-te a ação.
Hoje, é o fracasso nas tentativas iniciais de progresso.
Amanhã, é o companheiro que falha.
Depois, é a perseguição descaridosa ao teu ideal. Afligir-te-ás com o fel de muitos lábios que te merecem apreço.
Sofrerás, de quando em quando, a incompreensão dos outros.
Periodicamente encontrarás na vanguarda obstáculos mil, induzindo-te à inércia ou à negação.
A carreira que nos está proposta, no entanto, deve desdobrar-se no roteiro do bem incessante...
Que fazer com as pessoas e circunstâncias que nos compelem ao retardamento e à imobilidade?
O apóstolo dos gentios responde, categórico:
"Pondo de lado todo o impedimento".
Colocar a dificuldade à margem, porém, não é desprezar as opiniões alheias quando respeitáveis ou fugir à luta vulgar. É respeitar cada individualidade, na posição que lhe é própria, é partilhar o ângulo mais nobre do bom combate, com a nossa melhor colaboração pelo aperfeiçoamento geral. E, por dentro, na intimidade do coração, prosseguir com Jesus, hoje, amanhã e sempre, agindo e servindo, aprendendo e amando, até que a luz divina brilhe em nossa consciência, tanto quanto inconscientemente já nos achamos dentro dela.
NOSSA REFLEXÃO
Ao ler o final dessa mensagem, veio imediatamente, à mente, o Chico Xavier. Quanto ele teve impedimentos na sua labuta cristã! Como ele soube honrar sua missão, que lhe foi dada, e ser um exemplo de cristão, a despeito de toda injustiça, perseguições, injúrias, ingratidões e traições dos mais próximos.
Nós temos que aprender que não estamos na Terra para viver só alegrias, momentos de glórias. Temos um carma negativo a se desvencilhar. Portanto, apesar de alguns sucessos pelo bem que venhamos a fazer pelo próximo, teremos sim, e muitos, momentos que serão testes daquilo que estamos a refletir, se convencendo e pregando.
Devemos lembrar sempre do Cristo, que foi até crucificado, apesar do imenso amor, sabedoria em prática, que revelou para nós. Lembremos dos Apóstolos, Paulo, Madalena, Estêvão e tantos outros exemplos que nos vêm à mente, que se converteram ao cristianismo, sem se tornarem perfeitos instantaneamente.
Certamente que haverá momentos que nós mesmos trairemos nossa fé, nossas convicções espíritas, ao cair moralmente, de algum modo. Devemos também nos perdoar, pois também ainda estamos aprendendo a ser cristãos. Sejamos espíritas, particularmente ao nos lembrar do feliz pensamento Allan Kardec: Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más[1].
Então, sejamos fortes, benevolentes, indulgentes e misericordiosos, para com todos que nos cobram perfeição, inclusive nós mesmos, e sigamos em frente, sabedores que, antes e acima de tudo, devemos ser caridosos[2], conforme Jesus Cristo foi e é conosco.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4 (Os bons espíritas).
[2] Vide em O Livro dos Espíritos, questão 886 e nota de Allan Kardec, sobre o verdadeiro sentido da Caridade, segundo Jesus.

domingo, 27 de agosto de 2017

GLORIFIQUEMOS

11
GLORIFIQUEMOS
Ora, a nosso Deus e Pai seja dada glória para todo o sempre.
Paulo. FILIPENSES (4:20).
Quando o vaso se retirou da cerâmica, dizia sem palavras:
- Bendito seja o fogo que me proporcionou a solidez.
Quando o arado se ausentou da forja, afirmava em silêncio:
- Bendito seja o malho que me deu forma,
Quando a madeira aprimorada passou a brilhar no palácio, exclamava, sem voz:
- Bendita seja a lâmina que me cortou cruelmente, preparando-me a beleza.
Quando a seda luziu, formosa no templo, asseverava no íntimo:
- Bendita seja a feia lagarta que me deu vida.
Quando a flor se entreabriu, veludosa e sublime, agradeceu, apressada:
- Bendita a terra escura que me encheu de perfume.
Quando o enfermo recuperou a saúde, gritou, feliz:
- Bendita seja a dor que me trouxe a lição do equilíbrio.
Tudo é belo, tudo é grande, tudo é santo na casa de Deus.
Agradeçamos a tempestade que renova, a luta que aperfeiçoa, o sofrimento que ilumina.
A alvorada é maravilha do céu que vem após a noite na Terra.
Que em todas as nossas dificuldades e sombras seja nosso Pai glorificado para sempre.
NOSSA REFLEXÃO
Somos criaturas de Deus fadadas à perfeição[1], pois tudo que Deus faz é perfeito, mas cada um tem seu tempo próprio para reluzir. Em se tratando de inteligências, temos a opção de nos tornarmos perfeitos no tempo próprio. Cada um, então, passa pelos cadinhos particulares, conforme adequação à Lei que está gravada em nossa consciência, lembrada pelo conhecimento ou pela dor. De alguma forma somos ou fomos lembrados da Lei, seja diretamente pelos Profetas, pelo Cristo, ou por termos que vivê-la pelos processos reencarnatórios em que cada um vive a Lei de Causa e Efeito[2].
Deus nos deu o modelo de perfeição, senão vejamos, na questão 625 de O Livro dos Espíritos:
Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? “Jesus.”
Mas para chegarmos a esse topo da evolução, passamos por vários estágios evolutivos, e o da pureza espiritual é o daquele em que não há mais necessidade de reencarnarmos, como está gravado, também, em o Livro dos Espíritos, numa explicação de Allan Kardec à questão 226:
No tocante às qualidades íntimas, os Espíritos são de diferentes ordens, ou graus, pelos quais vão passando sucessivamente, à medida que se purificam. Com relação ao estado em que se acham, podem ser: encarnados, isto é, ligados a um corpo; errantes, isto é, sem corpo material e aguardando nova encarnação para se melhorarem; Espíritos puros, isto é, perfeitos, não precisando mais de encarnação.
Somos frutos de nós mesmos, e a cada reencarnação nos despojamos do peso de nossa inadequação à Lei de Deus.
Cabe a nós sermos dóceis ao cadinho da Lei e darmos graças ao nosso Pai pelo o que nos espera, em termos de felicidade espiritual. Isto faz parte da Lei de Adoração.[3]
Que Deus nos ajude.
Domício.




[1] Vide O Livro dos Espíritos, da questão 96 a 127 que trata das diferentes ordens dos Espíritos e de sua progressão.
[2] Vide algumas explicações espíritas em vídeo.
[3] Vide O Livro dos Espíritos, Livro Terceiro, As Leis Morais, cap II, questões 649 a 673.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

CERTAMENTE

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CERTAMENTE
          Certamente, cedo venho.
APOCALIPSE (22 :20).
Quase sempre, enquanto a criatura humana respira na carne jovem, a atitude que lhe caracteriza o coração para com a vida é a de uma criança que desconhece o valor do tempo.
Dias e noites são curtos para a internação em alegrias e aventuras fantasiosas. Engodos mil da ilusão efêmera lhe obscurecem o olhar e as horas se esvaem num turbilhão de anseios inúteis.
Raras pessoas escapam de semelhante perda.
Geralmente, contudo, quando a maturidade aparece e a alma já possui relativo grau de educação, o homem reajusta, apressado, a conceituação do dia.
A semana é reduzida para o que lhe cabe fazer.
Compreende que os mesmos serviços, na posição em que se encontra, se repetem a determinados meses do ano, perfeitamente recapitulados, qual ocorre às estações de frio e calor, floração e frutescência para a Natureza.
Agita-se, inquieta-se, desdobra-se, no afã de multiplicar as suas forças para enriquecer os minutos ou ampliá-los, favorecendo as próprias energias.
E, comumente, ao termo da romagem, a morte do corpo surpreendendo nos ângulos da expectativa ou do entretenimento, sem que lhe seja dado recuperar os anos perdidos.
Não te embrenhes, assim, na selva humana, despreocupado de tua habilitação à luz espiritual, ante o caminho eterno.
No penúltimo versículo do Novo Testamento, que é a Carta do Amor Divino para a Humanidade, determinou o Senhor fosse gravada pelo apóstolo a sua promessa solene: -.Certamente, cedo venho...
Vale-te, pois, do tempo e não te faças tardio na preparação.
NOSSA REFLEXÃO
O Cristo trouxe-nos uma imagem da vida como aquela que tem um objetivo não inteiramente ligado às preocupações terrenas. Sendo assim, a vida futura, a vida espiritual deve ser o alvo de todo cristão. A vida presente tem o objetivo de possibilitar ao Espírito instrumentos para sua evolução espiritual. Por isso ele disse que o Reino dele não era desse mundo, quando foi interpelado por Herodes, quando da sua condenação[1].
Então, devemos viver em função de alcançar esse Reino Divino prometido por Jesus Cristo. O tempo urge e talvez venhamos a sermos pegos de surpresa pela morte do corpo e ficarmos decepcionado por, estando do lado espiritual, não nos sentir dignos, pela própria consciência, do Reino de Deus.
Que sejamos espertos em entender que o Cristo já veio novamente e se encontra entre nós, como sempre esteve; mas agora, retomando sobre o que pudemos fazer por nós mesmos, e pelo semelhante, depois de Sua segunda vinda, com o Advento do Espiritismo.
Que Deus nos ajude.
Domício.



[1] João (18: 33, 36 e 37). Vide interpretação de Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 2.

domingo, 20 de agosto de 2017

ESTEJAMOS CONTENTES

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ESTEJAMOS CONTENTES
Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.
Paulo. (1 TIMÓTEO, 6:8.)
O monopolizador de trigo não poderá abastecer-se à mesa senão de algumas fatias de pão, para saciar as exigências da sua fome.
O proprietário da fábrica de tecidos não despenderá senão alguns metros de pano para a confecção de um costume, destinado ao próprio uso.
Ninguém deve alimentar-se ou vestir-se pelos padrões da gula e da vaidade, mas sim de conformidade com os princípios que regem a vida em seus fundamentos naturais.
Por que esperas o banquete, a fim de ofereceres algumas migalhas ao companheiro que passa faminto?
Por que reclamas um tesouro de moedas na retaguarda, para seres útil ao necessitado?
A caridade não depende da bolsa. É fonte nascida no coração.
É sempre respeitável o desejo de algo possuir no mealheiro para socorro do próximo ou de si mesmo, nos dias de borrasca e insegurança, entretanto, é deplorável a subordinação da prática do bem ao cofre recheado.
Descerra, antes de tudo, as portas da tua alma e deixa que o teu sentimento fulgure para todos, à maneira de um astro cujos raios iluminem, balsamizem, alimentem e aqueçam.
A chuva, derramando-se em gotas, fertiliza o solo e sustenta bilhões de vidas. Dividamos o pouco, e a insignificância da boa-vontade, amparada pelo amor, se converterá com o tempo em prosperidade comum.
Algumas sementes, atendidas com carinho, no curso dos anos, podem dominar glebas imensas.
Estejamos alegres e auxiliemos a todos os que nos partilhem a marcha, porque, segundo a sábia palavra do apóstolo, se possuímos a graça de contar com o pão e com o agasalho para cada dia, cabe-nos a obrigação de viver e servir em paz e contentamento.
NOSSA REFLEXÃO
Diz um dito popular que “o pouco com Deus é muito”. Sábio dito que Emmanuel corrobora nesta mensagem. A partilha cristã não pede muito. Cada um, em suas necessidades, pode repartir o pouco que tem, pois o mais virá no tempo certo.
Diz outro dito milenar baseado em. Pedro (I Pedro, 4:8), quando referenda que “o Amor cobre uma multidão de pecados”.
O pouco é o suficiente para tomar proporções incomensuráveis, pois nunca o pouco está sozinho. Ele é capaz de se agigantar a ponto de transformar o impossível no possível. Lembremos do óbolo da viúva[1], do grão de mostarda[2], a divisão dos peixes e pães na oportunidade do Sermão da Montanha[3].
Que saibamos multiplicar o pouco talento que temos, pois o que temos é o suficiente para fazer o que viemos fazer na Terra, numa existência. A prodigalidade, quando existe, também deve ser administrada para que suas partes sejam frutíferas e saciem as necessidades de quem administra e dos que lhe são beneficiados.
Que sejamos gratos com o pouco, pois o muito (que também não é tanto, pois temos que dividi-lo, pois não é nosso) vem em seguida.
Que Deus não nos deixe cair em tentação da ostentação do que não é nosso e nem da lamúria pelo que nos falta, pois a falta significa o muito que desprezamos ou não soubemos administrar visando nossa evolução espiritual.
Domício.




[1] Marcos (12: 41 a 44); Lucas (21: 1 a 4). Vide interpretação por Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 13, Item 6.
[2] Mateus (17: 14 a 19). Vide interpretação por Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 19, Item 2.
[3] Mateus (15: 32 a 39).

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

OBREIROS ATENTOS

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OBREIROS ATENTOS
Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, esse tal será bem-aventurado em seus feitos.
TIAGO, 1 :25.
O discípulo da Boa Nova, que realmente comunga com o Mestre, antes de tudo compreende as obrigações que lhe estão afetas e rende sincero culto à lei de liberdade, ciente de que ele mesmo recolherá nas leiras do mundo o que houver semeado. Sabe que o juiz dará conta do tribunal, que o administrador responderá pela mordomia e que o servo se fará responsabilizado pelo trabalho que lhe foi conferido. E, respeitando cada tarefeiro do progresso e da ordem, da luz e do bem, no lugar que lhe é próprio, persevera no aproveitamento das possibilidades que recebeu da Providência Divina, atencioso para com as lições da verdade e aplicado às boas obras de que se sente encarregado pelos Poderes Superiores da Terra.
Caracterizando-se por semelhante atitude, o colaborador do Cristo, seja estadista ou varredor, está integrado com o dever que lhe cabe, na posição de agir e servir, tão naturalmente quanto comunga com o oxigênio no ato de respirar.
Se dirige, não espera que outros lhe recordem os empreendimentos que lhe competem. Se obedece, não reclama instruções reiteradas, quanto às atribuições que lhe são deferidas na disposição regimental dos trabalhos de qualquer natureza. Não exige que o governo do seu distrito lhe mande adubar a horta, nem aguarda decretos para instruir-se ou melhorar-se.
Fortalecendo a sua própria liberdade de aprender, aprimorar-se e ajudar a todos, através da inteira consagração aos nobres deveres que o mundo lhe confere, faz-se bem-aventurado em todas as suas ações, que passam a produzir vantagens substanciais na prosperidade e elevação da vida comum.
Semelhante seguidor do Evangelho, de aprendiz do Mestre passa à categoria dos obreiros atentos, penetrando em glorioso silêncio nas reservas sublimes do Celeste Apostolado.
NOSSA REFLEXÃO
No decorrer de nossa evolução espiritual, ocupamos os diversos setores da vida social. Ora ocupamos um lugar de superioridade, ora de inferioridade. Seja na família ou no trabalho. Em cada lugar desse, passamos pelas as mais diferentes experiências que nos fazem pensar como faríamos se estivéssemos no lugar do outro. Ou seja, a posição em que ocupamos é de muito valor para nossa evolução, pois nos levar à prática da caridade, incondicionalmente.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 17 (Sede Perfeitos), item 9, François, Nicolas, Madeleine, Cardeal de Morlot nos traz uma mensagem, intitulada “Os Superiores e os Inferiores”, da qual fazemos um recorte, como segue:
O superior, que se ache compenetrado das palavras do Cristo, a nenhum despreza dos que lhe estejam submetidos, porque sabe que as distinções sociais não prevalecem às vistas de Deus. Ensina-lhe o Espiritismo que, se eles hoje lhe obedecem, talvez já lhe tenham dado ordens, ou poderão dar-lhas mais tarde, e que ele então será tratado conforme os haja tratado, quando sobre eles exercia autoridade. Se o superior tem deveres a cumprir, o inferior, de seu lado, também os tem e não menos sagrados. Se for espírita, sua consciência ainda mais imperiosamente lhe dirá que não pode considerar-se dispensado de cumpri-los, nem mesmo quando o seu chefe deixe de dar cumprimento aos que lhe correm, porquanto sabe muito bem não ser lícito retribuir o mal com o mal e que as faltas de uns não justificam as de outrem.
Que fiquemos atentos às nossas obrigações aonde formos convidados a contribuir, e ganhemos em salários do trabalhador da última hora (enquanto espíritas).
Que Deus, Jesus Cristo e nosso Anjo da Guarda, assessorados pelos mentores amigos nos ajudem a não esquecer de sermos cristãos, seja qual for a posição que estivermos.

Domício.

domingo, 13 de agosto de 2017

PELOS FRUTOS

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PELOS FRUTOS
                  Por seus frutos os conhecereis... Jesus
(MATEUS, 7:16)
Nem pelo tamanho.
Nem pela configuração.
Nem pelas ramagens.
Nem pela imponência da copa.
Nem pelos rebentos verdes.
Nem pelas pontas ressequidas.
Nem pelo aspecto brilhante.
Nem pela apresentação desagradável.
Nem pela antiguidade do tronco.
Nem pela fragilidade das folhas.
Nem pela casca rústica ou delicada.
Nem pelas flores perfumadas ou inodoras.
Nem pelo aroma atraente.
Nem pelas emanações repulsivas.
Árvore alguma será conhecida ou amada pelas aparências exteriores, mas sim pelos frutos, peja utilidade, pela produção.
Assim também nosso espírito em plena jornada...
Ninguém que se consagre realmente à verdade dará testemunho de nós pelo que parecemos, pela superficialidade de nossa vida, pela epiderme de nossas atitudes ou expressões individuais percebidas ou apreciadas de passagem, mas sim pela substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso concurso no bem geral.
- "Pelos frutos os conhecereis" - disse o Mestre.
- "Pelas nossas ações seremos conhecidos" - repetiremos nós.
NOSSA REFLEXÃO
Não importa o que falamos, ou que escrevemos, somos o que fazemos. Nossas ações são nosso cartão de entrada em qualquer parte. Lembro da passagem evangélica em que Jesus conta da separação dos homens no juízo final. Então, o Cristo lembra que estariam à sua direita só aqueles que tinham sido caridosos com os semelhantes. As exterioridades não adiantariam para sentar à direita do Senhor[1]. O Mestre que veio para os doentes, também queria que todos nós, enquanto estivéssemos encarnados, cuidando de sua própria evolução, cuidássemos também da dos irmãos. Ele também nos asseverou que “Nem todos aqueles que dizem: Senhor! Senhor! Entrarão no Reino dos Céus”, significando que as nossas superficialidades como cristãos, praticando rotinas religiosas não nos credenciam a entrar nos Reino de Deus[2].
Que sejamos árvores que dê bons frutos.
Domício.

Ps.: Sendo, hoje, o Dia dos Pais, gratos por estarmos encarnados, de ter convivido com um pai exemplar, deixo minha homenagem a ele que não sei se já retornou ao nosso convívio. Que Deus o abençoe.

AO MEU PAI, MINHA ETERNA GRATIDÃO
L. ANGEL             08/06/2010
Pai, Espírito que nem sempre respeitei,
Nessa vida em que me foste a ponte,
Onde te encontras, me conte.
Ouvir-te, hoje, seria bom, eu sei.
Fostes exemplo de retidão,
Respeito e bondade.
Decerto, não eras perfeito, em moralidade,
Mas foste objeto de minha admiração.
Que possamos logo mais
Gozarmos de outra privacidade,
Seja na Terra ou na erraticidade.
Com certeza seremos filho-pai-irmão,
Num clima de eterna gratidão,
Sintonizados com o Pai que decerto amais.




[1] Mateus (25:31 – 46). Vide interpretação de A. Kardec in O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 15, Item 3.
[2] Mateus (7:21 – 23). Vide interpretação de A. Kardec in O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 18, Item 9.